Crítica | The Flash – 4X06: When Harry Met Harry…

– Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Jogada esperta a dos showrunners de The Flash, nessa quarta temporada, de aliviar o tom da série, assumindo aspectos de comédia, enquanto o seriado pontualmente cria paródias de si próprio. Essa manobra, contudo, é incapaz de esconder os ainda explícitos problemas que assolam o roteiro, principalmente quando esse não sabe misturar o humor com as pinceladas de seriedade – isso sem falar, claro, nas não-atuações da maior parte do elenco, (d)efeitos especiais e outras características que nos fazem revirar os olhos a cada semana que passa. When Harry Met Harry… é um desses exemplos de episódios bem-intencionados, que, no fim, somente demonstram o quanto essa série parece estar além de qualquer chance de salvação.

Como já era de se esperar, mais um meta-humano é descoberto, dessa vez uma mulher de ascendência nativo-americana, que iniciou uma cruzada para reaver artefatos sagrados de seu povo, fazendo uso de seu recém-adquirido poder de possuir objetos inanimados. Enquanto perseguem essa antagonista, Barry procura ensinar a Ralph Dibny o que significa ser um super-herói. Já no Star Labs, Harry Wells consegue ajuda interdimensional de seus outros “eu” a fim de encontrar o misterioso Devoe, antes que seja tarde.

Que Flash não é, nem de longe, o homem mais rápido do mundo, todos já sabemos desde a primeira temporada (por mais que ele insista em repetir essa falácia durante as abertura), mas chega a ser ridículo, requisitando demais de nossa suspensão de descrença, o fato de alguém, sem super-velocidade, conseguir escapar do herói, o que ocorre aqui, naturalmente. Para piorar, o roteiro de Jonathan Butler e Gabriel Garza coloca na boca de Dibny exatamente o que pensamos em tais ocorrências: Barry poderia salvar as vítimas e capturar o bandido, afirmação que Allen descarta sem qualquer justificativa, mostrando que de super-herói ele só tem a fantasia.

E por falar no uniforme, um dos acertos do capítulo é a maneira como trata o traje ridículo de Dibny, claramente feito de tal forma propositalmente, gerando algumas boas risadas. Evidente que o texto acaba exagerando pela repetitividade nesse quesito, mas nada que supere as recorrentes tragédias que devemos suportar nesse seriado. Outro ponto muito bem inserido é a presença dos vários Wells de outras Terras, uma boa resposta do personagem, condizente com sua personalidade, para a sugestão de Cisco sobre ele fazer alguns amigos. Naturalmente que, narrativamente falando, a presença desses outras versões de Harry são completamente desnecessárias – o cientista poderia ter encontrado o suposto Devoe sozinho com algumas modificações no texto, mas, ao menos essa interação gera algumas risadas e possibilita o foco no desenvolvimento da relação entre Wells e Cisco.

Essas subtramas, porém, acabam tirando qualquer sensação de urgência que poderia ser gerada pela vilã, que permanece praticamente ignorada durante quase todo o episódio, similarmente ao bandido que vemos nos minutos iniciais. Ao menos, sua presença é utilizada para justificar o crescimento como personagem de Dibny. Similarmente ignorado é o retorno de Killer Frost, que se manifestara no capítulo anterior. Como esperado, Caitlin ganha pouquíssimas falas aqui, como se os acontecimentos da semana passada fossem inteiramente ignorados.

Dito isso, When Harry Met Harry… pode representar uma leve melhoria em relação aos dois episódios anteriores, mas nada que tire The Flash de seu poço de inconsistências, que faz dessa série ser uma verdadeira provação para os fãs desse herói. Não sabendo muito bem trabalhar com inúmeras subtramas ao mesmo tempo, o episódio carece de tensão, urgência, sendo percebido como mero entretenimento passageiro, daqueles que esquecemos segundos após o término da exibição.

The Flash – 4X06: When Harry Met Harry… — EUA, 14 de novembro de 2017
Direção:
Brent Crowell
Roteiro: Jonathan Butler, Gabriel Garza
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Neil Sandilands, Jesse L. Martin, Patrick Sabongui, Kim Engelbrecht, Jessica Camacho, Tom Cavanagh
Duração: 43 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.