Crítica | The Manster

  • Filme dois de sete da Maratona de Horror que relatei em detalhes aqui

Não. Não há erro no título do filme. É The Manster, mesmo, com A, em um daqueles trocadilhos infames típicos de um departamento de marketing cheio de “ideias brilhantes”. Afinal, se é a fusão de um “homem” com um “monstro”, o resultado só poderia ser… rufem os tambores… um “homem-monstro” ou talvez “homonstro”, quiçá “monstromem”! Mas o mais engraçado é que esse título bobalhão já dá o tom para toda essa produção nipo-americana da MGM filmada integralmente no Japão, com grande parte da equipe técnica e do elenco composta por japoneses, apesar da língua original ser o inglês.

A história é uma versão fajuta de Frankenstein, com um cientista japonês, o Dr. Robert Suzuki (Tetsu Nakamura), que vive isolado do mundo com sua bela assistente Tara (Terri Zimmern) em um laboratório nas proximidades de um vulcão, fazendo experiências com humanos para avançar a evolução. Claro que os resultados de suas experimentações – que se restringem a injetar fórmulas em seus entes queridos (porque não?) – dão horrivelmente errado e, sem mais cobaias, ele acaba usando o jornalista americano Larry Stanford (Peter Dyneley), que aparece por lá para sua última reportagem antes de voltar aos EUA e para os braços de sua esposa, como “porquinho da índia” sem que, claro, a vítima tenha qualquer conhecimento.

O problema da produção não é sua premissa ou mesmo o estabelecimento da situação como descrevi acima. Tudo acontece de forma razoavelmente fluida e dinâmica nos minutos iniciais da fita, prometendo interessantes desenvolvimentos. No entanto, The Manster fica somente na promessa mesmo, pois o que se segue é uma espécie de longo filler que, ao longo dos 40 minutos seguintes (e reparem que a projeção tem apenas 73!), lida com Suzuki fazendo de tudo para convencer Stanford a permanecer no Japão por mais tempo, inclusive oferecendo sua assistente como “prêmio”. Os dois, então, tornam-se melhores amigos que saem para jantar, beber e se divertir em minutos que se transformam quase que em um guia turístico para americanos cafajestes e que, no processo, fazem o curto filme parecer bem mais longo do que é.

Quando a história finalmente avança para o lado monstruoso, ela o faz quase que sem ânimo, lidando com as gradativas transformações de Stanford sem gerar perigo ou urgência mesmo em meio aos assassinatos que acontecem. E tudo prepara para o grande momento final, que deveria trazer uma grande revelação, mas que, na verdade, é uma monstruosidade que mais gera gargalhadas do que qualquer semblante de pavor. A segunda cabeça que “nasce” do ombro de Stanford é tão útil sob o ponto de vista narrativo quanto o apêndice é para o corpo humano. É muito mais um exercício de maquiagem para a equipe técnica de próteses liderada por Fumiko Yamamoto, do que algo para ser levado minimamente a sério.

Mas, em meio a uma boa quantidade de bobagens, o trabalho de David Manson, que teve curtíssima carreira como diretor de fotografia, resulta em alguns bons momentos noturnos, em que o clima noir avança mais fortemente com o uso mais sólido e consciente do contraste entre luz e sombras para trazer um semblante de horror às ações de Stanford. Com o mesmo objetivo, a trilha sonora composta por Hirooki Ogawa ajuda no pouco de imersão que o filme permite, com notas melancólicas que estabelecem corretamente o trágico personagem do repórter cobaia, ao mesmo tempo que empresa um caráter mais sinistro ao Dr. Suzuki, que ganha uma performance histriônica de Nakamura.

The Manster é uma daquelas produções oportunísticas que foram criadas para navegar no sucesso dos filmes de monstro de sua época. Dramaticamente, porém, ela fica muito abaixo dos melhores exemplares dos anos 50, pois dilui a pouca história que tem em uma sequência de tomadas que apenas ocupam tempo, sem que haja uma efetivamente progressão narrativa lógica que una seus momentos iniciais com seu apressado clímax. Logicamente que isso não impediu que a fita figurasse entre aquelas obras que, com o tempo, tornaram-se cult aos apreciadores do gênero, mas ela certamente tem um apelo muito limitado, quase uma curiosidade fílmica fruto de um tempo mais inocente.

The Manster (EUA/Japão – 1959)
Direção: George P. Breakston, Kenneth G. Crane
Roteiro: George P. Breakston, William J. Sheldon
Elenco: Peter Dyneley, Jane Hylton, Tetsu Nakamura, Terri Zimmern, Norman Van Hawley, Jerry Ito, Toyoko Takechi, Kenzo Kuroki, Alan Tarlton, Shinpei Takagi, George Wyman
Duração: 73 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.