Crítica | The Flash 3X01: Flashpoint

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estrelas 3

spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Precisava de um vilão da semana para depor contra este início de 3ª Temporada, não é mesmo? Mas a esta altura do campeonato, é algo que temos que aceitar. Esta é uma das fraquezas de The Flash. Busquemos o que há de novo.

Depois da fraquíssima — e na reta final, narrativamente estúpida — 2ª Temporada, é importante que deixemos de lado o caminho trilhado pelo velocista escarlate e tomemos como aceitável a ideia dele de salvar a mãe da morte, gerando o Ponto de Ignição, saga dos quadrinhos que será adaptada nesta temporada. Isso posto, vamos nos centrar apenas no atual momento da série, já que o “cânone” antes estabelecido foi inutilizado em The Race of His Life. Este é um bizarro caso de série fora do modelo “um drama por temporada” que, a rigor, zera a contagem e recomeça o drama. Coisas que só a CW consegue fazer. E não, isto não é um elogio.

Escrito por Brooke Roberts, Greg Berlanti e Andrew Kreisberg, e dirigido por alguém já carimbado na série, Jesse Warn, Flashpoint começa bem este terceiro ano. Não é nada genial ou grandiosamente aplaudível, mas com certeza é um bom episódio, com um quase-equilíbrio entre o humor e a tragédia, tendo todo o elenco — mesmo com a canastrice de Todd Lasance, como O Rival — uma boa presença em cena. Grant Gustin continua se esforçando no papel… muito mais do que nos anos anteriores, talvez para não fazer feio frente ao concorrente dos cinemas, Ezra Miller, que está anos-luz à frente do colega da série. Gustin deixou muito da afetação sugerida pelo roteiro e entregou um Flash mais realista, reagindo com verossimilhança a todos os momentos desse trimestre de felicidade ao lado dos pais vivos. Ele foi a melhor mudança para melhor que a série trouxe nessa estreia.

O que mais agrada no episódio aqui é o tom progressivamente denso do roteiro e o caráter sóbrio da direção que, mesmo não se destacando por grandes feitos, tem o mérito de não estragar nada. Todas as cenas possuem um bom elemento visual em tela, ajudados pela direção de fotografia (destaque para as cenas na empresa de Cisco e para a cena final, na casa de Joe) e pela montagem. O lugar da prisão de Eobard Thawne também chama a atenção na foto e na direção de arte — perceba que não precisa ser nada barroco. Um lugar simples pode ter um ótimo impacto para o espectador, se bem utilizado — dando sentido ao espaço abandonado e seu prisioneiro de fora do tempo, algo clássico para um vilão do porte do Flash Reverso.

Se o roteiro não consegue se livrar do vilão da semana ou de algumas incursões açucaradas demais para um início de temporada, há que se elogiar a boa linha de contexto que o marca. Tudo bem que o enredo é um pouco jogado no começo, mas é melhor isso às típicas confusões observadas  no miolo da temporada passada. Pelo menos o princípio do Ponto de Ignição foi estabelecido, a “salvação” das memórias após a primeira linha foram feitas, e o resultado dela, o equivalente aos Novos 52 nos quadrinhos, se fez ver, na sequência final. A linha alternativa depois do estrago. Na perfeito, mas tudo coerente. Até a ideia geral de mudança trazida pela adaptação me pareceu interessante. O lamento vem quando sabemos se tratar de uma temporada com 23 episódios. Imaginem o tanto de filler paradoxal que ainda não está por vir!

Como fã de distopias, realidades alternativas e viagens no tempo, posso dizer que apesar da receita CW, esse começo de temporada foi divertido. Nem Candice Patton e seu olhar de peixe morto foi capaz de irritar. Keiynan Lonsdale nos mostrou um outro lado, pelo menos na linha do tempo de Nora Allen viva. Seu Kid Flash é inconsequente, mas tem vigor. Curioso é ver que o Wally West da linha do tempo alternativa é muito melhor do que o Wally da “linha do tempo normal” ou seja lá como se chama a linha do tempo válida na série a partir de agora.

The Flash voltou bem. Não sei o quanto de animação é possível ter e sustentar com essa estreia, pois temos duas temporadas anteriores que nos ensinam a não exagerar nada nas expectativas. De minha parte, posso afirmar que se este ano inteiro mantiver o tom de Flashpoint, a série já terá a sua melhor temporada. Uma baita melhora em comparação ao que já tivemos que assistir…

The Flash 3X01: Flashpoint (EUA, 4 de outubro de 2016)
Direção: Jesse Warn
Roteiro: Brooke Roberts, Greg Berlanti, Andrew Kreisberg
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Jesse L. Martin, Matt Letscher, Alex Désert, Michelle Harrison, Todd Lasance, John Wesley Shipp, 
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.