Crítica | The Handmaid’s Tale – 2X06: First Blood

Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Ok, vamos começar com a declaração de que o final desse episódio foi épico e já é uma das coisas mais gratificantes e maravilhosas que eu presenciei em The Handmaid’s Tale. Certo? Antes, porém, de chegarmos ao final, vamos falar do episódio, que não foi assim tão bom quanto o seu soberbo desfecho.

É com prazer que acompanhamos a retomada de June em relação à sua vida. Eu fico só imaginando a cara das pessoas que falaram todas aquelas coisas em relação ao show, quando decidiram abandoná-lo no terceiro episódio. Escrito por Bruce Miller e dirigido por Mike BarkerFirst Blood aborda uma questão importante para a série, a partir do ponto de vista da aia, criando ao mesmo tempo um jogo de identificação ou de crueldade, mostrando para o público que neste mundo existe muita coisa não dita e vivida, e que todo mundo tem duas faces para mostrar. Vejam, por exemplo, a relação que se dá entre June e Selena — e aqui, vale dizer, que Yvonne Strahovski rouba todas as cenas em que aparece, mesmo contracenando com um monstro como Elisabeth Moss.

A sensação de completude vai sendo conquistada aos poucos, pelo roteiro, e o espectador sofre um pouco com isso. Por um lado, é compreensível que o texto tenha que ir por um caminho mais “monótono” da vida de June. O propósito aqui é não fazer com que sua retomada de consciência e ações críticas pareçam abruptas, o que de fato seria um problema. Mas diante desse modelo geral, o que temos é um capítulo lento demais, onde pouca coisa realmente importante para a série acontece. o que não significa que os conflitos apresentados sejam ruins.

A relação entre Nick e sua esposa me cortou o coração, me enojou e me deixou irado quando ele disse que ela tinha 15 anos. Eu já comentei, em Seeds, o quanto temos a presença, na série, de coisas semelhantes em nosso mundo, e casamentos entre adolescentes e até crianças, com homens (podem ser jovens ou muito, muito mais velhos, o que é mais comum), seguem em diversas sociedades (a Índia e os países do Sudeste Asiático ou do centro da África possuem esse costume até hoje. No Brasil, não faz muito tempo, isso era igualmente comum, especialmente na região Nordeste). Dito isto, essa dinâmica do casamento arranjado com uma adolescente é uma das coisas mais bizarras e, infelizmente, reais que temos na série, o que a torna dramaticamente muito interessante e moralmente infame.

Já o bloco de June padece justamente do propósito para o qual foi criado. Eu entendo perfeitamente o por quê do roteiro seguir esse caminho, entendo e concordo que isso tenha sido necessário para não parecer que ela “mudou do nada”, mas isso não significa que essa dinâmica funciona bem ao longo de 50 minutos, não é mesmo? E não, não funciona bem o tempo inteiro. Gosto particularmente da presença de Selena aqui, que traz uma visão diferente para a personagem, inclusive com um flashback para sua atividade como “pregadora da palavra” (perceberam a brincadeira de tons com a fotografia? A escolha de cores-padrão para Gilead é um reflexo do mundo sem graça e desbotado dessas personagens pré-ataques), provavelmente a palavra que daria origem a Gilead. O que fiquei confuso aqui — e por favor, refresquem minha memória —  foi o seguinte: ela não era feminista? Lembram-se daquela visita da comitiva internacional? A “vida passada questionável” de Selena não veio à tona, em uma pergunta da representante mexicana?

Agora passamos para o final. E… MINHA DANDARA DO CÉU, O QUE FOI AQUILO, PELO AMOR DE JOANA D’ARC?  Meu coração começou a bater quando ela estava com o dispositivo perto do pescoço, porque eu achei que era uma agulha, que ela ia se matar ali. Mas era outra coisa!!! Eu juro pra vocês que eu dei um grito tão alto, no sofá de casa, que a Vodka (minha cadela, uma dálmata fofíssima) deu um pulo do meu colo, coitada, e foi pra longe, achando que eu tinha enlouquecido de vez. Eu perdi a linha. Gritei, aplaudi, o coração realmente quase saindo pela boa. Foi muito pessoal para mim, aquela cena, e imagino que para as espectadores mulheres, tenha sido muito mais. Pela primeira vez, desde que comecei The Handmaid’s Tale, eu termino um episódio lacrimejando de pura felicidade…

The Handmaid’s Tale – 2X06: First Blood (23 de maio de 2018)
Direção: Mike Barker
Roteiro: Bruce Miller
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Jordana Blake, Alexis Bledel, Madeline Brewer, Amanda Brugel, Greg Bryk, Robert Curtis Brown, Ann Dowd, Allie Dunbar, O-T Fagbenle, Nina Kiri, Stephen Kunken, Caitlin McConkey-Pirie, Max Minghella, Romii Reilly, Yvonne Strahovski, Sydney Sweeney, Samira Wiley
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.