Crítica | The Light at the End – Doctor Who: Especial de 50 anos (Big Finish)

estrelas 5

Big Finish Especial (2013)
Doctor Who: 50 anos
Equipe: 1º Doutor, 2º Doutor, 3º Doutor, 4º Doutor, 5º Doutor, 6º Doutor, 7º Doutor, 8º Doutor, Susan, Ian, Vicki, Steven, Sara, Polly, Jamie, Zoe, Jo, Leela, Nyssa, Tegan, Turlough, Peri, Ace, Charley.
Espaço-tempo: Totton, Hampshire, 23/11/1963 & The Factory, tempo indeterminado.

Eis aqui uma produção notadamente Especial da Big Finish, lançada para comemorar os 50 anos de Doctor Who em 2013. A aventura traz os 8 primeiros Doutores (um evento raro no universo expandido da série, tendo acontecido algumas poucas vezes até o momento) e alguns importantes companions de todas as encanações aqui presentes.

Para começar, é preciso localizar essa trama na vida corrente de cada Time Lord. Clique na aba abaixo para ver essas localizações.

The Light at the End na timeline de cada Doutor

Para o 1º Doutor, essa aventura acontece entre os arcos O Reino do Terror e Planeta dos Gigantes (breve aparição dele, Susan, Ian e Vicki).

Para o 2º Doutor, essa aventura acontece imediatamente após o arco The Power of the Daleks (ele, Ben e Polly encontram o “fantasma” de Charley).

Para o 3º Doutor, essa aventura acontece entre os arcos Planet of the Daleks e The Green Death (ele e Jo Grant encontram brevemente o “fantasma” de Charley).

Para o 4º Doutor, essa aventura acontece entre os arcos The Talons of  Weng-Chiang e Horror of Fang Rock.

Para o 5º Doutor, essa aventura acontece antes do arco Arc of Infinity.

Para o 6º Doutor, essa aventura acontece depois do arco Revelation of the Daleks.

Para o 7º Doutor, essa aventura acontece depois do arco The Greatest Show in the Galaxy.

Para o 8º Doutor, essa aventura acontece um pouco depois do audio Sword of Orion.

Se formos levar em conta a história como um todo, perceberemos que ela acontece em vários locais do Universo, mas sempre por breves momentos, não configurando um “local de ação” para os Doutores e seus companions. Por isso citamos apenas os dois principais cenários desta saga contra o Mestre. A primeira, em Hampshire, no dia 23 de Novembro de 1963 e a segunda, numa “Dimensão Pocket” chamada “The Factory”, que existe sob drenagem da energia do Big Bang!

Este local é um dos mais seguros dos Universos conhecidos e só é acessado por convidados. Na presente aventura, o Mestre faz da “Fábrica” a sua base de operações. Vale também dizer que o local é uma espécie de grande mercado negro de armas de todos os tipos (e que tem clientes como Daleks, Sontarans e Cybermen), administrado por uma espécie robótica de nome Vess.

Doctor Who Magazine #465 (Novembro de 2013): entrevista com os 5 Doutores (dos 8) que fazem parte de “The Light at the End“.

A história a aqui, como era de se esperar, acontece em blocos narrativos distintos, todas mostrando um Doutor por vez e como eles são confrontados com uma intensa luz vermelha pulsante na TARDIS, algo que nenhum deles houvera visto antes. Esse ponto de partida também tem um elo humano, um homem chamado Robert “Bob” Dovie, que tem sua vida marcada pela aparição de algumas TARDISes no quintal de sua casa, uma delas, chegando a quebrar a chaminé da residência e atrapalhar a brincadeira de seus filhos Kevin e Linda (posteriormente miniaturizados juntamente com sua mãe, pelo Mestre).

O roteiro de Nicholas Briggs é extremamente eficiente na construção do problema central e de como as muitas partes e linhas do tempo interagem. Apesar de parecer confuso à primeira vista, o modo como o autor junta as peças aparentemente soltas e com alto nível de detalhes para cada uma delas é algo admirável. Cada Doutor recebe a devida atenção — com menor foco nos três primeiros, unicamente porque os atores que os interpretavam estão mortos e a intenção da Big Finish era dar mais linhas e maior atenção para os atores ainda vivos, o que é plenamente compreensível.

E no meio de tudo isso, um grande número de companions, que algumas vezes chegam a contracenar! O encontro entre Peri e Ace, por exemplo, é inesquecível, e Ace me fez rir bastante quando chamou o 6º Doutor de “Joseph”, referindo-se ao personagem principal do musical Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat.

Lee Mead (Joseph) e Colin Baker (6º Doutor), um mashup de roupas extravagantes que não poderia escapar aos olhos de Ace. The zoeira never ends in the TARDIS!

Algo recorrente nas aventuras multi-doctors e que também vemos aqui é o fator “piadinhas geniais” trocadas entre os Doutores e entre seus companions. Desde elogios “a si mesmo” até comentários sobre o modo de agir ou sobre a roupa um do outro (o 4º Doutor simplesmente acaba com a roupa do !), essa relação não apenas serve como encanto do público mas mostra a oposição engraçadíssima entre uma regeneração e outra.

Talvez a personagem mais deslocada aqui seja a do Mestre, o vilão da aventura. Mas não digo isso para apontar que sua participação seja ruim, insatisfatória ou algo do tipo. Digo isso apenas em comparação com as aparições do personagem na série de TV, especialmente na Era Clássica. O que esse sombrio Time Lord faz aqui não é nada diferente de seu comportamento usual, mas sua participação é bastante pontual, objetiva, o que o torna um tantinho insosso. É um fator interessante, mas contrasta com o normal da série: sempre que ele aparece, há um grande destaque de suas ações.

Os Doutores #4 a 8 e o Mestre, em “The Light at the End“.

Com excelentes atuações em todo o elenco e irretocável produção Big Finish, The Light at te End é uma maravilhosa homenagem aos 50 anos de Doctor Who, uma aventura altamente recomendada para todos aqueles que gostariam de ver os 8 primeiros Doutores juntos e uma ameaça mortal às suas próprias existências, desde o início da jornada, na saída de Gallifrey. A história é instigante, engraçada e de valor notável para entendermos um pouco mais as possibilidade do Universo Who. E o final ainda traz uma excelente surpresa, com a volta do “elo humano” citado no início dessa crítica: num espaço de duas horas, na noite de 23 de novembro de 1963, Bob Dovie recebeu oito visitas em sua casa, de oito Doutores diferentes, que queriam saber “se estava tudo bem com ele”. É de fazer qualquer whovian rir muito e com muito gosto!

The Light at the End  é, sem sobra dúvida, uma obra-prima da Big Finish e uma das melhores aventuras multi-doctors já produzidas.

Trailer

The Light at the End (UK, out, 2013)
Roteiro: Nicholas Briggs
Direção: Nicholas Briggs
Elenco: William Russell, Frazer Hines, Tim Treloar, Tom Baker, Peter Davison, Colin Baker, Sylvester McCoy, Paul McGann, Louise Jameson, Sarah Sutton, Nicola Bryant, Sophie Aldred, India Fisher, Carole Ann Ford, Maureen O’Brien, Peter Purves, Jean Marsh, Anneke Wills, Wendy Padbury, Katy Manning, Janet Fielding, Mark Strickson, Geoffrey Beevers, John Dorney, Oliver Hume, Nicholas Briggs, Benedict Briggs
Duração: 2 episódios de c. 60 min.
Distribuidora: Big Finish Productions

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.