Crítica | The Last Man on Earth – 1ª Temporada

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estrelas 2

The Last Man on Earth (2015) é o exemplo de série que começa como uma boa promessa, chama a atenção do espectador para uma história inteligente e com possibilidades instigantes, mas se desvia inteiramente do caminho construído nos primeiros capítulos e termina da forma mais patética que uma série poderia terminar: tentando encontrar um [novo] caminho ao invés de seguir e melhorar aquele tão interessante que estava em sua proposta inicial.

Criada por Will Forte, um produtor, escritor e ator com carreira inicial bem estruturada na TV, a série nos conta a história de Phil Miller (interpretado por Forte), um homem que está sozinho no planeta Terra. Já no piloto do programa, Alive in Tucson, ele é mostrado como alguém desesperado por companhia (ótimas referências ao filme Náufrago surgem aqui). Vemos sua longa viagem de dois anos por 48 dos 50 Estados dos Estados Unidos (exceções aqui são Alasca e Havaí) e as pistas que ele vai deixando no caminho, pichando as placas das rodovias com a frase que dá título ao episódio. Barbudo, desalentado e fazendo o que qualquer homem sozinho na Terra provavelmente faria, o personagem demarca seu território com sucesso e nos apresenta a possibilidade de uma ótima série que jamais viria existir.

A grande pergunta é: qual o problema de explorar mais a presença desse homem sozinho na Terra? Por que não dar algumas pistas sobre o tal vírus que dominou o planeta e fez as pessoas morrerem? Como Phil se livrou do vírus? Essas incômodas perguntas nos acompanham a temporada inteira e nos mostram que o programa poderia ser muito mais interessante se trouxesse essa jornada do “animal social isolado”. Ou talvez uma narrativa paralela com outros personagens aparecendo em cena também funcionasse, mas a questão é que muito cedo o título da série deixa de ser uma verdade e o espectador se sente enganado.

A primeira quebra desse padrão prometido é até bem aceita pelo público porque Carol, interpretada com muita graça por Kristen Schaal, é uma personagem e tanto. Ela é o contraponto ideal para o mal humorado e amargo Phil, estabelecendo com ele uma relação “amorosa” que, mais uma vez, poderia trazer excelentes possibilidades para a série, mas que é quebrada pela chegada de Melissa (January Jones), que desencadeia uma péssima mudança no comportamento de Phil, escanteia Carol (que mesmo assim carrega a série nas costas porque é a única personagem que ainda traz simpatia e humor verdadeiro) e muda pra pior o rumo do show, que só se sustenta bem em alguns elementos técnicos, especialmente a fotografia.

A adição de novos personagens na reta final da temporada só piora as coisas. Até o desenho de produção decai porque os espaços externos e alguns objetos deixam de ser estranhamente divertidos e assumem um papel de “coadjuvantes encaixados” (o pior tipo), já que com a chegada de tanta gente nova e o pouco tempo para criar uma trama que atinja um QI acima de zero para essas pessoas, só foi possível com o abandono das coisas legais da série (os embates inteligente entre Phil e Carol, as brincadeiras com a privacidade e a famigerada piscina de cocô, a piromania…) e dar espaço para um jogo de poder-e-sexo cujo sentido na história é zero absoluto. E aí entra a pergunta que não quer calar: qual o sentido dramático disso, se os personagens já apresentados só receberam atenção superficial? Não seria mais interessante construir bem um pequeno elenco que eventualmente encontraria outras pessoas, fosse ao final da temporada ou no ano seguinte?

A premissa The Last Man on Earth é rica e poderia gerar uma série curta e de qualidade (3 temporadas seriam ideais para contar uma história dessas a longo prazo), algo tornado impossível pela estranha visão de Will Forte para a trama que ele mesmo inventou. Querer mostrar acontecimentos ‘apelativos’ e clichês que descaracterizaram personagens bons não foi o melhor caminho para guinar o rumo de uma série com boas promessas. O excesso foi o erro. As coisas deveriam ficar no mínimo possível, com o acréscimo gradual de novos personagens ou tramas paralelas. Como diz um ditado popular, tudo demais é desmantelo.

E o mais incompreensível de tudo é que a Fox renovou a série. Vai entender…

The Last Man on Earth – 1ª Temporada (EUA, 2015)
Criador: Will Forte
Direção: Phil Lord, Christopher Miller, Jason Woliner, Phil Traill, John Solomon, Michael Patrick Jann, Peter Atencio, Claire Scanlon, Chris Koch
Roteiro: Will Forte, Andy Bobrow, Emily Spivey, Liz Cackowski, John Solomon, Tim McAuliffe, David Noel, Erik Durbin, Matt Marshall
Elenco: Will Forte, Kristen Schaal, January Jones, Mel Rodriguez, Cleopatra Coleman, Mary Steenburgen, Boris Kodjoe, Alexandra Daddario, Patti Forte, Jason Sudeikis
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.