Crítica | The Last Ship – 1ª Temporada

estrelas 4

Epidemias, pandemias e similares povoam o mundo do cinema e da televisão desde quase sempre. É um assunto que aguça a curiosidade do espectador e lança uma luz intrigante no comportamento da humanidade nesses casos.

Em The Last Ship o Capitão Thomas Chandler está em uma missão secreta e silenciosa (radio silence no jargão da marinha, ou seja, nenhum tipo de comunicação externa é permitido) que consiste em auxiliar a Dra. Rachel Scott em sua pesquisa. O que eles não sabem é que uma pandemia tomou conta do planeta e mais de 80% da população mundial foi dizimada, e que a Dra. Scott está procurando uma cura. Acontece que o Capitão Chandler não gosta nada de saber que esconderam a verdade dele e, principalmente, se preocupa com o que aconteceu a sua família, como também aos familiares de toda a tripulação. Enquanto navegam por mares desertos, precisam lidar com a pandemia de frente, enquanto lutam para se manterem vivos e encontrar a cura para poder voltar para casa. 

A princípio pode parecer que essa série não tem muito a oferecer, mas tal pensamento muda como as correntezas nas quais navega o USS Nathan James. Primeiro é o medo que toma conta da tripulação do destróier. Segundo são as informações aleatórias e terceiro o inimigo disfarçado de amigo.

Essa busca pela criação da cura passa a ser o tema base da temporada, enquanto o espectador constrói uma confiança nos personagens que vão fazendo o mesmo entre eles. Pois, há uma diferença entre obedecer ordens do seu comandante por ter que seguir a cadeia hierárquica e escolher obedecê-las por respeito e confiança. E esse desenvolvimento foi uma boa sacada dos roteiristas que ao invés de simplesmente colocarem marionetes dentro do navio seguindo ordens, souberam construir a individualidade dos personagens, dando voz a cada um dos membros do navio. Óbvio que existem aqueles que possuem mais destaque, mas nada que diminua os outros personagens, afinal, ninguém mantem um destróier ativo sozinho. 

Quanto ao aspecto técnico da série, pode ser que muitos torçam o nariz ao ler o nome de Michael Bay entre os produtores executivos, porém, nesse caso, seus conhecimentos com filmes de ação acabaram tendo uma boa contribuição no conjunto do seriado. Para os que estão familiarizados com o trabalho do diretor, saberão identificar seu dedo em algumas cenas da temporada. Os cenários dão mais veracidade à história e não foi poupado qualquer esforço nesse quesito.

Provável que a sagacidade de The Last Ship esteja no pensamento coletivo que conduz a trama. Não existe um “eu” estando dentro de um navio com mais de duzentas pessoas. Todas as ações são planejadas pensando no bem estar de cada um. O que é um diferencial, quando em filmes e séries do gênero, os grupos grandes logo debandam e vira cada um por si. E nós sabemos como isso funciona bem não é? Podem inserir a placa de sarcasmo.

The Last Ship – 1ª Temporada (EUA – 2014)
Showrunner
: Hank Steinberg. Steve Kane
Roteiro: Hank Steinberg. Steve Kane, Josh Schaer, Quinton Peeples, Cameron Welsh, Jessica Butler, Jill Blankenship, Onalee Hunter Hughes
Direção: Jonathan Mostow, Jack Bender, Paul Holahan, Sergio Mimica-Gezzan, Michael Katleman, Brad Turner
Elenco: Erica Dane, Rhona Mitra, Adam Baldwin, Charles Parnell, Sam Spruell, Travis Van Winkle, Marissa Neitling, Christina Elmore, John Pyper-Ferguson, Jocko Sims
Duração: 45 min. por episódio (10 episódios no total)

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.