Crítica | The Flash 2X16: Trajectory

estrelas 2

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Trucando e trivial, Trajectory trouxe três trajetórias trágicas para a trama traçada na série até aqui, retornando trôpega após a revelação bombástica do episódio Eternal Flash of the Sharkness Zoom King Shark e o hiato que se sucedeu.

A primeira dessas tramas, mista de ternura e suspense, trabalha os Wells e o conflito de gerações, terminando com portas abertas para a solidão e um pequeno trauma para pai e filha. A segunda é uma dinâmica de grupo que tremula a tradicional bandeira do time perdido que realiza algum feito para colocar o Flash em cena tentando fazer algo diferente que não vai conseguir na primeira tentativa mas que no mesmo episódio chegará à sua forma vitoriosa. A terceira é a torturante presença do vilão da semana, aqui representada pela personagem do título que, diferente dos quadrinhos, não está no time dos mocinhos. Traduzindo: Trajectory é The Flash com todas letras. E isso não é algo bom. Vamos tentar entender o que aconteceu.

O trampolim para uma boa história foi armado quando Zoom, enfim, se revelou. Esperávamos que a produção da série optasse por transitar nesse território, possivelmente melhorando as motivações do personagem — já que tudo foi uma farsa… — enquanto fortalecia os frouxos laços dramáticos do show depois do arco da Terra 2. Mas o que tivemos foge ao interesse do programa e adentra a um drama de momento que, embora tenha lá seu significado (nós já vimos isso na 1ª Temporada e sabemos onde essa onda de episódios sentimentais vai dar) jamais deveria ganhar tamanho destaque e ser colocado no roteiro como núcleo, ao invés de entrelinha ou adendo de coisas mais importantes.

Desse já conhecido ambiente, situações antes não tão presentes como o escanteamento de Joe (um dos poucos personagens bem escritos da série) e uma fixação maior do melodrama assombram os espectadores.

Reparem como os diálogos e as situações se desenrolam ao longo do capítulo e comparem com qualquer um dos episódios desta ou da temporada passada onde houveram dinâmicas de grupo em cena. Chegamos aqui com uma repetição (a já citada cartilha que mina toda a possibilidade de melhora desses roteiros) e a um desperdício tremendo de oportunidade. Imaginem vocês: o episódio que se seguiu à revelação de Zoom não foi sobre Zoom, mas sobre uma nova velocista que aparece e desaparece no mesmo episódio e cuja motivação é bastante insatisfatória.

Pare e pense: uma amiga de Caitlin usou de tecnologia reversa (sim, Wells diz exatamente esta palavra… pois é…) e encontrou a fórmula completa (?). Por pressões na vida, falta de tempo para fazer as coisas (?) e dupla personalidade (?), a jovem cientista fez sua versão do V9 (?). Curioso, porém, é que depois ela não consegue produzir mais o V9 (?) e por isso invade o Star Labs (?) e ameaça matar Jesse Wells (!). Anterior a isso ela roubava as pessoas na balada (?) e posterior a isso ficou literalmente correndo de um lado para outro em uma ponte (?) apenas para se divertir (?) e atrair o Flash (?!). Como, em sã consciência, alguém pode defender um roteiro dessa estirpe e ver sentido em todo esse chove-não-molha para nos entregar apenas 5 minutos, dentre os 42 que duram o episódio, de coisas realmente relevantes?

Percebam que pouco da direção de Glen Winter também se salva, com destaque quase isolado para as boas sacadas visuais na abertura (a cena com os drones não só foi bem escrita como bem filmada) e no trabalho de Iris, mas só. E por falar em Iris, vamos todos tirar o diploma de jornalismo e a medalha de bom senso dessa mulher, porque ela vai acabar entregando a identidade do Flash e falar tudo o que acontece no Star Labs mais dia menos dia! E também vamos dar as boas vindas ao Neo-Jay, o Sr. Wally West, que Barry, em um dos piores diálogos de todo o episódio, apresenta como “é… hum… beh… bhieeee… amigo“.

Cisco é quem carrega o ponto positivo do episódio e faz com que algo de bom, ao menos levemente, aconteça, vibrando sobre Zoom e nos colocando um pouco de medo pelo que está por vir. Também vale dizer que as cenas dessas visões são muitíssimo bem iluminadas (a fotografia impressiona igualmente no café e na redação do jornal) e fazem total sentido no episódio, aludindo a uma escolha que deveria ter sido a principal para todo o capítulo.

Semana que vem parece que temos um re-re-re-início de arco, com uma trama que, pela promo, me pareceu muito interessante. E não, eu não estou sendo irônico. Mais surpresas? Deem uma olhada no elenco e vejam quem está creditado…

The Flash 2X16: Trajectory (EUA, 2016)
Direção: Glen Winter
Roteiro: Lilah Vandenburgh, Lauren Certo
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Teddy Sears, Violett Beane, Tone Bell, Allison Paige
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.