Crítica | The Handmaid’s Tale – 2X07: After

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Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Se não tivessem as cenas no Canadá e se a cena nas Colônias fosse melhor integrada ao episódio, como um todo, After já estaria entre os melhores capítulos desta temporada. Isso porque o roteiro de Lynn Renee Maxcy está repleto de coisas importantes para o show, desde a fomentação da esperança entre as aias (e novamente, não consigo deixar de rir dos discursos precipitados de… “uh, esta série, oh, está muito, ah, pornô, ih, de tortura, eh…!“) até a preparação de um terreno para uma mudança de organização política em Gilead. E isso não é pouca coisa.

Depois do chocante encerramento de First Blood (um episódio bom, mas que entregou pouco, apensar do excelente desfecho), todo mundo estava muito curioso para ver os rumos que a série tomaria, já que um grande número de Comandantes haviam morrido e a paz intocável da República de Gilead, lugar até então “perfeito” — segundo a visão dos indivíduos ligados ao poder teocrático –, havia sido abalada. Aqui, a primeira coisa que temos é o esperado funeral, mas notem: não dos Comandantes e sim das aias! Mesmo em um contexto aterrador, o ritual é esteticamente muito bonito e, mais uma vez, Tia Lydia mostra uma preocupação particular com “suas meninas”, lamentando, de fato, as que morreram durante a explosão. A fotografia metálica, conseguida através do contraste entre a neve, o filtro azul na tela e os figurinos das mulheres, torna tudo ainda mais macabro, intensificando a sensação de perda e disseminando o terror, percebido imediatamente pelo breve período em que o novo Comandante passa no cargo, promovendo um real terror nas ruas.

Há um senso de identificação e fortalecimento de identidade, neste capítulo, que a série nunca havia mostrado até então. E, ao contrário do que muita gente possa imaginar, isso não significa que horrores dessa sociedade irão desaparecer e que absolutamente tudo mudou. Mas a coisas realmente começaram a mudar após o sacrifício de Ofglen. A explosão da bomba, seguida de um recrudescimento temporário do regime, deu as cartas para algo maior, que, pelo visto, deve trazer problemas logo logo para as mulheres mais fortes (já exploro isso melhor), servindo para tirar personagens de uma certa estagnação, colocando-as novamente na linha de batalha.

Ficam soltas apenas as cenas no Canadá e a cena nas Colônias, embora esta última seja compreendida no contexto do episódio, mesmo que não traga nada demais e não tenha uma boa ligação com a linha principal. Já o dilema de Moira fica sobrando mesmo. Esses momentos não são ruins e têm um impacto emotivo considerável, com boa interpretação da atriz e ótimo uso de trilha sonora, no flashback e no presente. Mas sequer o tema principal é retomado como motivador aqui, a ponto de Luke aparecer como um “Senhor da Indiferença”, algo irritante sob qualquer aspecto. O que vão fazer com esse personagem, agora que sua representação é completamente diferente daquela que começou a série?

O ataque de Ofglen deu às suas colegas a percepção de um ponto fraco no sistema. A sensação de vingança (parcial, mas já bastante válida) fortaleceu os ânimos e serviu para unir as mulheres, que agora sabem a importância de algo que June aprendeu no momento mais terrível de sua estadia ali: é necessário separar a persona-aia da verdadeira persona por trás daquelas roupas, sujeita àqueles estupros e dentro daquele regime. Se a união entre elas já havia se mostrado eficiente, embora muda, na recusa em apedrejarem Janine (até hoje me arrepio só de pensar naquele episódio), imaginem agora como elas vão encarar os novos desafios.

E como sempre, as mudanças afetam até mesmo os que estão no centro do poder. Aqui, Serena (reparem: eu usei o “R”!) se coloca em uma posição que provavelmente causará problemas, ou seja, a de liderança. Ela derrubou um Comandante, com a ajuda de Nick, e agora senta-se à mesa de Fred, enquanto dá a June a tarefa de editorar o novo documento para a base de segurança em Gilead. E com o mesmo gancho do dispositivo em destaque no outro episódio (o clique da bomba, causando destruição), temos aqui o clique da caneta, que deverá registrar um novo passo para esta sociedade. O quanto isso irá avançar, ainda não sabemos, mas a construção disso no presente roteiro, como consequência do ataque, foi muito bem feita e deliciosa de se assistir. Parece que o jogo virou, não é mesmo?

The Handmaid’s Tale – 2X07: After (30 de maio de 2018)
Direção: Kari Skogland
Roteiro: Lynn Renee Maxcy
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Alexis Bledel, Madeline Brewer, Amanda Brugel, Ann Dowd, O-T Fagbenle, Max Minghella, Samira Wiley, Greg Bryk, Stephen Kunken, Rebecca Rittenhouse, Sydney Sweeney, Nina Kiri
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.