Crítica | The Flash – 3X07: Killer Frost

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estrelas 2,5

spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Voltando à mediocridade habitual, depois de dois episódios surpreendentemente bons, The Flash enfim dá as cartas de revelação para personagens icônicos da série, dois regulares e um que apareceu nesse terceiro ano.

A bela borboleta Kid Chatus saiu do casulo, chegou no bonde e já quis ter o posto de motorista-chefe, perguntando quando poderia “sair por aí” sendo chato em velocidade máxima. Caitlin Snow entrou no caminho sem volta para uma versão adulta das meninas de A Cidade dos Amaldiçoados, e virou Nevasca. Julian, uma das falsianes da temporada, se revelou o Dr. Alquimia — cena total e completamente anticlimática, um problema de direção sobre o qual voltarei a falar adiante –, o Sacerdote Máximo do Culto ao Decepticon mais rápido da mitologia hindu. Barry teve o seu discurso motivacional da vez; Cisco encarnou um Drama Queen retardatário e, acreditem, os roteiristas conseguiram transformar o personagem de Tom Cavanagh em um cara chato (eles conseguiram essa proeza!).

Depois de uma sólida adequação de personagens e situações em ShadeKiller Frost deveria ser um episódio rápido nas revelações e que melhor trabalhasse a situação para o crossover que virá em breve. Por um lado, devo admitir que prefiro a mediocridade desse episódio do que aberrações como as que tivemos no enredo de Magenta, porque mesmo que estejam permeadas por bobagens sentimentais e muito diálogo inútil, ao menos algo sólido para o cânone da série foi feito em Killer Frost. Aliás, não só uma coisa, mas pelo menos três, todas ligadas aos personagens, um vilão e dois heróis (estou assumindo que depois daquela TEMPESTADE DE MIMIMI que o Barry lançou sobre Caitlin, ela agora saiba controlar o seu lado congelantemente matador).

Sim, o verdadeiro problema do roteiro, aqui, está no valor passional e incoerente com tudo o que se apresenta para ser trabalhado. Pensem um pouco: quantas vezes a série já não martelou o fato de que valores morais e proximidade familiar e fraterna são importantes? Quantos chavões de união não foram expostos desde a 1ª Temporada? Era de se esperar que a produção confiasse em seus próprios clichês e não precisasse chover no molhado, com cenas que só têm esta descartável função: mostrar que dentro das pessoas vive o mal e o bem, e que o bem, se o indivíduo quiser ou tiver o impulso certo, pode vencer. Sim. É tão clichê quanto a direção travada de Kevin Smith.

No outro episódio que dirigiu para a série, aquela coisa patética chamada The Runaway Dinosaur, Smith já dava indícios de que a televisão não é exatamente o lugar onde ele se sente à vontade para guiar alguma coisa. Me dói o nervo-nerdístico falar mal do diretor e roteirista de obras como O Balconista (1994), Procura-se Amy (1997) e, segundo A Usurpadora (vulgo Guilherme Coral, o nosso editor-assistente que vive roubando minhas séries), Yoga Hosers (2016), mas não dá para contornar. Vejam a forma sem graça com que ele guia a câmera dentro do StarLabs; como não existe imaginação em registrar o embate entre Nevasca e Vibro (esta cena só é parcialmente salva pela montagem, aliás, quase todas as cenas de movimentação); e como ele parece ter gastado toda a criatividade e direção nas embaixadinhas de Savitar com o graveto-tremedor chamado Flash.

Às vésperas de um episódio importantíssimo para a temporada, tivemos mais uma lição de amor e entendimento do que a preparação de um caminho onde supostamente algo épico deverá acontecer. Não é de se espantar que isso venha da série, claro. Mas é decepcionante, depois de Monster e Shade. E aí, estão animados para o crossover?

The Flash 3X07: Killer Frost (EUA, 22 de novembro de 2016)
Direção: Kevin Smith
Roteiro: Andrew Kreisberg, Brooke Roberts, Judalina Neira
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Jesse L. Martin, Tom Felton, Tom Cavanagh, Greg Grunberg, Lisa MacFadden, Blair Penner, Taylor St. Pierre, Andre Tricoteux
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.