Crítica | The Hour – 2ª Temporada

estrelas 4,5

O novo status de estrelato sobe à cabeça do âncora do The Hour. Dessa vez, o reconhecimento não depende tanto da notícia, mas da fama advinda do fato de ser um rosto conhecido que está dentro da casa das pessoas todas as noites durante 60 minutos.

A trama que partiu da espionagem durante a guerra fria, agora toma feições de suspense policial. Essa transição foi bem sucedida e a narrativa soube se apropriar dos novos rumos para abordar a atmosfera sensual e corrompida, de fumaça e uísque dos salões noturnos chefiados por gangsteres.

Durante uma corrida armamentista, quem detém informação tem poder. A série ganhou um vilão, e a figura do antagonista, Raphael Cilenti, é encarnada pelo ator Vincent Riotta. É por meio de chantagens que o gangster controla os favores de homens poderosos e incita a corrupção governamental, corporativa e policial para seu próprio ganho. Em contrapartida, uma loira ganha a atenção dos homens sendo capaz de arrancar segredos que podem pôr a perder tudo que Cilenti armou.

Em meio a esse cenário, os jornalistas têm de enfrentar a concorrência estabelecida com a estreia de um novo programa que está roubando a audiência. Na redação, o clima tenso toma conta com a chegada de um novo editor-chefe, que exala mistério e abraça uma postura discreta e rígida.

A condição para que esse personagem, que assume uma figura decisiva na trama, aceitasse o trabalho chefiando o The Hour foi trazer de volta Freddy. A estrela da primeira temporada que passa a ser mais maduro e desempenha ainda a função de investigador, mas agora divide espaço com Bel.

Essa personagem feminina parece ter ganho mais destaque e dinamismo, deixando de lado os conflitos amorosos para explorar com mais afinco os conflitos no ambiente de trabalho. Essas várias tramas secundárias são responsáveis por girar o relógio com intensidade suficiente para prender o espectador. Enquanto Fred carrega em si a mensagem de que as grandes corporações e o capitalismo são a razão da destruição da república.

A trama caminha para um tenso e chocante clímax onde amores serão assumidos, crimes cometidos, humildades restabelecidas e esqueletos desenterrados. No entando, com uma cena final indefinida, a série teve a terceira temporada cancelada. O que por um lado pode muito bem significar uma possível retomada no futuro, terminou deixando os fãs da série inconsoláveis.

The Hour – 2ª temporada (Reino Unido, 2012)
Criadora: Abi Morgan
Diretor: Diversos
Roteiro: Abi Morgan
Elenco: Romola Garai, Ben Whishaw, Dominic West, Anna Chancellor, Joshua McGuire, Lisa Greenwood, Oona Chaplin, Vincent Riotta
Duração: 60 min por episódio

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.