Crítica | The Hollow Crown: Henrique IV – Parte 1

estrelas 3,5

Assumindo o trono das mãos de um rei de pouca ou nenhuma força política e bastante afeito a prazeres pessoais em detrimento do reino, Henrique IV acabou tendo a sua própria cota de problemas, atitudes impensadas e rebeliões que lhe fizeram sentir o amargo gosto do poder, segundo a visão de Shakespeare.

Henrique IV – Parte I é o segundo capítulo da Henriad Tetralogy, precedido por Ricardo II e sucedido por Henrique IV – Parte 2 e Henrique V. Neste capítulo, vemos o nobre que destronou o fraco Ricardo também padecer de fraqueza política, mesmo depois de tantos anos usando a coroa. Aquela atitude severa observada ao final de Ricardo II ainda permanece no Henrique desse momento da História, mas, além da velhice e de uma doença muda, ele tem uma Guerra Civil para dar conta e um filho que não consegue controlar para ensinar os deveres de um herdeiro ao trono.

Jeremy Irons (Henrique IV) e Tom Hiddleston (Príncipe de Gales, também chamado de Hal; futuro Henrique V) brilham nos papeis principais dessa adaptação de Richard Eyre, que direciona mais a atenção do espectador para os bastidores da vida do jovem e inconsequente Hal do que para a guerra e outros eventos que então se erguiam no seio do reino britânico.

É importante relembrar que a ilha da Grã Bretanha, como conhecemos hoje, é uma união de antigos reinos medievais (por isso sua unidade política é chamada de Reino Unido), a saber, Inglaterra, País de Gales e Escócia, e que conta também com a Irlanda do Norte (parte da Ilha da Irlanda) e a Ilha de Man. No momento em que a história de Henrique IV – Parte 1 acontece, essa divisão política não é plenamente firmada e brigas por cada reino não estão fora de cogitação, algo que vemos confirmar-se na guerra travada ao final da obra.

O grande problema desta adaptação, está na longa abordagem da boemia de Hal, Peto, Falstaff e companhia em detrimento da pequena citação aos eventos causadores dos levantes no reino – quando isso acontece, há uma sequência de cenas pouco reveladoras, como tudo o que envolve Hotspur, personagem importante no que diz respeito aos fatos políticos, mas que recebe um tratamento unicamente colérico e com isso acaba não acrescentando muito à obra (apesar da excelente atuação de Joe Armstrong). Outro ponto a ser questionado é a rápida mudança de comportamento de Hal, passando de um “Príncipe comum” para o homem de confiança de seu pai e líder de uma batalha importantíssima para o reinado de Henrique IV.

Como o roteiro não é inteiramente a representação da peça de Shakespeare, tendo suas modificações textuais para servir ao propósito dramático do diretor, esse tipo de abordagem poderia ser facilmente contornada e o problema da contextualização resolvido com um pequeno número de cenas. A adaptação não chega a ser ininteligível nesse quesito, mas com certeza é incompleta por conta disso.

Com o mesmo elogiável desempenho de elenco visto em Ricardo II e uma ótima produção (destaque para a direção de arte), Henrique IV – Parte 1 é uma boa mas não brilhante adaptação shakespeariana, todavia, consegue facilmente nos mostrar como um monarca orgulhoso e explosivo cava a sua própria derrocada política.

The Hollow Crown: Henrique IV – Parte 1 (UK, 2012)
Roteiro: Richard Eyre (baseado na peça de William Shakespeare)
Direção: Richard Eyre
Elenco: Jeremy Irons, Tom Hiddleston, Alun Armstrong, Joe Armstrong, John Ashton, Will Attenborough, Conrad Asquith, Simon Russell Beale, David Beames, Jim Bywater, Alexandra Clatworthy, Ian Conningham
Duração: 110 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.