Crítica | The Iron Legion – Doctor Who Magazine #1 a 8

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Nota de agradecimento: Em primeiríssimo lugar que deixar o meu caloroso agradecimento ao caro Dalek “Ritter Fan” Caan pelo inestimável presente de aniversário que foi o volume Doctor Who – Dave Gibbons Collection, que contém as 69 primeiras edições dos quadrinhos lançados na Doctor Who Magazine em inédita versão colorizada. Além de ser um volume lindo e me fazer surtar ao recebê-lo, foi mais um item para a minha coleção de coisas da série, pelo que agradeço imensamente ao Ritter, como um Adipose feliz da vida dando tchauzinho e entrando na nave-mãe…
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Esclarecendo a bagunça da DWM

A Doctor Who Magazine (DWM) é a mais antiga revista baseada em uma série de TV ainda em publicação. Ela foi criada em outubro de 1979 pela Marvel Comics do Reino Unido, no meio da exibição do Arco #105, City of Death, na era do 4º Doutor.

Os volumes da DWM trazem matérias diversas sobre a série, entrevistas com os atores, equipe técnica e demais envolvidos no projeto ou produção de determinada época, além de detalhes de bastidores, filmagens, Universo Expandido e, claro, histórias em quadrinhos. Desde a criação da revista, apenas 2 edições são trouxeram HQs em suas páginas.

Em DW, até a revista oficial se regenera. É a mesma coisa, só que em outra encarnação e com novo nome! Não se desespere!

O que pode confundir muito os leitores é a variedade de nomes que a revista recebeu ao longo dos anos. Hoje a conhecemos por Doctor Who Magazine, mas nem sempre foi assim. Todavia, tenham em mente que se trata exatamente da mesma revista, só que com nomes diferentes, alterados por alguma mudança na frequência de publicação, acordo com editoras ou com a BBC. Perceba que de nome para nome a contagem das edições foi mantida em continuação. Para todos os efeitos, utilizaremos apenas o nome atual ou sua sigla, DWM, para designar todas as fases da revista, a não ser em casos muito específicos que serão comentados no texto, se existirem. Vamos ao nomes.

a) Doctor Who Weekly – publicada entre outubro de 1979 e agosto de 1980 (edições #1 a 43);

b) Doctor Who – A Marvel Monthly – publicada entre setembro de 1980 e janeiro de 1982 (edições #44 a 60);

c) Doctor Who Monthly – publicada entre fevereiro de 1982 e janeiro de 1984 (edições #61 a 84);

d) The Official Doctor Who Magazine – publicada entre fevereiro de 1984 e março de 1985 (edições #85 a 98);

e) The Doctor Who Magazine – publicada entre abril e novembro de 1985 (edições #99 a 106);

f) Doctor Who Magazine – publicada a partir de dezembro de 1985 (edição #107 – atualidade).

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The Iron Legion (DWM #1 a 8)

estrelas 4,5

Equipe: 4º Doutor
Espaço-tempo: Londres, 1979 / Roma alternativa, 3021º ano da R.I. (Regency of Ironicus).

Para começar é importante falarmos sobre a datação dessa história. Já na primeira página, temos uma bela representação da Guerra Infinita promovida pela Legião de Ferro a serviço dos Malevilus, uma raça que lembra muito os Krillitanes de School Reunion. O narrador deixa claro que eles estão em Londres e, como existem indicações contemporâneas, é lícito assumirmos que a história nesse ponto é ambientada naquele tempo presente, portanto, 1979. Essa é a parte fácil.

A parte difícil vem quando o roteiro leva o Doutor para uma versão da História do planeta Terra onde Roma nunca caiu. Nessa realidade alternativa, o Império Romano se estendeu não só pelo planeta mas pelo Universo, estendendo seus tentáculos por diversos planetas. Todavia, esses romanos não fizeram o serviço sozinhos. Eles tiveram ajuda de uma raça alienígena, os Malevilus que citei no início, que têm uma agenda própria em toda essa brincadeira.

Pois bem, nesse ponto, poderíamos facilmente assumir que o Doutor foi levado para uma Roma alternativa no mesmo tempo em que ele estivera em Londres durante a invasão da Legião de Ferro, logo, 1979 (ele se moveu no espaço/dimensão, mas não no tempo). Contudo, em avançado momento da história, o General Ironicus diz que aquele era o ano 3021 de sua regência, ou seja, se pensarmos que ele já era regente desde a fundação de Roma, em 753 a.C. (mesmo sendo alternativa ela obedece as estruturas históricas da “Roma real”), temos então o ano de 2268. Como a história não esclarece bem essa questão, resolvi trazê-la à tona mas não afirmar a data no espaço-tempo para não dar a palavra final baseada apenas em uma teoria.

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A história da Legião de Ferro e da vida pela guerra é o foco central do roteiro de Pat Mills e John Wagner, que escrevem um maravilhoso texto para o 4º Doutor, com equilibrada dose de humor e uma aventura marcada por dois carismáticos companions temporários (Morris e Vesuvius), cada um adicionando à trama elementos necessários para dar emoção e divertir o público.

Diferente das tenebrosas publicações da TV Comic, a Doctor Who Magazine exigiu de seus artistas uma abordagem tão densa e inteligente quanto aquela que tínhamos na TV, colocando o Doutor em perigos notáveis e adicionando camadas de subtexto crítico, referências à História do planeta (ou da série) e resolução inteligente do conflito, tudo o que deveria ter em qualquer história em quadrinhos de Doctor Who mas que até o presente momento era raro encontrar.

Dave Gibbons desenha Tom Baker com o mesmo tipo de comportamento que o ator tinha na TV, alternando momentos de humor e seriedade, fazendo caretas, utilizando o cachecol como arma e faz-tudo, esse tipo de coisa. Às vezes não há nenhuma colocação no roteiro para determinada ação do Doutor, mas Gibbons adiciona uma espécie de easter-egg aqui e outro acolá, brincando com o personagem ao mesmo tempo que nos mostra a grandeza de uma Roma bélica regida por um General robô que respondia a um povo alien assassino.

The Iron Legion é a excelente estreia da DW Magazine no campo das histórias em quadrinhos sobre o Doutor. Uma história que, ao final de tudo, nos faz pensar muito em como seria se virasse um episódio de TV.

Doctor Who Magazine #1 a 8: The Iron Legion (Reino Unido, Out – Dez, 1979)
Relançamento com histórias colorizadas:
 Doctor Who – Dave Gibbons Collection (Reino Unido, 2009) – Editora IDW
Roteiro: Pat Mills, John Wagner
Arte: Dave Gibbons
Cores (adicionadas no atual relançamento, 2009): Andy Yanchus, Charlie Kirchoff
38 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.