Crítica | The Flash – 3X15: The Wrath of Savitar


spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Após uma mini-saga em duas partes que deixou os que esperavam por um embate épico entre o Flash e os supergorilas propensos a procurar nas HQs (porque na televisão vai ser difícil, pelo jeito), o episódio desta semana propõe voltar à trama principal da temporada: a entediante incessante caçada à Savitar para evitar o futuro no qual Iris (Candice Patton) é morta pelo auto-intitulado Deus da Velocidade. Infelizmente, os produtores da série permanecem insistindo nos mesmos erros e The Wrath of Savitar não apenas falha em entregar o que o título promete (nos apresentar finalmente a figura de Savitar e o motivo de sua ira e, quem sabe com isso, começar a encaminhar melhor a bagunça que se tornou a trama da série) mas entrega uma dose excessiva de tudo aquilo que a série tem de pior a oferecer.

O episódio começa relativamente bem, com Barry (Grant Gustin) e Jesse (Violett Beane) ajudando no treinamento de Wally (Keiynan Lonsdale) para que ele seja capaz de salvar a vida de Iris. Se por um lado trata-se de uma sequência divertida e descontraída, do tipo que o show tem precisado, por outro lado é difícil ignorar o fato de que a ideia de que apenas Wally possa salvar Iris soa bastante forçada, para não dizer sem sentido. O episódio termina com Wally inadvertidamente ajudando Savitar a escapar da Força de Aceleração, realizando com sucesso o plano do vilão, que se usa do aprendiz de herói trocando de lugar com ele e adquirindo finalmente sua liberdade. Segue-se um rápido combate contra o Flash, que como sempre chega um pouquinho atrasado, rendendo uma boa sequência de luta onde o herói sai derrotado. Entre esses dois acontecimentos temos aproximadamente trinta minutos do que é praticamente uma auto-paródia da série.

Começando pelo menos pior, temos a subtrama das aluncinações de Wally, que é o que mais se assemelha a algo interessante, sendo que o personagem acaba protagonizando boas cenas, em especial no inesperado “encontro” com sua mãe. Infelizmente, ao invés de explorar a condição do Kid Flash de alguma forma minimamente instigante, a rota escolhida pelos roteiristas é inseri-la na já bem conhecida fórmula mágica do drama barato: Wally guardou segredo a respeito de suas alucinações, Barry se enfurece com isso, todos se comovem e pessoas vão para cantinhos do S.T.A.R. Labs cochichar sobre o caso. Depois de um tempo, as partes envolvidas conversam emocionadas, e a vida segue. De novo.

Ocorre uma rápida busca pela caixa da Pedra Filosofal, na qual descobrimos que nesse período todo não passou pelas cabeças do Team Flash investigar o culto que idolatra (com uma estátua enorme no meio do parque e tudo!) o ser que eles dizem estar procurando impedir. Vejam bem, Barry Allen cogitou matar um inimigo e Cisco (Carlos Valdes) cogitou morrer para mudar este evento futuro, mas ninguém cogitou uma investida contra o culto a Savitar, mesmo contando com três velocistas, dois supergênios e um Joe (Jesse L. Martin) que costuma ter a SWAT ao alcance de um toque na tela do celular.

Depois de recuperada a caixa vazia, descobrimos que Caitlin (Danielle Panabaker) também tinha um segredo terrível: ela havia guardado um fragmento da Pedra Filosofal, na esperança de curar seus poderes. Com Barry tendo trazido já há um bom tempo as más notícias do futuro, e levando em conta que eles erroneamente pensavam que o fato de a Pedra estar na terra era o que “ancorava” as manifestações do vilão, digo que não faz sentido a inteligentíssima Caitlin não ter mencionado o fragmento até então. Os personagens entretanto parecem tão dessensibilizados com esses dramas de segredos, que já não fazem muito alarde, aparentemente colocando o vexame na conta de Killer Frost.

Mas é evidente que dois mal-entendidos longos e arrastados em torno de segredos são muito pouco para um episódio chamado The Wrath of Savitar. Ninguém quer ver o Team Flash investigando sobre o oponente ou desenvolvendo formas de enfrentar a ameaça de Savitar. Queremos ver cara feia, beicinho e choradeira! Entra aqui a pior subtrama do episódio, que é a de Iris “descobrindo” que Barry a pediu em casamento tendo em vista mudar o futuro e salvar sua vida. Desde o modo como o drama se arma, com Wally agindo como um menino mimado buscando se vingar da dura que levou mais cedo do irmão/cunhado, até as cenas de Iris num surto de incompreensão que faz parecer que a personagem dela voltou no tempo, a coisa toda simplesmente não convence. Ambos personagens parecem reduzidos às suas formas mais imaturas e, por conseguinte, irritantes. A dinâmica do casal já se apresenta com cansaço em tão pouco tempo juntos e o episódio acaba com Barry chorando em uma maca e Iris sem o anel de noivado, exatamente um episódio após o pedido de casamento. Todo companheirismo dos dois desabando mediante a revelação do motivo “secreto” por trás do pedido em casamento de Barry, em tons dignos de novela mexicana. Seria risível, se não simbolizasse o quanto a série perdeu o foco e se tornou quase que uma auto-sátira de seus piores momentos na já tão longínqua primeira temporada, onde as coisas definitivamente funcionavam melhor.

Se as aventuras com os gorilas se reduziram a boas premissas mal-executadas, The Wrath of Savitar parece uma premissa sem graça executada de forma a alongar as partes mais maçantes e forçadas e abreviar os tímidos momentos em que a trama avança e em que transparece algum sentido de diversão. Não apenas a série exagera na dose do drama fora de hora e de lugar, mas a forma de execução, o timing e a frequência com que o faz beira o impossível. Mesmo após a boa cena com Julian (Tom Felton) “encarnando” novamente o vilão (que acaba sendo apenas uma revisitação daquilo que já vimos anteriormente), a ira de Savitar permanece ainda inexplicada, enquanto a dos espectadores, que aguardam por uma trama divertida, que faça jus ao elenco e aos personagens, continua a aumentar.

The Flash – 3X15: The Wrath of Savitar — Estados Unidos, 7 de março de 2017
Direção: Alexandra La Roche
Roteiro: Andrew Kreisberg, Andrew Wilder
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Tom Felton, Violett Bane, Vanessa Williams
Duração: 43 min.

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.