Crítica | The Flash 2X18: Versus Zoom

estrelas 3

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Depois de uma segunda pausa ao longo da temporada — não canso de dizer: desnecessariamente longa — e após um bom episódio 17, Flash Back, voltamos com um capítulo também bom, embora não tanto quanto o anterior, e que enfim nos entrega a esperada luta “de igual para igual” entre um agora verdadeiramente rápido Flash e o vil Zoom.

Versus Zoom traz uma rápida história de origem para o vilão e relembra o espectador da dinâmica dos sósias entre as Terras, reafirmando também o trânsito entre um universo e outro e, apesar de deixar algumas coisas sem sentido em todo esse processo, cumprindo ao menos o objetivo central do enredo, que era revelar Zoom e fazer com que o #teamflash o enfrentasse, mesmo sem vitória imediata, porque aí já seria demais, até para o padrão CW.

Com um tratamento melhor dado a cada um dos personagens em cena — e vejam, isto não significa que todos receberam bons momentos ou estão plenamente acetáveis, mas definitivamente estão melhores que 98% das vezes antes de Flash Back — e um roteiro que minimiza o fator-filler, fica fácil para o espectador aproveitar melhor a trama e torcer ou sentir raiva por algum personagem, enfim, envolver-se com o que é mostrado, um tipo de engajamento emotivo que quase nunca tivemos nesta segunda temporada dado o grande número de repetições de fórmulas, vilões da semana e romances que apagavam as narrativas principais. Em Versus Zoom, nenhum desses é o verdadeiro caso. Mas existem outros problemas.

Há muito que as informações sobre Zoom deixaram de ser uma “grande coisa”. O serviço de “estragar personagens” da CW fez o favor que destruir o potencial da surpresa e todo o poder dramático que o vilão teria se fosse bem construído. O que sobrou foi jogar com o restante de respeito que o público tem em relação ao nome Jay Garrick, então atribuído à figura que hoje conhecemos como Hunter Zolomon, estratégia que livrou Versus Zoom de um “triste fim”.

É verdade que não há muitos pontos sólidos nesse âmbito ao longo do episódio, pois Zoom está em cena, mas outras tentativas e mini-dramas pré-desenvolvidos desde a metade da temporada acabam aparecendo e minando um pouco de tempo e possibilidade de desenvolvimento dos problemas centrais. Vibro tentando achar a vibração certa, Barry tentando correr mais rápido (de novo), Joe e Wally se acertando e Wells novamente reafirmando o que nós já sabemos há muito; tudo em um mesmo episódio, em estágios importantes de sua progressão e justamente com essa revelação sobre Zoom certamente não foi um caminho aplaudível em termos de coerência narrativa. Concordo que os roteiristas tentaram ao máximo diminuir o peso disso na história, mas foram apenas parcialmente vitoriosos.

O que achei curioso aqui foi o destaque de alguns setores técnicos que normalmente são apagados nos episódios da série ou por incompetência da direção ou porque o roteiro é tão ruim que nada, por mais interessante que seja, chama a atenção do espectador. Aqui, mais do que um bom funcionamento individual, determinados setores estiveram muito bem relacionados ao escopo maior do capítulo e, dentre eles, destacamos a trilha sonora, que além de bela trouxe uma medida certa de tensão, drama e um pouco de horror para a atmosfera de caça e ameaça nesta luta. Também é essencial darmos a devida importância à direção e fotografia, assinada por Stewart Whelan, que foi o fotógrafo do episódio piloto da série. Sua composição de luz e trabalho orgânico com as cores do cenário ajudaram a montar o clima de impetuosidade juntamente com a música. Guiados pela direção de Stefan Pleszczynski, esses setores conseguiram um ambiente visual e sonoro muito propícios para a história que nos leva à reta final da temporada. E isso é passível de ser citado aqui porque não se trata de uma prática constante no programa.

Mesmo com seus momentos de melodrama (temos até uma conversa sobre destino, vejam só!) e pequenos desvios do tema principal, Versus Zoom trouxe algo de bom, terminando com um bom resultado, se somarmos as suas partes. Dois desses episódios seguidos em The Flash… o mundo realmente está de cabeça para baixo.

§ O que foi aquela “aliança” que fizeram com o Zoom? O moço ficou, de boas, vendo Barry correr e encher o pote de Força de Aceleração e… Ninguém teve uma brilhante ideia? Sério mesmo?

§ Por favor, me digam que o próximo episódio não vai se centrar em um fail romance envolvendo Zoom e Caitlin Snow.

The Flash 2X18: Versus Zoom (EUA, 2016)
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Joe Peracchio, David Kob
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Teddy Sears, Tatyana Forrest, Shaine Jones, Octavian Kaul
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.