Crítica | The Mist – 1X05: The Waiting Room

estrelas 1

– Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Chegamos à metade da primeira temporada de The Mist e o ritmo da série, baseada no conto de Stephen King, se mantém na mesma lentidão que vimos em todos os capítulos anteriores. Evidente que a intenção do showrunner, Christian Thorpe, é a de construir, desenvolver individualmente cada um de seus personagens, mas isso se torna um problema quando a trama geral se mantém estagnada, repetindo a mesma fórmula semana após semana, de tal maneira que podemos prever o que irá acontecer a cada episódio.

Ao contrário dos anteriores, The Waiting Room foca exclusivamente no grupo de Kevin Cunningham, que chega ao hospital após Bryan ter sido baleado. O local se encontra em situação similar aos outros que vimos na série: com um grupo de sobreviventes ignorantes em relação ao que acontece do lado de fora, com uma parte do ambiente preenchido pelo nevoeiro – convenientemente, esse local é a sala de operações, necessária para que o irmão de Kevin, hospitalizado, seja salvo de seu grave ferimento. Enquanto ele tenta ajudar seu irmão, Mia descobre que Bryan não é quem ele diz ser e Adrian confronta outro garoto de seu colégio.

Chega a ser impressionante o quanto os roteiros do seriado repetem os mesmos elementos tantas vezes. Aqui vemos, mais uma vez, a necessidade de alguém desbravar o nevoeiro, em busca de algo específico e, assim como nas vezes anteriores, apenas um dos indivíduos que entram na névoa é atacado pelos seres que vivem dentro dela. O pior é que, nesse processo repetitivo, continuamos sem qualquer esclarecimento, visto que a série continua batendo na mesma tecla de que o nevoeiro traz algo relacionado à vítima dentro dele, como se os roteiristas não confiassem minimamente no espectador, que já captou isso há alguns episódios atrás.

Não bastasse isso, Amanda Segel e Christian Thorpe, que assinam o texto, inserem trechos de flashbacks, os quais não trazem praticamente nenhuma informação relevante para a trama. Sim, aprendemos que Alex não é a filha biológica de Kevin, mas isso poderia ter sido revelado a nós sem a necessidade de sequências filler. A sensação passada é que tais cenas estão presentes apenas para nos importarmos com o irmão de Kevin antes desse morrer, algo que funcionaria plenamente simplesmente pela interação entre os dois personagens no hospital, um dos poucos pontos positivos do episódio, fruto, em geral, da atuação de Morgan Spector.

Do lado de Mia temos uma total e completa artificialidade, já que a mulher defendia a unhas e dentes Bryan em um momento e, pouco depois, não hesita em roubar as chaves do carro e fugir do local. Claro que o fato do soldado não ser quem ele é abalou a personagem, mas o roteiro poderia, ao menos, ter investido em um conflito entre os dois, antes de Mia fugir sem dizer nada. Evidente que, muito provavelmente, ela irá voltar e presenciaremos uma discussão entre os dois, o que poderá acarretar em uma cisão dentro do grupo, mas, nesse capítulo, fomos deixados com essa pulga atrás da orelha.

No fim, a sensação que temos ao assistir The Waiting Room é que tudo isso não se passa de um grande filler, recurso utilizado para que a série justifique seu tempo de duração, prolongando um conto em longos dez episódios, sem muita história para contar, o que, claro, explica a repetição narrativa observada. Esperamos que alguma novidade seja inserida nos próximos capítulos, caso contrário, será difícil não cair no sono assistindo The Mist.

The Mist – 1X05: The Waiting Room — EUA, 20 de julho de 2017
Showrunner: 
Christian Thorpe
Direção:
Richard Laxton
Roteiro:
Amanda Segel, Christian Torpe (baseado no conto de Stephen King)
Elenco: 
Morgan Spector, Alyssa Sutherland, Gus Birney, Danica Curcic, Okezie Morro, Luke Cosgrove, Darren Pettie,  Russell Posner, Frances Conroy
Duração: 
43 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.