Crítica | The Gifted – 1X12 e 1X13: eXtraction e X-roads

eXtraction
X-roads

Temporada

Apesar dos altos e baixos, The Gifted, ao longo dos 13 episódios de sua temporada inaugural, foi, sem dúvida alguma, uma série consistente, por um lado jamais desapontando de verdade e, de outro, chegando a momentos realmente primorosos, especialmente se levarmos em consideração a tarefa de Matt Nix de essencialmente colocar nas telinhas um trabalho sobre os X-Men, mas sem os X-Men. A dobradinha final de episódios, que foi ao ar no mesmo dia depois de alguns hiatos que desnecessariamente atrasaram o encerramento da temporada, põe fim à aposta do showrunner de maneira mais do que satisfatória e abre caminho para um interessante e desafiador futuro para os Strucker e a Resistência Mutante na já confirmada segunda temporada.

Começando o final, eXtraction lida com a ação conjunta das irmãs Frost com Polaris, Eclipse, Pássaro Trovejante e Blink em uma missão para sequestrar o Dr. Campbell em plena convenção anti-mutante em mais um daqueles planos que, confesso, realmente precisam melhorar se Matt Nix quiser evitar surtos de olhos revirados em seus espectadores. Afinal, agora agir de maneira impensada e influenciado pelas irmãs telepatas parece ter virado regra para os mutantes foragis-vos, algo que, por si só, já causa espécie e mais parece coisa de roteiro preguiçoso que quer ir do ponto A ao ponto B da maneira mais fácil possível.

O ponto B, claro, é a contínua influência que Esme exerce sobre Polaris, aos poucos levando-a para o Lado Negro da Mutação. Portanto, de seu próprio jeito, o episódio funciona ao fazer o plano atabalhoado dar com os burros n’água, precipitando a ação mais radical – BEM MAIS – que vemos em X-roads.

Mas eXtraction tem outros bons momentos, como mais participação de Sharon Gless como Ellen Strucker, dessa vez com bem mais tempo de tela e um razoável envolvimento na trama principal que poderá reverberar em temporada futura. Além disso, vemos o dissenso solidificar-se entre os jovens irmãos Strucker, outra parte do “ponto B” que Nix chega no episódio final.

A direção de Scott Peters é muito pouco exigida no episódio, ainda que ele apresente um trabalho final que tira leite de pedra e lidam com a natureza de ponte que o capítulo inegavelmente tem de forma suficientemente natural para evitar confusão e também o tédio por parte do espectador. Em outras palavras, ele pega um roteiro cansado e consegue traduzí-lo em um bom, ainda que longe de brilhante, episódio.

X-roads, por seu turno, tem a vantagem natural de ser o tal “ponto B” do showrunner e, claro, o clímax de toda a temporada até agora, com um roteiro corajoso, que não deixa de lidar de frente com questões duras, como a resposta dos mutantes para os problemas que os afligem. Afinal, ao longo de toda a temporada, Matt Nix esmerou-se em pintar um quadro que foi em um crescendo constante de becos sem saída para os portadores do gene X. Mesmo com vitórias aqui e ali, a hostilidade contra os mutantes foi palpável a cada episódio.

E, com isso, fica a pergunta: quando encurralados, como reagimos? O roteiro que Nix co-escreveu com Jim Garvey tenta nos dar uma resposta muito humana ao dilema usando a oposição de Andy a Lauren de um lado e, claro, a radicalização de Polaris de outro.

Começando com um flashback que insere Magneto completamente na série e que nos dá um vislumbre de Evangeline Whedon (Erinn Ruth), a mutante com poderes de se transformar em um dragão vermelho criada por Chris Claremont e Salvador Larroca, em 2003, o episódio já estabelece Polaris como o centro das atenções. De forma crescente, vemos a Polaris filha de quem é sobrepor-se à Polaris, mutante foragida apaixonada por Eclipse. Aqui, ela é a proverbial leoa em defesa de sua ninhada em uma cruzada cega para limpar o caminho do jeito que seus poderes permitirem.

Sim, novamente temos que aceitar que os planos das irmãs Frost dependem de uma série de eventos em sequência que exigem demais da suspensão da descrença, mas, aqui, esses planos existem unicamente para ilustrar a “queda de Lorna”, por assim dizer. Claro que estou partindo da premissa que Lorna NÃO está sendo mentalmente controlada pelas Frost, o que seria absolutamente desapontador. Seja como for, porém, é alvissareiro notar que tanto Skyler Samuels quanto Emma Dumont mais do que mostram a que vieram, mastigando o cenários com suas presenças magnéticas (não resisti…).

Quando Lorna finalmente destroça o avião onde Campbell e o senador Montez estão, matando-os (partindo da premissa de que eles estão mortos, pois o contrário seria ridículo), vemos sua transformação e sua aproximação aos ideais de Magneto. Nada de paz entre mutantes e humanos. Como em Highlander, só pode haver um.

E essa decisão ecoando em Andy, depois que mais uma vez fomos privados de ver a extensão completa dos poderes do Fenris (só eu que fiquei desapontado?), é, talvez, o momento mais importante da temporada, com a formação de um novo Clube do Inferno que certamente será, juntamente com algum novo papel mais radical para o agora ex-agente Turner, os pontos focais da vindoura temporada.

Mas o episódio de encerramento traz mais do que só seu resultado final como pontos positivos. Toda a ação de comando dos Strucker adultos à frente da evacuação do QG da Resistência Mutante foi um exemplo de ótima direção de atores, com Stephen Moyer e Amy Acker fazendo valer toda a experiência televisiva que têm. Além disso, foi ótimo ver que Shatter serve para alguma coisa, apesar de descobrirmos, do nada, que existe outro mutante super-forte no grupo (seria o Blob na versão orçamento zero?) que nunca, em momento algum, foi usado…

No final das contas, mesmo considerando que Wes, o Kid Miragem, e toda a linha narrativa da ex-amante/ex-chefe de Eclipse desapareceram da temporada como o emburrado Fade faz sumir os carros que dirige, o resultado da primeira temporada de The Gifted foi muito competente. Agora resta saber qual será o caminho que Nix tomará para lidar com a cisão do grupo e com a formação do novo Clube do Inferno.

The Gifted – 1X12 e 1X13: eXtraction e X-roads (EUA, 2018)
Criação e Showrunner: Matt Nix
Direção: Scott Peters (eXtraction); Stephen Surjik (X-roads)
Roteiro: Michael Horowitz (eXtraction); Matt Nix, Jim Garvey (X-roads)
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Jamie Chung, Coby Bell, Emma Dumont, Blair Redford, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Garret Dillahunt, Jermaine Rivers, Sharon Gless, Garret Dillahunt, Elena Satine, Jeff Daniel Phillips, Hayley Lovitt, Zach Roerig, Michelle Veintimilla, Danny Ramirez, Raymond J. Barry, Paul Cooper, Caitlin Mehner, Skyler Samuels

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.