Crítica | The Flash 3X02: Paradox

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estrelas 2,5

spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Atenção, pelotão do drama! Sentido! Você trouxe o seu vilão da semana, soldado? Sim, senhor! Trouxe discurso motivacional para impulsionar Barry Allen, soldado? Sim, senhor! O vilão da semana é mais rápido que o Flash, soldado? Sim, senhor! Você se esqueceu do didatismo desnecessário e da explicação, pela segunda e terceira vez, sobre o que está acontecendo no pelotão do drama, soldado? Não, senhor, está tudo bem explicadinho, pelo menos três vezes! E as participações especiais desnecessárias, soldado? Realizadas com sucesso, senhor, ambas com discursos motivacionais! Muito bem, solados! Pelotão dispensado!

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Eu poderia ter colocado um “Fim” no final do parágrafo anterior, terminado tranquilamente a crítica e então teríamos dito tudo sobre Paradox, forte candidato a um dos episódios mais didáticos e chatos desta 3ª Temporada de The Flash, que mal começou e já desconsideramos pacas. Em seu segundo episódio, este terceiro ano de The Flash apresenta Julian Albert, o personagem de Draco Malfoy Tom Felton, e Doutor Alquimia (voz de Tobin Bell, da franquia Jogos Mortais), um vilão menor, embora bastante poderoso, surgido no início da Era de Prata.

Sem um bom cliffhanger do episódio anterior para este, coube aos roteiristas adotar um início lento e mastigado, como se duvidassem que os espectadores da série iriam compreender que o Flash, como sempre, nesta série, estragou tudo. É fácil apreciar a ironia e a comicidade desse momento, assim como a tentativa de Barry em reunir Joe e Iris em um jantar e as interações dele com Julian, mesmo que isso fique um pouco tenso e não tão engraçado na última cena que dividem. Felton está ótimo no papel, por sinal, e sua interação com Gustin é cativante, independente do tom da conversa, basta comparar os diálogos diálogos entre eles.

Para entusiastas de sci-fi com viagem no tempo, sempre sobra alguma fagulha de esperança para ver todos os subprodutos dessa viagem (como efeito borboleta, construção de linha temporal alternativa ou consequências dos paradoxos) sendo representados em alguma mídia. E por quê? Primeiro, porque esses temas são um ótimo exercício mental, entre especulação e análise, eventualmente com forte peso ético ou moral; segundo, porque tira personagens que já conhecemos de sua zona de conforto; e terceiro, porque aceitam as limitações desse novo momento e procuram jogar o jogo desta realidade, não tentar fazer dela o espaço de execução de um outro molde, como o roteiro de Paradox faz (e é uma heresia esse título pra um episódio com esse nível de mediocridade).

Com tanta coisa interessante para mudar, resolveram matar Dante, um personagem importante e com o qual todos nos importávamos, não é mesmo? Muito interessante a coragem dos produtores em fazer essa mudança essencial para a série. Só que não. E mesmo que alguém queira defender a mudança como princípio para o conflito de Cisco versus Barry, provavelmente deixou escapar o fato de que o conflito durou o quê… vinte minutos? Realmente revolucionário, não é mesmo? Um princípio idêntico serve para a briga de Joe e Iris, algo que consegue ficar pior do que já tinha sido anunciado na estreia da temporada. Pelo menos ali havia a dúvida pelo quê teria feito os dois pararem de se falar. No final as contas, foi apenas um capricho da produção da série para evocar um dramalhão do tipo “conflito de gerações” ou confiança.

A direção de Ralph Hemecker é eficiente no bloco Julian-Barry, mas falha em conseguir bons desempenhos do restante da equipe ou em abordar cenas com mais intensidade, quando necessário.

Carlos Valdes está completamente desconfortável interpretando um Cisco de luto, tanto que fica difícil saber se ele está atuando mal ou com raiva do roteiro que recebeu, fazendo tudo no automático. Danielle Panabaker é um tipo de vaso de luxo tamanho em uma estante de uma sala gigantesca. E no final, ora, ora, os poderes de Nevasca parece que estão vindo à tona. Com Cisco de Vibe e logo logo Wally recebendo poderes (se é que ele já não os tenha, não dá pra saber direito), que fantástico não vai ficar uma equipe de super poderosos contra o crime! A série não será apenas de um Flash lento, mas também de um Flash sem importância. Ou consertam logo isso, ou esta 3ª Temporada será muito difícil de se assistir, com uma porção de heróis novos, os clássicos vilões da semana, melodramas sem sentido e a mais completa falta de foco.

Em algum momento disseram que esta temporada seria a adaptação de Ponto de Ignição. Talvez lá pelo 20º episódio resolvam fazer algo que honre os quadrinhos. Até lá, resta a pergunta de todo espectador desse circo, com direito ao beijo mais sem graça de toda a história de Central City: o que fizemos para merecer isso?

The Flash 3X02: Paradox (EUA, 11 de outubro de 2016)
Direção: Ralph Hemecker
Roteiro: Aaron Helbing, Todd Helbing
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Jesse L. Martin, Tom Felton, Emily Bett Rickards, Todd Lasance, John Wesley Shipp, David Forts 
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.