Crítica | The Gifted – 2X06: iMprint

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Matt Nix tem conseguido manter The Gifted em um nível surpreendentemente alto. Não que seu trabalho seja irretocável ou que não precise de umas sacudidas, mas, mesmo em seus piores momentos, a série não apresenta nada realmente terrível, permanecendo, no geral, uniforme e equilibrada. Depois do menos do que ideal episódio anterior, iMprint vem para lembrar-nos de que a série mutante “normal” da Fox é, ainda, uma diversão segura e que não tem vergonha alguma de beber da inesgotável fonte dos quadrinhos.

Claro que ajuda muito que o ponto focal do episódio seja as irmãs Stepford, as trigêmeas loiras telepatas com tendências homicidas. Sua história pregressa nos é finalmente revelada usando a hesitação de Lorna em continuar no Inner Circle sem conhecer o plano de Reeva, algo perfeitamente razoável e lógico, para fazer com que Esme, em dois momentos, detalhe a tragédia de suas vidas, começando pela informação de que, como nos quadrinhos, elas são clones e não exatamente irmãs. Clones exatamente de quem fica no ar, com aquela piscadela para o espectador de que Emma Frost existe – ou pelo menos existiu – nesse universo.

Além de terem sido obrigadas a usar seus poderes para extrair informações de mutantes capturados e, provavelmente, outras atrocidades, elas, ainda em tenra idade, chacinaram seus algozes em mais um perturbador momento em que elas fazem os guardas se matarem em uma recriação mutante do “impasse mexicano”. E, surpresa, surpresa, também como nos quadrinhos, elas eram cinco e não três, com a morte de Celeste e Mindee sendo sentidas pelas sobreviventes, o que significa que, apesar de vivas, elas já experimentaram a morte (o detalhe das camas delas em cativeiro e agora em liberdade é muito bacana). Ninguém pode sair mentalmente incólume de uma experiência dessas, ainda que Esme tenha desenvolvido sentimentos mais ternos e humanos ao longo do tempo, algo que falta em suas irmãs.

Com toda essa construção, o núcleo do Inner Circle fica mais coeso, já que fica bem claro, primeiro, que não há controle mental dos mutantes que originalmente eram da equipe de John Proudstar e, também, que o segredo dos planos de Reeva incomodam demais. Isso retira aquele ar de “vilão de 007” que o grupo vinha tendo, com direito àquele quartel-general todo branco e asséptico (mas que, descobrimos agora, tem sala do perigo com hologramas!) e todo aquele ar misterioso que já estava cansando. Não que Reeva não tenha outros segredos, e isso fica bem evidenciado pelas suas ligações para alguém identificado apenas como Q.M. (alguém sabe quem poderia ser?), mas pelo menos, agora, o grupo não parece segui-la cegamente.

Do lado da Resistência Mutante, confesso que cada vez me desaponto com o amadorismo deles. Afinal, aquele bando de caipiras que se auto-declaram Purificadores, cada vez mais sob a liderança de Jace Turner, conseguiram, sem muita dificuldade, atrair todos os manés mutantes para um lugar só sem que eles sequer desconfiassem de nada e, pior ainda, na confusão, não conseguissem, com todos os seus poderes, montar uma defesa minimamente eficiente que não significasse o infeliz sacrifício de Shatter, personagem que poderia muito bem continuar na série, sendo trazido para o grupo principal e não aparecendo só para morrer, mesmo que sua morte, com “sangue cristalizado” jorrando, tenha sido muito boa.

Aliás, também foi muito boa a conversa de Shatter com Reed, que, apesar de ser o mais velho ali do grupo, é o que menos sabe controlar suas emoções (ok, ele descobriu agora que é mutante, mas ele merece uns tapas pelo histerismo). Novamente, uma origem dos quadrinhos é usada de maneira orgânica na narrativa, e a tragédia de Shatter, apesar de ajudar Reed, torna ainda mais irritante sua morte minutos depois.

Tomara que Reed evolua nos próximos episódios, especialmente agora que ele parece ter perdido o controle de vez de seus poderes e que a informação que Caitlin e Lauren conseguem sobre Rebecca e que prova que a menina já era louquinha de pedra antes mesmo de ser internada no sanatório, tragam o drama e o conflito necessários para a temporada realmente decolar. Afinal, não serão momentos de ação como o vindouro assalto ao tal banco que financia atividades anti-mutantes que trarão o estofo necessário para trabalhar os temas que precisam ser abordados. O drama humano – mesmo que seja homo superior – é bem mais interessante e importante e é algo que Nix vem apostando desde o começo, mesmo que por vezes escorregue.

iMprint é mais um bom episódio de uma temporada ainda somente um pouco mais do que morna. É certamente mais do que eu esperava que a série poderia ser, mas, depois de ver do que Nix é capaz, fica aquela sensação de que ele poderia fazer muito mais pelos primos pobres dos X-Men.

The Gifted – 2X06: iMprint (EUA, 06 de novembro de 2018)
Criação e Showrunner: Matt Nix
Direção: Michael Goi
Roteiro: Dawn Kamoche, Ariella Blejer
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Coby Bell, Jamie Chung, Blair Redford, Emma Dumont, Skyler Samuels, Grace Byers, Hayley Lovitt, Jeff Daniel Phillips, Erinn Ruth, Michael Luwoye, Adam David Thompson, Tom O’Keefe, Anjelica Bette Fellini
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.