Crítica | The Flash – 4X03: Luck Be a Lady

– Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Antes de entrarmos na análise do episódio em si, preciso fazer algumas considerações. Até a presente data, quem escrevia sobre The Flash aqui no Plano Crítico era nosso redator Giba Hoffman, que tirou esse peso das costas de nosso editor, Luiz Santiago. Por algumas semanas, porém, ficarei encarregado da obra, o que pode trazer certos conflitos de opinião em relação aos capítulos anteriores, além de certos pontos aqui e lá. Com isso fora do caminho, podemos abraçar (ou jogar na fogueira) Luck Be a Lady.

Um dos grandes problemas das séries da CW é como subtramas novelescas tomam conta da narrativa dos episódios. Se pegarmos o exemplo de Supergirl, o segundo ano da série foi dominado pela relação de Kara e Mon-El (vulgo Manuel), mantendo a série em um eterno vai-e-vem, apenas para, no fim, o personagem ser descartado. The Flash não foge desse cenário, como bem vemos no terceiro capítulo dessa quarta temporada, que nos revela que, aparentemente, consertar a encanação de uma casa, ou arranjar algum lugar para realizar um casamento, são coisas mais importantes do que capturar uma meta-humana capaz de alterar a sorte daqueles ao seu redor.

O que ganhamos, pois, é uma extremamente fragmentada narrativa, com resoluções simples e outras saídas surreais de tão convenientes, a tal ponto que certos importantes personagens são esquecidos, apenas para serem resgatados no meloso desfecho. Refiro-me, naturalmente, a Wally West, que some durante todo o episódio, após ter levado um “pé na bunda” de sua namorada, e revela, nos minutos finais, que foi ate a Terra-2, conversou com ela e decidiu embarcar em sua própria jornada pessoal – tudo enquanto o Team Flash lidava com goteiras e casamentos.

Não que fosse grande surpresa a inconsistência do capítulo, já que o trecho inicial mais que nos prepara, através de muita vergonha alheia, que, por sua vez, requer muita suspensão de descrença, para o que está por vir. Evidente que a intenção era criar humor com a personagem Becky Sharpe, mas isso somente seria possível caso o restante do elenco não parecesse estar ligado no piloto automático, praticamente todos completamente ausentes de qualquer emoção, vide as não-atuações de Grant Gustin ou de Jesse L. Martin.

O único ponto que realmente se salva é a interação entre Harry e Cisco (por mais que eu considere esse segundo especialmente detestável), com desenvolvimento que dialoga organicamente com a trama principal do episódio, ressaltando as besteiras cometidas pelos membros do Team Flash, que mais causam problemas do que efetivamente salvam o mundo. Além disso, Tom Cavanagh é um dos poucos que realmente consegue atuar na série, então qualquer trecho com seu personagem já é de grande ajuda, chegando a prevenir nossas constantes reviradas de olhos ou sobrancelhas levantadas.

Luck Be a Lady, ou Casamentos e Goteiras, revela, de uma vez só, todos os problemas de The Flash, os quais se aplicam, praticamente todos, ao restante das produções de Greg Berlanti e companhia. Mais novela repleta de clichês e pasteurizações do que sobre super-heróis, essa série da DC Comics mais do que explica o porquê do hesitante Universo Estendido DC (que, para a surpresa de todos, não conta com nome oficial, mas que chamarei assim de qualquer forma) ter escalado Ezra Miller e não Grant Gustin para o papel de Flash.

The Flash – 4X03: Luck Be a Lady — Estados Unidos, 24 de outubro de 2017
Direção:
Armen V. Kevorkian
Roteiro: Sam Chalsen, Judalina Neira
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Neil Sandilands, Jesse L. Martin, Patrick Sabongui, Kim Engelbrecht, Jessica Camacho, Tom Cavanagh
Duração: 43 min

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.