Crítica | The Gifted – 1X10: eXploited

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Depois de um episódio cheio de inconsistências e com um roteiro furado como um queijo suíço, mas ainda assim divertido, era de se esperar que eXploited novamente elevasse a série para níveis mais altos, em linha com seu promissor início. Em muitos aspectos, ele quase chega lá, mas os problemas lógicos na história atrapalham seu sucesso completo.

Com os irmãos Strucker, Blink e Dreamer capturados depois do tenebroso ataque à estação de luz, os mutantes são levados para o agora bastante chamuscado Dr. Campbell em sua obsessão em encontrar uma solução para o problema mutante, seja lá o que ele realmente queira dizer com isso. Se, por um lado, foi espetacular ver as menções à mitologia de Wolverine na sala feita de adamantium, por outro lado foi frustrante mais uma vez ter o gostinho de ver o poder dos Fenris ser ativado sem, porém, conhecermos sua verdadeira extensão.

De toda forma, as sequências na Trask Industries, apesar de repletas de clichês, aí incluindo o assassinato de Dreamer a sangue frio, foram muito eficientes em construir  uma sensação de perigo e em mostrar que a série está disposta sim a eliminar pelo menos alguns de seus personagens mais desenvolvidos. Claro, dificilmente veremos algum membro da família Strucker ser morto, mas é sempre bom saber que ninguém está realmente seguro. Além disso, é aqui que o deformado Dr. Campbell estabelece-se como o vilão que prometia ser, um verdadeiro Josef Mengele anti-mutante que, se Matt Nix não cair na tentação de matá-lo ao final da temporada, tem potencial para ser muito bem explorado no médio prazo.

Mas os momentos no QG de Campbell foram os melhores do episódio. O restante, se quisermos ser chatos – e eu quero – sofre de problemas parecidos com o que vimos em outfoX, ainda que em graus menores.

Se o flashback com Esme na campanha eleitoral do senador Montez já estabelece a importância da telepata no episódio, a revelação definitiva de que ela tinha seu próprio plano para salvar suas irmãs e os demais mutantes na Trask Industries nos faz coçar a cabeça. Afinal, para que mesmo que ela precisava de toda essa manipulação desde que chegou na série, com vários eventos que ela desencadeou, mas cujos resultados não dependiam dela? Afinal, convenhamos que os mutantes refugiados são, para todos os efeitos, seus aliados e ela poderia ter verdadeiramente trabalhado com eles em um plano para derrubar Campbell e suas experiências. Mas não. Esme preferiu fazer a ponte aérea Rio-São Paulo via Malásia, com umas 18 paradas no total.

E vejam: a ação final dela manipulando um agente para desligar as coleiras inibidoras, libertar suas irmãs e as três, juntas, causarem o estrago que causaram foi o ponto alto do episódio em termos de ação. Ver as Irmãs Stepford com aquela mente coletiva delas dizimando a equipe de Turner que, por sua vez, vê tudo aquilo acontecer sem poder fazer nada, foi muito satisfatório, até catártico. Mas será que ela não poderia chegar ao mesmo resultado de forma mais rápida se tivesse trabalhado ao lado de John Proudstar, Polaris e Marcos, reduzindo os riscos de suas irmãs ser transformadas pelo programa Hound?

O mesmo vale para sua sugestão – não controle mental – de que Reed e Lauren apelassem para o lado humano de Turner, fazendo-o levar os mutantes presos, retirando-os das garras de Campbell. Reparem: todo o plano dela dependia do sucesso dos Strucker adultos em convencerem o agente a proceder com o transporte de todos os mutantes da Trask Industries. Mais uma variável completamente imponderável em uma cadeia de variáveis de fazer os olhos rolarem se lembrarmos de tudo que Esme fez para chegar a esse ponto. Seu poderes estão mais para os de “sorte” de Longshot do que para os de uma telepata, se pensarmos bem.

Mesmo que aceitemos a missão impossível de papai e mamãe Strucker, fato é que o roteiro de Jim Campolongo é inábil no conflito de casais que se estabelece. Tudo é muito fácil, sem percalços, sem qualquer tentativa de Turner de fazer alguma coisa precipitada. Se alguém entrasse na sala em que assisti o episódio nesta cena, certamente acharia que eram quatro amigos conversando civilizadamente. E isso sem contar o quão clichê é a esposa abrir os olhos do marido para as atrocidades que ele deixa serem cometidas em nome da filha do casal.

No final das contas, porém, eXploited consegue desenvolver a trama a passos largos. Não só agora Campbell tem os dados que precisa para fazer o que ele desejava, como Jace Turner, depois do que ele certamente interpretará como mais uma traição de Reed, não terá mais razão alguma para não mergulhar inexoravelmente no lado negro. Além disso, Esme e suas adoráveis irmãs mostram uma terceira via a seus camaradas mutantes, ou seja, o ataque direto às forças inimigas, algo com que Polaris poderá simpatizar sem muito esforço e que abre abre as portas para uma cisão mutante.

The Gifted, mesmo aos tropeços, portanto, caminha bem. Será certamente interessante ver a direção que será tomada agora no final da temporada inaugural.

*The Gifted entrará em breve hiato, voltando dia 1º de janeiro de 2018.

The Gifted – 1X10: eXploited (EUA, 11 de dezembro de 2017)
Criação e showrunner: Matt Nix
Direção: Craig Siebels
Roteiro: Jim Campolongo
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Jamie Chung, Coby Bell, Emma Dumont, Blair Redford, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Garret Dillahunt, Jermaine Rivers, Sharon Gless, Garret Dillahunt, Elena Satine, Jeff Daniel Phillips, Hayley Lovitt, Zach Roerig, Michelle Veintimilla, Danny Ramirez, Raymond J. Barry, Paul Cooper, Caitlin Mehner, Skyler Samuels
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.