Crítica | The Handmaid’s Tale – 2X09: Smart Power

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Todo mundo já passou por uma situação parecida. Diante da rotina, a vida e suas condições parecem papéis inevitáveis a serem cumpridos, enterrando, pouco a pouco, sonhos de mudanças e fuga daquilo que é corriqueiro, imposto, opressivo… o anormal quase aceito como normal. Até que alguma coisa acontece à nossa volta. Não necessariamente com a gente (na maioria das vezes, não é com a gente, mas isso não está fora de pauta). Cenas observadas, notícias trazidas por pessoas próximas. Coisas tristes ou coisas ruins que parecem ter um efeito de despertar em nós, tirando-nos de um estágio quase imperceptível de estagnação em níveis físicos, comportamentais e até emocionais. Esta é a mesma situação que, em diferentes níveis e ainda com indistintos desdobramentos, vemos hoje em The Handmaid’s Tale, nas linhas pessoais de June e Serena.

Particularmente, ainda acho que os produtores tinham uma ideia diferente em relação ao andamento da série nesse aspecto de mudanças e, quando a bomba veio, as pontas ficaram difíceis de se amarrar, o que forçou os showrunners a darem uma guinada nos textos da série, mantendo em alta a sua qualidade e essência, algo muito difícil de acontecer em programas que passam pelo mesmo processo. Neste Smart Power, temos um tom mais conspiratório tomando conta do show, claramente dando pistas para o final da temporada e lançando sementes para o seu terceiro ano.

A visita de Waterford ao Canadá era algo que nos intrigava. Com o ritmo que as coisas iam no começo desse segundo ano, só tínhamos a perspectiva de que uma aproximação diplomático-econômica entre Gilead e o “lugar de esperança” fosse tirar a única opção momentânea de fuga para as pessoas que viviam na ditadura fundamentalista onde antes eram os Estados Unidos. Mas as coisas caminharam para um rumo bem diferente. Aqui, o roteiro de Dorothy Fortenberry representa muito bem a ideia política de “Smart Power” (tentativa de equilibrar poderes bélicos e ações de força com alianças e contratos diplomáticos, além de apoio do maior número de forças possíveis) e, ao mesmo tempo que desenvolve o que pode ser uma quebra pessoal em Serena (tudo em relação a ela é nebuloso — ou talvez seja eu mesmo, que não confio na personagem), levanta suspeitas para o que pode acontecer com June. Em relação à visita internacional, não dá para ignorar a cena entre ela e o embaixador dos Estados Unidos (filmada com o primor de um flerte passivo-agressivo). Isso mesmo. Os EUA ainda existem e, ao que tudo indica, é apenas o território do Havaí.

Eu sempre me perguntei — e creio que a maioria de vocês também — qual era o tamanho territorial de Gilead e até que ponto os antigos EUA haviam sido destruídos, ou onde ficavam as Colônias. Tudo bem que a gente não tem resposta para tudo isso, mas a indicação de uma resistência e permanência de algo da antiga América já é um bom começo. Pensando nisso, é doloroso e ao mesmo tempo provocante ver Serena ser confrontada com todas essas cenas de um mundo que ela, anteriormente, reprovava e via como empecilho moral para a “causa divina”, mas que agora parecem gerar nela um tipo secreto de felicidade, que já nem consegue mais esconder. Dessa viagem, além do contato renovado da Esposa com o novo mundo e o conhecimento de que a culpa para a queda da taxa de natalidade é dos homens e não das mulheres (a pista já tinha sido dada com Ford e por uma frase de Serena sobre “muitas outras aias terem feito o mesmo“, ou seja, engravidado dos Olhos), algo parece que resultará em tragédia. Eden sabia das cartas-denúncia, porque deu o pacote em mãos para Nick. E essas cartas foram publicadas no Canadá. Se por um acaso o escândalo for dito por alguém perto dela, não levará muito tempo para que ligações sejam feitas e problemas apareçam pelo caminho. A cada episódio agora eu estou esperando Eden fazer alguma coisa muito ruim para alguém.

A conversa de June com Tia Lydia trouxe em cena mais um grande momento da personagem, com um tom de grande significado para o futuro. June sabe que seus dias na casa estão contados e teme pelo bebê. Uma forma de garantir a sua segurança é criar alianças e denunciar sutilmente (Smart Power!), como ela fez com Rita e depois, com tia Lydia. Mas no final das contas, essas madrinhas de sofrimento parece que não terão tanto trabalho assim. Ao que tudo indica, um novo plano de fuga está à vista. Renovada após a notícia sobre Moira e Luke, June dá a entender a colocação em prática de sua promessa ao bebê, no início da gestação. A força necessária para a quebra da rotina veio com as novas trazidas por Nick. O tempo de agir chegou?

The Handmaid’s Tale – 2X09: Smart Power (13 de junho de 2018)
Direção: Jeremy Podeswa
Roteiro: Dorothy Fortenberry
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Madeline Brewer, Amanda Brugel, Ann Dowd, O-T Fagbenle, Max Minghella, Samira Wiley, Sam Jaeger, Erin Way, Sydney Sweeney, Rohan Mead, Krista Morin, James Gilbert
Duração: 58 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.