Crítica | The Flash 2X20: Rupture

estrelas 2

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

É chegado o tempo em que nós, espectadores de The Flash, temos de nos esforçar tremendamente para conseguir, sozinhos ou em fóruns e comentários de críticas na internet, encontrar um verdadeiro sentido para o que a série nos apresenta, semana a semana.

Desta vez, abandonando o “Homem da Máscara de Ferro” e com uma elipse mais abrupta que o próprio Zoom, temos o velocista maligno com Caitlin Snow em nossa Terra, presa na delegacia de polícia, que é prontamente esvaziada para servir de novo covil ao homem mais rápido do mundo, que não é Barry Allen. Ao mesmo tempo, vemos um Barry sem poderes andar por um ciclo sem sentido de dúvidas até chegar a um ponto que sabíamos que ele ia chegar e, claro o cliffhanger, que apesar de toda a obviedade embutida, foi bem realizado e teve bom impacto como final, deixando o #teamflash acreditando que Harry o havia matado e, para nós, a dúvida se Barry trará o verdadeiro Jay da Terra-2 (ele foi para lá, certo? Ou foi para Gorilla City?).

O roteiro de Lauren Certo é um misto de possibilidades interessantes com espaços desperdiçados entregues a coisas que não deveriam estar lá. Nós sabemos que Rupture é importante para o andamento final da temporada — ao que parece será a grande batalha contra Zoom mesmo — e que em um episódio assim, o máximo de informações que o roteiro e a direção puderem nos mostrar e nos fazer ouvir, será bem vindo. Quanto mais material, melhor. No entanto, o que temos? Temos Iris se declarando para Barry no único momento da temporada que isso é tão impróprio que chega a ser uma afronta. Sem contar que o espectador se pergunta sobre o romance da garota com o editor do jornal e… bem, o fato de Iris trabalhar em um jornal, porque ela está o tempo inteiro no Star Labs. Será que é um domingo?

Por um breve momento eu entendi e comprei a proposta do roteiro em nos apresentar um drama emotivo sobre escolhas de vida e pessoas que são afetadas para sempre por essas escolhas. Essa reflexão não é nova na série e tampouco na temporada. Na verdade, ela tem aparecido a cada dupla de episódios, posto que Barry está o tempo inteiro diante de problemas e decisões que o empurram para caminhos de ordem moral. Todavia, não é apenas o bom lado dessa decisão que presenciamos nesses pequenos solilóquios do ex-velocista. Com ele, temos a exploração de um lado pessoal do personagem que teve tempo demais para ser abordado na temporada (estamos no 20º episódio, pelo amor de Mercúrio!) e que só agora ganhou destaque. A reação do espectador a isso é exatamente a mesma de Barry: não há emoção alguma e, se em algum tempo alguém comprou, como eu, a ideia inicial do roteiro, não demorou muito para rejeitá-la quase que por completo.

A mal explicada saída de cena de Henry Allen tem um “fim” aqui com o retorno do personagem à cidade, mais um dos apoios morais que Barry busca para fazê-lo enfrentar Zoom, uma decisão pouco óbvia para um rapaz normal que sabe o perigo que está enfrentando e que deveria escolher afastar qualquer ente querido que não pudesse ajudar na captura do monstro. Henry, por exemplo, não ajuda em nada. Nem como pai. O espectador já assumiu Joe como titular desse papel, apenas os produtores não perceberam. Agora é tarde para fazer Henry valer a pena.

A confusão segue com a problemática das motivações, algo que não só o texto mas a direção, aqui assinada por Armen V. Kevorkian, ignora por completo. Em momentos de crise, pessoas agem de forma estranha, certo? Pensem que seria bem mais interessante atribuir a cada personagem uma ação ligada a esta crise e que mesmo dentro de um mote emocional, tivesse a ver com a linha narrativa do capítulo e dessa reta final. Ao invés de Iris se declarando, o papel dela como personagem útil para algo no episódio cairia bem melhor, não acham? E isso vale para qualquer outro personagem escanteado ou mal inserido no capítulo, que sofre todas as feridas de um ano de show que pensou ser divertido nos enfiar novos personagens goela abaixo e, em dado momento, teve tanta gente para colocar em cena que não houve tempo ou drama para fazer algo bom para cada um. Oh, que inteligência de produção, não é mesmo?

Mas tirando toda a “chuva no molhado” e aquela tenebrosa hesitação de Barry para entrar no reator, quando todos sabíamos que ele faria isso, Rupture tem um núcleo realmente bom, que é a tomada de poder de Zoom. Percebam que todas as minhas reclamações em relação a coerência aqui ganham sentido quando pegamos algo que realmente vale a pena no episódio e imaginamos como isso seria se tivesse sido melhor explorado ao invés de dramas amorosos de utilidade nula. Ou da inserção completamente descabida de mais um vilão da semana sobre o qual nem vale a pena comentar.

A falta de critério para The Flash tem se mostrado bastante clara neste final. A série se faz clichê e estúpida em alguns momentos quase de propósito. Episódios para fazer pensar, como Flash Back, não constituem interesse dos produtores por um motivo compreensível, mas indesculpável: o público-alvo. Talvez como uma forma de reverter essa impressão, a série tem se cercado de de finais mais ou menos épicos; de comédia fora de hora; de laços emotivos à parte o drama em andamento (porém, embora inteiramente inútil, devo admitir que a reconciliação de Cisco com Dante, com direito a um bonito abraço no final foi… tocante) e de fan service sem sentido, com o máximo de citação ou inclusão vazia de personagens dos quadrinhos todo santo episódio.

Segurando-se por pouco, Rupture conta a origem de Kid Flash e Jesse Quick, além de lançar uma cidade atormentada por um vilão, neste momento impossível de se deter. Além disso, dá as primeiras cartas para Barry lutar, ao que parece, de igual para igual, com Zoom. Tudo indica que os próximos episódios serão de descobertas e preparação para a maior batalha do ano. O único consolo disso tudo é que pior do que está, não deve ficar.

The Flash 2X20: Rupture (EUA, 2016)
Direção: Armen V. Kevorkian
Roteiro: Lauren Certo
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Teddy Sears, Violett Beane, Nicholas Gonzalez, Patrick Sabongui, John Wesley Shipp
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.