Crítica | The Flash – 5X04: News Flash


– Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

O episódio desta semana de The Flash felizmente é mais um que contraria minhas expectativas pessimistas para a temporada, com base na estreia desinspirada que foi NoraEmbora se apoiando fortemente em uma comédia que nem sempre entrega tão bem quanto os produtores parecem confiar, News Flash consegue explorar essa versão de Central City de forma viva e interessante, desenvolvendo organicamente alguns dos arcos principais da temporada em um belo formato episódico de “vilão da semana”, com pitadas de absurdo quadrinístico dos anos 1960. Eu, particularmente, não espero mais do que isso da série!

A aventura dessa semana traz uma temática interessante, colocando em tela uma disputa que tem atormentado nossas mentes por anos a fio: quem venceria uma disputa entre o Velocista Escarlate versus uma metralhadora de fake news? OK, talvez não, mas ainda assim, trata-se de uma premissa simples e inventiva, ainda mais levando-se em conta a possibilidade de ser explorada sob a lente do conflito intergeracional entre Nora (Jessica Parker Kennedy) e Iris (Candice Patton).

A meliante da vez é Spin (Kiana Madeira), uma clickbaiter tecnorgânica em busca de fama e reconhecimento virtual — uma supervilã para os tempos atuais! Os roteiristas se lembraram afinal de contas que a Sra. West-Allen tinha como objetivo pessoal crescer como jornalista, e a exploração que é feita do tema no conflito com a vilã se aproveita muito bem disso e oferece um raro suporte para a personagem protagonizar uma subtrama própria interessante e fora da sombra do maridão escarlate.

Nesse percurso, ficamos sabendo mais sobre a dificuldade de relacionamento com a mãe que Nora traz consigo de seu futuro, e por sorte o enfoque da narrativa se mantém no presente e em uma reação emocional crível dos envolvidos, evitando habilmente tanto o melodrama quanto o investimento excessivo em um mistério que no final das contas provavelmente trará mais do mesmo. As cenas da família West-Allen são divertidamente desconcertantes, embora a dupla Barry (Grant Gustin) e Iris não tenha lá a melhor química comédica da série toda. A chegada da filha futurista tem ajudado a dar centralidade para os dois co-protagonistas, cujo desenvolvimento de personagem tem conseguido ser mais interessante do que o visto na temporada anterior.

A partida de softball do CCPD me causou uma certa estranheza: não é o tipo de coisa que temos visto acontecer nas temporadas mais recentes da série, e a caracterização de Barry lembrando mais sua versão da 1ª temporada surgiu meio que do nada. É bem estranho o veterano que recentemente foi condenado pelo assassinato de um professor e afastado do cargo de repente estar de volta e se portando como o “desajeitadão” da equipe. Pelo menos a falta de consistência é perdoável, já que são bem-vindas as variações de cenário e situações para a série que em alguns momentos se reduziu a uma estrutura simplificada digna de Power Rangers (base dos heróis — cafeteria — briga com o vilão da vez em uma rua genérica).

Adaptando um vilão obscuro da fase de Tom Peyer nos quadrinhos, a versão de Spin que temos aqui transforma o que originalmente era um magnata da comunicação televisiva com controle global sobre o fluxo de informações em uma millenial repórter independente, disparando notícias falsas nas redes sociais em favor de uma agenda própria. Enquanto o Spin dos quadrinhos intensificava os medos relativos a eventos que ocorriam de fato (criando pânico generalizado com terremoto ou alimentando dúvidas do público a respeito de um Flash que encontrava-se efetivamente em crise pessoal), nossa Spin televisiva tem uma abordagem muito mais direta, tornando realidade quaisquer manchetes esdrúxulas com uma ajudinha de hipnose tecnorgânica.

A versão simplificada não apenas atualiza o modelo do vilão de dez anos atrás para o panorama jornalístico já mudado dos dias atuais, mas o faz de uma forma que eu particularmente acho bastante divertida, que é através de um estilo galhofa reminiscente dos quadrinhos da Era de Prata. Projetar uma frase em um telão ordenando que XS ataque o Flash num estádio vazio, para então prosseguir com uma luta entre os dois heróis é uma premissa que não estaria fora de lugar em um quadrinho antigo da DC (dá até para imaginar uma daquelas capas infames, onde a situação absurda era apresentada de forma distorcida de forma a atiçar a curiosidade do leitor). Gosto quando a série alterna entre a abordagem mais “””pé-no-chão””” de Arrow e o abraçar do absurdo que é feito aqui. Pensei que os poderes de Spin seriam revelados como tendo ligação com Kilg%re ou, quiçá, o próprio Pensador. Ainda é possível que seja o caso e, se for, tem todo meu apoio. A série adora trazer de volta vilões do passado, porém nem sempre justifica ou explora muito bem esse retorno (Zoom e Snart que o digam). Se esse vilão tecnorgânico for um produto direto do Pensador, seria uma forma interessante e mais espontânea de estender o supervilão para além de sua temporada de estreia…

Nas subtramas secundárias temos a ausência de Cisco, recuperando-se dos ferimentos da semana anterior. Joe West (Jesse L. Martin) faz apenas mais uma aparição-relâmpago — desta vez de pé, mas ainda assim meio desconectada do restante da história. Foi divulgado nesta semana que o ator passou por um problema de coluna durante as gravações da temporada, então essa ausência deverá se estender por mais alguns episódios. Embora goste muito de ambos personagens, senti que ceder bastante espaço para a fantástica dupla Ralph Dibny (Hartley Sawyer) e Sherloque Wells (Tom Cavanagh) contracenarem foi uma boa troca.

Dibny é um dos tesouros atuais do arrowverse. Por mais que a subtrama dele tentanto provar sua competência não seja nada de extraordinário em si, e levando em conta que Sherloque é um personagem que não tinha o menor direito de ser tão legal quanto é, a subtrama traz as melhores piadas e um bom desenvolvimento de personagem sem grande esforço. Crédito para Sawyer e Cavanagh, que têm potencial de estrelar excelentes momentos — que os roteiros façam por merecer esses caras! Gostei muito de ver um Dibny mais próximo dos quadrinhos, deixando para trás o papel de mero alívio cômico e provando seu valor como um bom detetive.

News Flash é um bom episódio que combina muito bem o formato “vilão da semana” com o desenvolvimento de personagens e com o arco principal da temporada. Trazendo respostas instigantes sobre alguns dos mistérios até aqui, a série não deixa de entregar uma aventura auto-contida que diverte por si só, e continua se esforçando em tornar o casal West-Allen um par de protagonistas mais interessantes. Se continuar assim, quem sabe?

The Flash – 5×04: News Flash — EUA, 30 de outubro de 2018
Direção: 
Brent Crowell
Roteiro: Kelly Wheeler, Lauren Certo
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Danielle Nicolet, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Jessica Parker Kennedy, Chris Klein, Kiana Madeira
Duração: 43 min.

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.