Crítica | The Making of Star Wars, por J.W. Rinzler

estrelas 5,0

Se você acha que é um expert em tudo sobre Star Wars e não leu esse livro, repense o que você acha sobre si mesmo.

Se você procura algum livro “de bastidores” sobre Star Wars (especificamente Guerra nas Estrelas, o primeirão, de 1977), então já pode parar de procurar, pois esse é o primeiro e potencialmente o único que você precisa comprar. Se você gosta só de fotos de bastidores de um making of de um clássico como esse, então, novamente, esse é o livro para se comprar. Se você tem um namorado/marido ou namorada/esposa ou amigo(a) ou pai/mãe, avó/avô, cachorro, periquito ou pagagaio que goste de Star Wars (porque você se cercaria de alguém que não gosta de Star Wars, não é mesmo?), The Making of Star Wars é o presente para dar.

“Ah, mas eu não sei inglês.” Infelizmente, o livro não foi lançado no Brasil ainda – espero que seja! – mas, mesmo assim, só pela riqueza fotográfica, ele vale o esforço. E ainda serve de incentivo para você se virar e aprender inglês, pois, convenhamos, já passou da hora até!

mosaico sw making of

O autor e seu excelente livro.

E não, não ganho absolutamente nada fazendo esses elogios hiperbólicos rasgados dessa obra de J.W. Rinzler publicada pela LucasBooks nos EUA em 2007 na versão capa dura e, mais tarde, em brochura (e, em 2013, em versão digital “ampliada”). Nadica de nada a não ser a enorme satisfação de compartilhar essa beleza que é o livro de Rinzler, o primeiro de uma trilogia (já lançada), cada um abordando um dos três filmes da Trilogia Original, a única que merece livros making of.

Antes de falar sobre o livro, que tem prefácio de ninguém menos do que Peter Jackson, deixe-me apresentar o autor para aqueles que nunca ouviram falar nele.

J.W. Rinzler começou sua carreira que seria para sempre marcada por tudo Star Wars como editor para obras de não ficção da Lucasfilm, mais especificamente da divisão de livros da LucasLicensing. Seus primeiros trabalhos foram as edições dos bem-recebidos dicionários visuais e semelhantes de Ataque dos Clones em 2002, logo depois trabalhando com o mesmo tipo de material para A Vingança dos Sith, em 2005 e, a partir daí, diversos livros das mais variadas naturezas dentro desse universo cada vez maior. Como autor mesmo, sua primeira obra relacionada com Star Wars foi The Art of Star Wars Episode III: Revenge of the Sith, de 2005, que coleciona artes conceituais, storyboards, sketches de produção e outros materiais que contam, visualmente, como o filme navegou do roteiro até o lançamento nos cinemas. Considerado como o “Indiana Jones” da Lucasfilm, por ser especialista em fuçar o material histórico da saga, Rinzler especializou-se em livros dessa mesma natureza, chegando ao ponto alto com o que é objeto da presente crítica e que foi extremamente bem recebido pelo público em geral.

A estrutura da obra é simples: um misto de texto e fotografias escolhidas a dedo. Muito do material visual é conhecido dos fãs mais ávidos, mas a grande maioria do conteúdo, que transita entre fotografias de bastidores como a que usei como imagem em destaque nesse artigo (e que capeia o livro) até bilhetes e cartas manuscritas por George Lucas e artes conceituais de Ralph McQuarrie, pinturas matte e modelos miniaturizados da Industrial Light & Magic, era inédita até o lançamento do livro.

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O bicho original não era digital…

Há, também, muitas entrevistas “perdidas”, a maioria do vice-presidente de marketing da Lucasfilm Charles Lipincott com nomes como Gary Kurtz e John Dykstra (além dos atores) à época da produção do filme. São todas muito interessantes ainda que, talvez, extensas demais e repetitivas até certo ponto. Mas elas criam um conjunto histórico valioso para entendermos Star Wars antes de ser o surpreendente sucesso que foi.

Mas o que realmente se destaca na obra, além da vasta quantidade de imagens que povoam o livro, é a detalhada história da IL&M, o fascinante braço de efeitos visuais e especiais criado única e exclusivamente porque não havia tecnologia cinematográfica para transformar a visão de George Lucas em realidade. Existem, sem dúvida, outros livros dedicados à Industrial Light & Magic, mas, aqui, Rinzler faz um trabalho que é integrado à visão geral do então pequeno conglomerado de Lucas, como, também, foca exclusivamente em Star Wars, sem abarcar o prolífico trabalho futuro que a divisão faria em dezenas e dezenas de outros filmes dos mais variados estúdios.

Rinzler aborda, com riqueza de detalhes, o desenvolvimento do roteiro que, em seu início, era uma mixórdia intergaláctica inacreditável (ele, lógico, não diz isso, mas é fácil deduzir, especialmente depois de ler The Star Wars, pelo próprio Rinzler), mas que acabou bem aparado nas pontas, condensando, remixado e literalmente refeito até se tornar aquilo que vimos nas telonas. Mas, olhar para trás e para as versões anteriores do roteiro final, é olhar também para frente, pois é perfeitamente possível ver, em estágio embrionário, diversos aspectos que, depois, seriam reutilizados na Trilogia Prelúdio, para o mal ou para o bem.

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Why so serious, Han?

Se existe um defeito em The Making of Star Wars é ele ser o fruto dos esforços de um funcionário da Lucasfilm, pesquisando e escrevendo sob os auspícios e muita intromissão e pré-aprovação de seu empregador. É como ler uma biografia autorizada pelo biografado: não há críticas pesadas, não há uma visão externa imparcial sobre a situação. Mas ok, faz parte. Ninguém de fora da Lucasfilm teria o acesso que Rinzler teve. Os leitores que aceitarem essa “troca” – acesso por uma leitura “chapa branca” – terão uma galáxia de fascinantes descobertas sobre sua saga favorita com esse livro. Portanto, não considero esse um verdadeiro defeito do livro, apenas algo inevitável e, francamente, perfeitamente esperado.

Vou encerrar repetindo só que em negrito agora: não deixe de comprar essa obra. Funciona como leitura interessantíssima, arcabouço visual fascinante e, além de tudo, fica lindo na estante (especialmente na versão capa dura, já esgotada).

The Making of Star Wars (Idem, EUA – 2007)
Autor: J.W. Rinzler
Editora (original): LucasBooks (ainda não publicado no Brasil)
Páginas: 372

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.