Crítica | The Gifted – 1X05: boXed in

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Depois de dois episódios dramaticamente muito interessantes, mas que sofreram com trabalhos inábeis na direção e montagem, The Gifted volta à forma na metade de sua temporada inaugural com o ótimo boXed in. A temática, introduzida com um flashback em que vemos o momento em que o agente Turner perde sua filha no atentado de 15 julho, citado pela primeira vez em rX, é o poder da memória e o perigo em alterá-la. Com isso, Dreamer ganha destaque e o triângulo amoroso que a série deu a entender que construiria, logo se dissipa, convertendo-se em uma linha narrativa bem mais promissora.

Ainda que a natureza dos poderes da mutante não tenha ficado completamente clara – ela insere, mas também pode mudar e ver memórias? – a personagem, que antes parecia uma mera coadjuvante perdida na temporada (mais ou menos como Shatter, que anda de um lado para o outro e mais nada), toma o palco não só ao lidar com a extração de informações de um aprisionado agente Turner, que é obrigado a reviver seu passado e tem a memória da morte da filha alterada, sem que fosse essa a intenção, para outra em que ela está viva, como também ao estabelecer outro tipo de conflito com Blink, em razão da memória implantada em eXodus. Dessa forma, ainda que com boas intenções, começamos a perceber que Dreamer pode ser o pomo da discórdia no seio mutante, além de catalisar mudanças em Turner que têm potencial dramático para torná-lo ainda mais radical, talvez catalisando sua união com o ainda misterioso Roderick Campbell, possivelmente o homem por trás do condicionamento forçado de mutantes como Pulse.

Mas toda a ação que leva até o aprisionamento de Turner por Polaris e Eclipse é bem encadeada a partir de desenvolvimentos lógicos da atabalhoada fuga da prisão empreendida pelos mutantes. Separando os grupos, com o casal atraindo a atenção de drones, temos momentos memoráveis que vão desde o uso do espelho retrovisor do carro para refletir o laser de Eclipse, até – aqui sim! – o bom uso do efeito aurora boreal causado pela proximidade dos poderes dos dois, com direito até mesmo a uma piscadela à Aurora, mutante do grupo Tropa Alfa, o que poderia sinalizar que Polaris está grávida de gêmeos, de forma a termos também Estrela Polar nessa brincadeira (mas tudo possivelmente não passa de um name drop para fazer um simpático fan service).

Apenas as forças do Sentinel Services é que ainda não me convenceram. Afinal, eles transportaram Polaris e Reed quase sem segurança alguma séria, baseando-no poder de um mutante que pode ser nocauteado com um soco ou a distância com um estilingue. Agora, vemos que o “bloqueio” na estrada empreendido por Turner é composto de apenas uma viatura e meia dúzia de agentes, com o roteiro de Jim Campolongo tentando fazer um esforço enorme – e falhando – para justificar a falta de apoio de outras unidades. Afinal, onde está o apoio aéreo? Ou outros mutantes controlados por eles? Creio, porém, que terei que me acostumar com o lado mais espartano da série.

No refúgio da resistência, a chegada de Reed traz conflito imediatamente, com Fade tentando liquidar com o ex-promotor público e colocar os demais mutantes ao seu lado. Há um pouco de artificialidade ali, pois a ação de Reed, jogando-se da van ao mudar de ideia sobre a traição, foi completamente ignorada pelo mutante, que só enxerga o que quer. Mas faz parte, pois a tensão ali dentro é palpável. Outro bom elemento foi o contínuo uso de Caitlin de maneria orgânica dentro da trama, desta vez salvando a vida de Trader com a ajuda de seus filhos que, com isso, garantem um lugar ali naquela comunidade ressabiada pela presença da família Strucker. E o mesmo vale para a ajuda de Reed em efetivamente despistar a caçada pelo quartel-general, arriscando-se no processo e, claro, ganhando algum grau de confiança por parte de Fade.

Jeremiah Chechik, veterano diretor responsável pelo péssimo longa Os Vingadores (não o de super-heróis, que fique claro!) e que notabilizou-se por seu ecletismo na TV, trabalhando em episódios de Burn Notice, Chuck, Helix e diversas outras, sabe lidar com as diversas ações paralelas, mantendo um razoável suspense sobre os destinos de Turner e de Trader, além de amplificar, com uma câmera intrusiva e bem colocada, o conflito estabelecido entre Blink e Dreamer e a conexão (além da química, vale lembrar) entre Polaris e Eclipse. A montagem ganha fluidez, sem que o episódio caminhe a solavancos como foi o clímax perdido de eXit stragegy.

boXed in é mais um ponto positivo nesta série que vem surpreendendo. Bom desenvolvimento, ótimas sequências de ação e abordagens interessantes que sacodem tanto o núcleo mutante, quanto o que o caça, liderado por Turner. Agora é aguardar para ver como a segunda metade da temporada lidará com as questões expostas até agora.

The Gifted – 1X05: boXed in (EUA, 30 de outubro de 2017)
Criação e showrunner: Matt Nix
Direção: Jeremiah Chechik
Roteiro: Jim Campolongo
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Jamie Chung, Coby Bell, Emma Dumont, Blair Redford, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Garret Dillahunt, Jermaine Rivers, Sharon Gless, Garret Dillahunt, Elena Satine, Jeff Daniel Phillips, Hayley Lovitt, Zach Roerig, Michelle Veintimilla
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.