Crítica | The Marvelous Mrs. Maisel – 1ª Temporada

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Em 2017 chegou ao Brasil o serviço de streaming da Amazon, e eu admito que assinei assim que vi Community e Seinfeld no catálogo (sou apenas um mortal). Mas uma série aparentemente pouco comentada também estava me chamando a atenção. Comecei a assistir sem pretensão alguma, interessado apenas na premissa, bastante convidativa.

Miriam “Midge” Maisel (Rachel Brosnahan) é uma jovem com a vida perfeita, vivendo no Upper East Side ao lado de seu marido e filhos. Mas tudo começa a dar errado quando segredos são revelados e ela não sabe mais o que fazer. Neste momento de desespero inesperadamente encontra uma nova paixão: a comédia stand-up. E é na Manhattan da década de 50 que seguimos a jornada de Midge, que não vai ter sossego tão cedo.  

Criada por Amy Sherman-Palladino, a mesma responsável pelo sucesso Gilmore Girls, The Marvelous Mrs. Maisel é uma produção charmosa e encantadora em muitos aspectos. O principal deles é a protagonista Rachel Brosnahan, uma atriz talentosa que já participou de séries como House of Cards e The Blacklist (Rachel Posner e Jolene Parker, respectivamente. Ambas personagens recorrentes por algum tempo) e está finalmente recebendo a atenção que merece. Como Midge ela entrega uma ótima personagem, que consegue fazer o público rir num estalar de dedos com sua atitude espontânea e diálogos rápidos cheios de sarcasmo e comentários ácidos, tudo isso sem deixar de lado seus trejeitos e o visual de alta classe. Ela é tão convincente que muitas vezes parece estar improvisando, sem contar que os outros atores quase desaparecem em tela quando Brosnahan começa a falar. E olha que o elenco não é nem um pouco fraco.

Tony Shalhoub faz o pai de Midge, um estereótipo judeu que acaba funcionando por toda eloquência de Shalhoub, que convence e é engraçado de uma forma mais rígida e contida, o que acaba sendo um ótimo contraponto para o humor debochado de Midge. O elenco também conta com Alex Borstein, conhecida de muitos como a voz de Lois Griffin na animação Uma Família da Pesada. Aqui ela faz a agente de Midge, Susie Meyerson, que também rouba algumas cenas com seus comentários pessimistas e a atitude desleixada.

A série chama atenção com todo o cuidado visual, seja nos figurinos, no design interior dos apartamentos ou as ruas movimentadas da cidade. A atmosfera é bem aconchegante. A série toma tempo apresentando todos os seus elementos, o que é bom, mas também afeta o ritmo, e esse é um problema claro logo de começo. Cada episódio tem quase uma hora de duração e dá pra sentir de longe. Alguns arcos acabam ficando um pouco mais longos do que o necessário e certas cenas poderiam ser “podadas” sem que a narrativa seja prejudicada. Talvez a solução pudesse ser diminuir o tempo para menos de meia hora, o que pelo menos deixa um respiro entre os episódios. Do jeito que está, alguns podem ficar incomodados, olhando para o relógio, mesmo que a série tenha um valor estético alto.

The Marvelous Mrs. Maisel é uma produção que mostra mais uma vez o compromisso da Amazon com seu conteúdo original. Pode não ser um sucesso de público (ainda), mas já está agradando a crítica e as premiações – com a primeira temporada venceu duas categorias no Globo de Ouro este ano (Melhor Série Musical ou Comédia e Melhor Atriz em Musical ou Comédia para Rachel Brosnahan). O retrato da época cativa com suas roupas e música animada, mas você fica mesmo pelo roteiro perspicaz, os diálogos energéticos e os personagens atraentes.

The Marvelous Mrs. Maisel – 1ª Temporada — EUA, 2017
Criação: Amy Sherman-Palladino
Direção: Amy Sherman-Palladino, Daniel Palladino, Scott Ellis
Roteiro: Amy Sherman-Palladino, Daniel Palladino, Sheila R. Lawrence
Elenco: Rachel Brosnahan, Alex Borstein, Michael Zegen, Marin Hinkle, Tony Shalhoub, Bailey De Young, Brian Tarantina, Luke Kirby
Duração: 8 episódios de aprox. 57 min.

ROBERTO HONORATO . . . Criado pela TV, minha família era o programa dos Muppets e minha segunda casa era a locadora (era fácil de chegar, só precisava atravessar a rua). Não me incomodava rebobinar todas as fitas, e nem podia, já que assistia o mesmo filme várias vezes. E quando não é cinema, o cheiro de quadrinhos me chama de longe e preciso gastar dinheiro que não tenho. E nunca esqueça: #sixseasonsandamovie