Crítica | The Flash 2X22: Invincible

estrelas 3

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Invincible é o tipo de episódio de uma série que transita entre o medíocre e o ruim (mas que tinha tudo para ser boa) que mesmo repetindo fórmulas e erros de sua linha questionável de produção, consegue se sair bem, quase que por acidente.

Dirigido por Jesse Warn, este penúltimo degrau até o finale da 2ª Temporada de The Flash trouxe uma série de pequenas boas surpresas que conseguiram se sobrepor à bipolaridade emotiva que marca o capítulo do início ao fim. Claro que isto ainda se expõe como uma mancha em Invincible, mas na maior parte do tempo estive feliz porque as decisões pouco inteligentes tão constantes na série foram colocadas de lado e o drama aqui acabou funcionando, a ponto de tornar brilhar a luz da curiosidade para o que Barry fará a seguir, depois da morte de seu pai.

Em primeiro lugar, foi bastante propícia a morte de Henry Allen e devo dizer que pela primeira vez, desde a dupla de episódios na Terra-2, um elemento emotivo não era colocado na série de forma tão coerente e aceitável. A preparação, mesmo nos fazendo revirar os olhos em alguns momentos, serviu como ingrediente para a catarse e tudo se tornou ainda mais emblemático porque veio em um momento interessante, um real bom momento da temporada, onde os personagens estavam reunidos para um jantar. A cena serviu de desfecho para o mote central trabalhado aqui e foi muito bem dirigida, belamente fotografada e com bom uso da trilha sonora. Talvez o evento final tenha tido uma importância tão grande justamente pela delicadeza com que a cena foi concebida e porque serviu de ponto de partida para um merecido momento caloroso em todo o vale sombrio (em vários sentidos) que este final de temporada nos trouxe.

Quanto à bipolaridade de comportamento que citei antes, vemos isso na abordagem dada para Barry, convencido demais após o encontro com a Força de Aceleração e que depois muda completamente para alguém atencioso e então levemente preocupado, e então apaixonado. Não faz muito sentido e chega a atrapalhar o atual momento do personagem, mas se fosse só ele, seria menos pior. Iris, Wally, Cisco e Caitlin também recebem tratamentos bipolares, o que não ajuda em nada a relação do espectador com os personagens, especialmente com Caitlin, cuja expressão de “pessoa em estado de choque” é na verdade a cara de “alguém com uma tremenda ressaca”. No que diz respeito à direção de atores, Jesse Warn erra feio, erra rude, talvez por não ter um roteiro muito bem orquestrado para trabalhar. Mas quando se trata de ritmo e narração de ação do episódio, a história é outra.

É possível contar nos dedos o número de capítulos que tiveram uma direção ágil e que lograram bom desempenho em diferentes atmosferas ao longo da série. Aqui em Invincible, as cenas mais fracas normalmente são afluentes de e para sequências com algum tipo de interesse para o púbico, o que as torna suportáveis e não totalmente descartáveis. Outro ponto é a forma como o roteiro fez a união entre as cenas para que buracos não precisem ser preenchidos com romances descabidos, diálogos ininteligíveis e caça cega ao vilão da semana, todas essas, recorrências mortais na série ao longo de toda a 2ª Temporada. As indicações românticas entre Henry Allen e Christina McGee, o grande “aleluia!” de Barry para Iris e o charminho entre Jesse e Wally são aceitáveis dentro do possível porque não tiraram espaço de coisas mais importantes, eles são eventos simultâneos a outras coisas. E esta mesma visão, por incrível que pareça, vale para a vilã da semana.

Como vocês sabem, eu sou o primeiro a condenar o eterno retorno de vilões ou traminhas viciadas para qualquer tipo de série, primeiro porque é um desrespeito para com o público e depois porque é chato e patético. A maior vergonha desse tipo de retorno é que eles são forçados dentro dos episódios e tudo gira em torno de uma luta isolada que não dá profundidade e perspectiva alguma para a temporada, fazendo-nos perder tempo, daí o desrespeito que eu citei no início e o patetismo em relação ao formato. Todavia, em Invincible, a Sirene Negra não é um fim em si, mas um meio para que o episódio se desenvolvesse. As atitudes dela são, a meu ver, mais suportáveis, porque desencadeiam coisas duradouras e importantes para o andamento do episódio, o que foi uma grata surpresa de se ver.

Agora fica a dúvida sobre o comportamento de Barry em relação a Zoom — esse tipo de teste à la Piada Mortal não é novidade nenhuma, mas admito que serviu, com parcial sucesso, ao seu objetivo –, sobre a reação sequencial de Wally ao descobrir quem é o Barry e sobre o uso (ou não) dos novos velocistas no último episódio da temporada, com a pergunta de um milhão de dólares: como Zoom será detido? Estou torcendo para que seja ao menos um final mediano. Porque de ruim bastaram 82% da temporada.

The Flash 2X22: Invincible (EUA, 2016)
Direção: Jesse Warn
Roteiro: Brooke Roberts, David Kob
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Katie Cassidy, Teddy Sears, Violett Beane, Amanda Pays, Patrick Sabongui, John Wesley Shipp
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.