Crítica | The Flash 3X05 e 6: Monster / Shade

the-flash-shade-plano-critico

estrelas 3,5

spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Depois de 4 episódios iniciais nada animadores — exceção, por pouco, feita à estreia –, a 3ª Temporada de The Flash surpreende com dois capítulos que quase nos fizeram esquecer que estamos vendo uma série da CW e, mais importante e melhor de tudo, que estamos vendo uma temporada-reboot de um show ancorado em vilões da semana, discursos motivacionais e floreios românticos que nada têm a ver com o tema principal da série: ficção científica com mescla de fantasia. Monster é um bom episódio, sem recorrer a nada para conseguir essa marca. Shade é um episódio muito bom, a primeira vez desde a boa fase da 1ª Temporada que temos algo realmente promissor nessa série.

Vejam como a situação muda quando há um bom roteiro: a despeito da atuação fraca de Keiynan Lonsdale (Kid Flash será um herói chato de doer!) e dos efeitos vergonhosos para o holograma de Monster e da figuração do Penumbra, o espectador não se irrita com o episódio e nem chega a se incomodar de verdade com essas coisas porque elas são afogadas pela grande quantidade de bons elementos em ambos os episódios, onde até mesmo o “vilão da semana” passa a ter um outro significado narrativo e é bem localizado, servindo de impulso para coisas que fazem a série andar e aprofundar-se nas características dos personagens. É o mínimo que se espera. E temos bem mais do que isso.

Em Monster, a diferença já é gritante em relação a qualquer um dos quatro episódios anteriores. O enredo é sólido, foca-se exclusivamente em fortalecer os laços de amizade e familiares, mas não da forma “Meu Querido Diário“. Esses laços servem para a criação de um ponto de fuga no texto, convergindo para o STAR Labs e daí para a suspeita sobre HR (Tom Cavanagh novamente em atuação mitológica, e numa química excelente com Carlos Valdes! Podem cancelar The Flash e fazer um spin-off só de Cisco e HR viajando por cada uma das 52 Terras do Multiverso!), o desenvolvimento do poder de Caitlin e o retorno de citações ao Alquimia, o [suposto] vilão da temporada abandonado logo depois da premiere.

Em Shade, o diretor J.J. Makaro consegue fazer um verdadeiro milagre. Confesso para vocês que eu fiquei genuinamente impressionado com a qualidade desse episódio, e isso vale para todos os setores, da dramaturgia (mesmo os maus atores não estão ruins em cena) à montagem, que funciona muitíssimo bem, em aproximação com a dinâmica dos videogames na reta final, no encontro com Alquimia, sequência em que ainda podemos parabenizar a direção de fotografia e o próprio diretor J.J. Makaro por aproveitar, da melhor maneira possível, aquele espaço e nele introduzir um power Savitar, que eu mal vi, mas já considero pacas, a não ser que comece a fazer bobagens nos próximos episódios.

Savitar foi criado em 1995 por Mark Waid e Oscar Jimenez e era inimigo de Wally West, não do Barry, que estava morto desde os eventos da Crise nas Infinitas Terras. Se o nível dos roteiros continuarem da forma como foi nesses dois episódios (eu acho difícil, mas adoraria estar errado sobre isso), vai ser interessante ver o vilão ganhar força nesse novo cenário.

De alguma forma, já começo a ver um padrão coerente no enredo da 3ª Temporada. O “culto” liderado por Alquimia faz sentido quando colocamos Savitar em cena, pois ele se auto-proclama deus da velocidade e realmente segue por esse caminho da adoração nos quadrinhos. Por outro lado, fazer Alquimia ser apenas um peão de luxo não me agrada, e aí temos um paradoxo quanto a qualidade e coerência desse enredo, porque nos quadrinhos, Savitar não tem exatamente a mesma megalomania que Alquimia ou outros vilões B, C e D da galeria do Flash. Ao mesmo tempo que me preocupa, fico imaginando se a CW poderia fazer surgir algo bom daí. Potencial tem de sobra. Aliás, o Flash e seu Universo possuem potencial gigantesco. Esta série é que não tem conseguido aproveitá-lo.

Depois de tudo o que sofremos pela má qualidade dos roteiros deste terceiro ano show, é bom termos um suspiro de coisas boas para variar. Eu ainda não gosto da ideia de Wally ganhar os poderes de Alquimia, mas a coisa não aconteceu da forma péssima como foi com o Rival e Magenta, então não dá para reclamar. Parece que uma guerra está se armando. Que entre a Nevasca, a seguir!

The Flash 3X05 e 6: Monster / Shade (EUA, 2016)
Direção: C. Kim Miles / J.J. Makaro
Roteiro: Zack Stentz / Emily Silver, David Kob
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Jesse L. Martin, Tom Felton, Tom Cavanagh, Patrick Sabongui, Susan Walters, Danielle Nicolet, Mike McLeod
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.