Crítica | The Flash – 2X12: Fast Lane

estrelas 2

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

…Então você para um pouco e tenta ver se perdeu alguma peça da narrativa no meio da temporada ou se o roteiro (ou as imposições da produção tacanha de The Flash) realmente são tenebrosos e mais uma vez chega a conclusão de que a segunda opção é a verdadeira. Depois do interessante retorno da série após o hiato (Potential Energy), imaginávamos que alguma maturidade se fizesse sentir nesta segunda metade, pois o bom drama do Tartaruga parecia ter mexido um pouco com a história e as coisas talvez andassem pelo menos mais inteligentes a partir dali. Todavia, as esperanças caíram por terra no medíocre The Reverse-Flash Returns e pioraram em Fast Lane, um episódio que, em resumo, repete a fórmula já saturada de vilão da semana + drama familiar (em parte interessante) + choração de pitangas + repeteco Wells/Harry sendo mal e bom ao mesmo tempo.

Se tirarmos a boa representação visual do Poço de Piche (aquele vilão estranho criado por Geoff Johns e Scott Kolins em 2001) e algumas cenas que tentam aprofundar a relação entre Wally, Joe e Iris, a única coisa realmente interessante de Fast Lane é a decisão final do grupo de ir junto com Wells para a Terra 2, embora isso já traga um problema embutido que certamente discutiremos nas próximas semanas. Todo o conceito do Multiverso, os perigos vindos daí e a possível exploração de uma viagem entre os Universos é deixada de lado para dar espaço a ações que não trazem nada para a série e ajudam a tornar alguns personagens chatos, como Iris investigando as “locações de Velozes e Furiosos” e tentando proteger Wally (?), ou dando lição de moral em Joe, que já fez de tudo um pouco para colocar a justiça e a ética em primeiro lugar, mas de repente está “ok” com o filho apostando rachas só porque quer se aproximar dele.

As inconstâncias vão se tornando graves a cada grupo de episódios e em capítulos como este Fast Lane simplesmente matam o que poderia vir de bom do enredo. Vejam, por exemplo, como os produtores acham válido trazer um vilão novo e repetir a explosão do Star Labs todo santo episódio mas não criam uma base de permanência para Jay Garrick em cena (e sem ignorá-lo quando ele fala, claro) ou avançam na relação entre Wells e o “Time Flash” ao invés de fazê-lo escrever fórmulas e criar um dispositivo que o tornaria um “vilão interno” para no final do episódio desfazer o mal feito, ensaiar uma remissão que não convence nem ao próprio Wells e ainda colocar um comportamento em Joe que até agora eu procuro de onde vieram, mas não encontro.

É doloroso para o espectador e creio que também para os atores rodarem em volta do mesmo número limitado de ações apenas para sustentar uma temporada de 23 episódios com filler atrás de filler, uma ou outra coisa boa aqui e ali e eventualmente um roteiro aceitável para variar. E tudo isso desperdiçando o talento de uma diretora como Rachel Talalay, por exemplo (Continuum, Doctor Who), que consegue nos entregar apenas uma cena bem contextualizada e que funciona bem dentro do roteiro-abismo: o diálogo final entre Wally e Iris no hospital. É uma cena curta, mas tem uma doçura que foge a toda a forçação de barra que marcou a inserção de Wally na família e ainda traz um bom momento dos atores Candice Patton e Keiynan Lonsdale em cena.

Marcado por preocupações que não levam a lugar nenhum e mini-problemas incômodos e repetitivos (ok, já sabemos que a filha de Wells da Terra 2 está sob domínio de Zoom, agora dá para parar de bater na mesma tecla e avançar?), Fast Lane é um resumo básico de The Flash, um episódio com um baita tema em mãos, ou todo um circo bem armado para dar um salto narrativo e contar uma boa história, mas que se contenta em equilibrar os minutos em pequenos núcleos que imitam uma novela com bons efeitos especiais, cenário de ficção científica e os mesmos clichês do “bandido da vez“, “coitadinho de mim” e “você é da minha família… mesmo não gostando de você eu vou te proteger“. Haja paciência.

The Flash – 2X12: Fast Lane (EUA, 2 de fevereiro de 2016)
Direção: Rachel Talalay
Roteiro: Kai Wu, Joe Peracchio, Brooke Roberts
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Marco Grazzini, Teach Grant, Mathias Retamal, Sean Owen Roberts
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.