Crítica | The Gifted – 1X03: eXodus

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Primeiro episódio não escrito pelo próprio showrunner, eXposed apresenta alguns problemas estruturais que freiam um pouco a empolgação inicial sobre a série, ainda que de forma alguma reduzam o interesse por ela. Se os dois primeiros capítulos serviram para muito bem nos apresentar a esse universo e a seus personagens mais importantes, o terceiro teima em repetir a temática e a manipular o drama de forma maniqueísta e previsível, ao ponto de ser até risível.

Mas vamos começar pelo lado positivo. O núcleo da família Strucker, com Caitlin, Lauren e Andy fugindo do esconderijo da resistência mutante para pedir ajuda política ao irmão de Caitlin, apesar da ingenuidade da ideia, acaba funcionando muito bem para desenvolver Andy, cuja descoberta dos poderes em eXposed serve de catalisador para a história. Precisando de dinheiro, ele sugere, na maior naturalidade, que eles roubem um banco usando seus poderes, somente para ter sua ideia fortemente rechaçada pela mãe e irmã que, porém, ato contínuo, aceitam as moedas dos parquímetros destruídos pelo jovem. Se, antes, havia apenas uma leve tendência a mostrar Andy como alguém com potencial para cambar para o lado negro da Força, com sua sugestão isso fica mais do que sacramentado.

E o mesmo vale para a ação na casa de Daniel, com Andy não pestanejando em demonstrar suas habilidades para afastar a milícia que se forma do lado de fora em um momento tenso e com um discreto, mas eficiente uso de efeitos especiais para mostrar sua telecinese (ou seja lá o poder que ele tem e que não parece pouco) destruindo a porta e também Eclipse usando seus raios laser para esquentar a espingarda do valentão anti-mutante. Será interessante ver o caminho que a série seguirá com Andy, pois o roteiro dá a entender que ele deseja algo mais do que passivamente fugir das autoridades, escondendo-se aqui e ali. Se ele quiser revidar, a lógica dita que ele não o fará sozinho e isso pode levar à apresentação de outro grupo underground de mutantes, talvez uma variação da Irmandade dos Mutantes dos quadrinhos.

No entanto, há outra possibilidade ainda. Ao final do episódio, o misterioso Roderick Campbell faz uma oferta ao agente Turner para ajudá-lo a capturar os mutantes se a ele for dado acesso aos irmãos Strucker, que parecem ser particularmente valiosos para ele. Como Turner negou qualquer ajuda, é provável que Campbell decida ele mesmo – possivelmente com a ajuda de mutantes por ele controlados – capturar Andy e Lauren, o que pode fazer com que Andy seja arregimentado para uma unidade secreta. Só o tempo dirá, ainda que acredite que essa completa entrega do rapaz para o lado negro não demorará a acontecer.

Do lado de Reed Strucker, seu acordo com Turner para salvar sua família em troca da resistência mutante é um daqueles momentos que todo e qualquer espectador sabe que acabará com Reed traindo o agente do Sentinel Services. Isso fica evidente pela própria expressão de Reed ao longo de todo o episódio. Portanto, quando ele consegue infiltrar-se no bar de Fade, e depara-se com mãe e filha escondidos por ali, o roteiro começa a apelar demais para o “dramalhão mexicano”. E a coisa vai de mal a pior quando a mãe anestesia a dor nas costas que Reed sente e a menininha começa a falar com ele na van. É aquela velha história: já entendemos, dá para chegar nos finalmentes? Por mais que Stephen Moyer esteja muito bem em seu papel, realmente deixando à tona suas dúvidas sobre basicamente o que ele fez durante toda sua vida, esse momento de sacrifício poderia ter acontecido sem que o roteiro precisa manipular o espectador a quase chorar pelos fugitivos que Reed encontra.

Outro momento exagerado ao ponto de descambar para a breguice total de revirar os olhos foi durante o preâmbulo em flashback, três anos antes dos acontecimentos da série, quando Polaris apresenta o esconderijo a Eclipse e os dois começam um romance. A demonstração dos poderes dos dois é interessante e funcional, mas, quando uma “aurora boreal” é criada, o alarme de fofura começou a disparar e isso não é uma coisa boa, pelo menos não em uma série dramática como essa. Vamos só torcer para que esse lado brega não seja mais explorado, porque aguentar “auroras boreais” sendo formadas a cada encontro dos dois vai ser dose para elefante…

Em termos de ação, descobrimos que Blink ainda não recuperou completamente seus poderes e John Proudstar, o Wolverine da série, quer treiná-la de forma que ela consiga novamente abrir seus portais. Dreamer (esse é o nome da ruiva!) sugere usar seus poderes para acelerar o processo, mas John a avisa para não fazer isso em vista do que acontecera outras vezes. Essa admoestação misteriosa significa uma coisa só: Dreamer desobedecerá John e fará o que tiver que fazer para Blink salvar o grupo.  E a ação é eficiente, com a criação de uma dinâmica triangular entre eles que pode apimentar os relacionamentos na resistência. Só espero que as lentes de contato verdes de Blink sejam substituídas por algo mais sutil, pois o efeito prático não ficou bom, além de provavelmente serem extremamente incômodas para a atriz. Talvez fosse o caso de substituir por um leve CGI.

O episódio, diferente de rX, é menos hábil em lidar com os diferentes núcleos, deixando a natureza capitular da estrutura narrativa aparecer com maior proeminência. Talvez, aqui, a culpa maior seja da direção de Scott Peters que lida com transições mais novelescas, com cada núcleo sendo deixando em pequenos cliffhangers, somente para, depois, a história resolver-se. Não é algo sério, mas a fluidez do episódio torna-se mais cambaleante dessa forma, especialmente em comparação com o que vimos no capítulo anterior.

The Gifted, apesar desse soluço, continua sendo uma ótima alternativa super-heroística. Há enorme potencial para os personagens até agora apresentados, especialmente Andy e seus poderes no estilo Magneto e Polaris e sua provavelmente vindoura “fuga de prisão”. eXposed pode não ter sido o melhor exemplo de boa televisão, mas ainda é um episódio acima da média.

The Gifted – 1X03: eXposed (EUA, 16 de outubro de 2017)
Criação e showrunner: Matt Nix
Direção: Scott Peters
Roteiro: Rashad Raisani
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Jamie Chung, Coby Bell, Emma Dumont, Blair Redford, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Garret Dillahunt, Jermaine Rivers, Sharon Gless, Garret Dillahunt, Elena Satine, Jeff Daniel Phillips
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.