Crítica | The Lost Stories 2X02: The Fragile Yellow Arc of Fragrance

estrelas 4,5

Equipe: 1º Doutor, Susan, Ian e Barbara
Espaço-tempo: Planeta Fragrance, tempo indeterminado

Se formos ser rigorosos com o conceito da série The Lost Stories, produzida pela Big Finish, o arco The Fragile Yellow Arc of Fragrance não se enquadraria muito bem à proposta. Isso porque o roteiro para este episódio foi apenas um teste, um spec script de Moris Farhi, solicitado assim que ele foi cogitado para ter uma aventura produzida em Doctor Who.

Submetido a David Whitaker, que na época era roteirista* e editor de roteiros da série (cargo que ocupou entre novembro de 1963 e dezembro de 1964), esse excelente drama de Moris Farhi serviria mais para mostrar a sua capacidade de criar uma jornada com o 1º Doutor ao lado de seus companions Susan, Ian e Barbara. Nunca houve a intenção da BBC em produzir o roteiro, logo, não se trata de uma “Lost Story” no conceito das outras histórias da série, que foram realmente escritas para virarem episódios e algumas até chegaram a ser pré-produzidas mas nunca foram levadas adiante por uma série de motivos.

Mas é perfeitamente possível entender a colocação de The Fragile Yellow Arc nesse bloco de aventuras. Faz total sentido para a era do 1º Doutor e especialmente para a mitologia da série, mesmo que em seu Universo Expandido.

A história aqui se passa em um planeta de mil e uma maravilhas, habitado por humanoides muitíssimo desenvolvidos. Pelo teor do roteiro, percebemos que o Doutor e seus companions estavam em Fragrance já a algum tempo, a ponto de terem estabelecido relações de amizade com alguns habitantes e passarem por uma difícil e emotiva despedida. É nesse ponto que temos a indicação do “frágil círculo amarelo”, que, para os habitantes do planeta, surgia quando uma pessoa se apaixonava pela primeira vez. Essa época da vida deles era posterior ao “fino círculo roxo”, que grosseiramente pode ser comparado à adolescência dos humanos.

O único problema é que em Fragrance só se pode apaixonar uma única vez. E quando você declara essa paixão e não é correspondido… bem, as consequências não são nada interessantes.

Eu realmente não esperava que um episódio curtinho, de apenas 35 minutos, pudesse ter um poder textual tão grande e um final genuinamente emocionante. Em toda a saga de Ian, Susan e Barbara ao lado do Doutor na série televisionada, o único momento em que esse tipo de emoção esteve em cena foi na partida de Susan, em A Invasão Dalek da Terra.

O foco do roteiro, neste áudio, é em Barbara, por quem um dos habitantes de Fragrance se apaixona. O impasse do dever pessoal, da saudade de casa e a questão moral de deixar um homem morrer faz com que a companion se disponha a dar um jeito na situação já ao final do episódio, mas o Doutor parte com a TARDIS e o que temos em seguida é de tocar o coração.

The Fragile Yellow Arc of Fragrance é uma história bastante peculiar em DW, uma aventura onde não existem alienígenas malvados e não existe vilão. O impasse aqui é outro. Trata-se de uma questão cultural de um planeta e tem forte impacto passional em qualquer humano que a ouvir. Mais uma prova de que o amor, por mais doce que seja, pode acabar consumindo em chamas àqueles que o sentir.

* David Whitaker escreveu os seguintes roteiros para Doctor Who:

The Edge of Destruction
The Rescue
The Crusade
The Power of the Daleks
The Evil of the Daleks
The Enemy of the World
The Wheel in Space
The Ambassadors of Death

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The Lost Stories (Reino Unido, nov, 2010)
Roteiro: Moris Farhi (adaptado por Nigel Robinson)
Direção: Lisa Bowerman
Elenco: William Russell, Carole Ann Ford, John Dorney, Helen Goldwyn
Duração: 1 episódio de 35 min.
Distribuidora: Big Finish Productions

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.