Crítica | The Mist – 1X04: Pequod

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estrelas 3,5

– Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Quando as coisas estavam ficando paradas demais em The Mist, a série, enfim, nos entrega um capítulo que nos tira um pouco do lugar comum, renovando a ameaça representada pelo nevoeiro de maneira diferenciada, enquanto abala o cenário de cada micro-sociedade formada, visto que os personagens de cada um dos diferentes locais tiveram de lidar com difíceis decisões, que podem pavimentar o caminho para políticas diferentes na igreja e shopping. Antes de falar especificamente sobre Pequod, contudo, devo expressar minha surpresa ao descobrir que o ator que vive o padre Romanov é o mesmo que interpretara Bulldog Briscoe, da saudosa série Frasier! Engraçado enxergar como Dan Butler vive dois personagens completamente diferentes nesses dois seriados.

Voltando ao capítulo em si, Pequod já começa com a partida do grupo de Kevin da igreja, correndo até o carro parado do lado de fora, até descobrirem que ele não mais funciona. Os quatro decidem, então, correr até o posto de gasolina mais próximo, na esperança de encontrarem algum veículo parado por lá. Já na igreja, Nathalie continua seu estranho culto às criaturas que saem da neblina, enquanto o padre Romanov toma para si a missão de salvar a alma dos fiéis nesse que parece ser o julgamento final. No shopping, Vic e Ted acabam deixando entrar a névoa, que carrega consigo uma estranha criatura feita de sombras, correspondendo ao medo de uma garotinha do escuro.

É interessante observar como diversos momentos icônicos do conto de King acabam se fazendo presentes na série. Nesse episódio tivemos o indivíduo se guiando pela corda, apenas para ela arrebentar momentos depois. Esse memorável trecho ainda abriu espaço para algo que fortalece a teoria de que os seres da névoa se adaptam aos medos das pessoas mais próximas e, curiosamente, eles parecem escolher quem morre e quem sobrevive, visto que Alex foi deixada em paz (aparentemente) pelo ser das trevas. Naturalmente que isso, provavelmente, irá gerar questionamentos dentro do shopping, podendo comprometer a posição da garota e sua mãe, o que deve coincidir com a chegada do pai.

Aliás, Eve tem rapidamente se tornado a personagem mais detestável da série, com posturas hipócritas e fora da realidade, como dizer que gosta do fato do marido não estar lá, mesmo depois de ter visto diversos horrores no nevoeiro. Certamente isso deve ocasionar em um conflito futuro entre os dois, com Alex no meio. Levando em conta a constante perda de apoio de Eve dentro do shopping, é de se esperar que tudo escale para uma tragédia maior, ainda que seja cedo demais para dizer que algum personagem central irá morrer – o que provavelmente não acontecerá, visto que são poucos os showrunners com coragem para fazer algo assim.

O grupo e Kevin representa o lado maior de suspense, especialmente no conflito entre eles e o pai que aparecera buscando pelo filho. O problema desse trecho é que, tirando a informação acerca dos carros que não mais funcionam, ela não passou de mais um filler, funcionando apenas para nos distanciar do encontro entre o marido, esposa e filha. Claro que resta saber o que eles encontrarão no hospital, mas eu chutaria que será mais um grupo de sobreviventes, relutantes, de início, em receber mais estranhos. Por falar nisso, é curioso ver como existem tantos desconhecidos em uma cidade tão pequena. Outro detalhe importante, que deve ser apontado nesse foco, é o fato das portas do carro, no início, estarem abertas, exceto a do motorista, na qual Mia precisou atirar para abrir – claro descuido da produção, que deveria ter a mostrado abrindo as outras portas.

Na igreja, por sua vez, observamos outra linha narrativa cativante do conto original, com o novo culto de Nathalie ganhando mais força, o que pode significar que o padre Romanov há de perder os fieis para a mulher que, claramente, enlouqueceu. Fica aberta a questão, porém: como todos esses grupos irão dialogar entre si? Permanecerão isolados uns dos outros? Até que ponto essa estrutura irá se sustentar? Resta aguardar para descobrir.

Pequod pode não ser um episódio perfeito, mas, ao menos, deu uma bela abalada nas estruturas formadas desde a chegada do nevoeiro à essa cidadezinha. As três subtramas distintas estão em movimento, nos levando para caminhos desconhecidos, os quais, nos dão razão para continuar assistindo a série. O que Christian Thorpe precisa fazer, agora que estamos na beira da metade da temporada, é oferecer algumas respostas.

The Mist – 1X04: Pequod — EUA, 06 de julho de 2017
Showrunner: 
Christian Thorpe
Direção:
T.J. Scott
Roteiro:
Andrew Wilder (baseado no conto de Stephen King)
Elenco: 
Morgan Spector, Alyssa Sutherland, Gus Birney, Danica Curcic, Okezie Morro, Luke Cosgrove, Darren Pettie,  Russell Posner, Frances Conroy
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.