Crítica | The Mist – 1X07: Over the River and Through the Woods

estrelas 2

– Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Um dos aspectos mais intrigantes de The Mist, série baseada no conto homônimo de Stephen King, é o fato de  diferentes roteiristas serem creditados a cada novo episódio, mesmo que os textos sejam, essencialmente, iguais uns aos outros. Depois de semanas consecutivas, Christian Thorpe e sua equipe continuam chovendo no molhado, nos entregando as exatas mesmas premissas que fazem do seriado uma pura repetição de fórmula, prendendo o espectador em um loop perpetuado desde o season première.

Em Over the River and Through the Woods, a série novamente divide sua narrativa em três núcleos: hospital, igreja e shopping. No primeiro, vemos Kevin lidando com mais um sobrevivente maluco, que decide capturar e tentar assassinar Adrian – realmente não sei o que eles esperavam encontrar na ala psiquiátrica. Enquanto isso, Mia decide se livrar de seu vício de maneira radical, pedindo a ajuda de Bryan para tal. Na igreja a tensão entre o padre Romanov e Nathalie se intensificam e o padre decide, enfim, tomar uma ação definitiva. Por fim, no shopping, o clima de instabilidade aumenta, ao passo que a comida começa a acabar.

O grande problema de repetir os mesmos pontos de novo e de novo – aqui me refiro a mais um encontro com um louco, pessoas se forçando a entrar na névoa por alguma razão e a desconfiança de Eve em relação a Jay – é que a série acaba perdendo toda a sua credibilidade. A partir do momento que reconhecemos a similaridade narrativa entre um capítulo e outro, não por recurso estético, mas por falta de criatividade mesmo, nossa imersão é quebrada, prejudicando consideravelmente o envolvimento do espectador com o seriado. Afinal, a repetição gera a previsibilidade nesses três pontos levantados todos já sabíamos exatamente qual seria o resultado – uma pena, já que Romanov era um dos poucos personagens bem construídos da série.

Os poucos pontos diferentes em Over the River and Through the Woods, que merecem o devido destaque, é a cura de Mia, forçada, mas que funciona dentro do que fora apresentado e o conflito entre os dois lados do shopping. O primeiro funciona para fortalecer os laços entre a mulher e Bryan, algo que fora artificialmente construído até aqui, além de nos oferecer relances de respostas, algo tão ausente nessa série. Já o segundo ponto pode render algo verdadeiramente engajante nos próximos episódios, com Alex e Eve sendo culpadas pelo nevoeiro em si – aspecto, claro, tirado diretamente do conto, mas de forma diferenciada (lá os culpados são os pecadores e, em determinado momento, são escolhidos sacrifícios para se livrarem da névoa).

A travessia de Romanov e Nathalie pelo nevoeiro, apesar de não ser algo novo dentro do que fora apresentado dentro da série e o resultado do conflito ser mais do que óbvio, ainda nos rende uma bela sequência, ao som de melodias que remetem coros eclesiásticos, com direito a aparição dos Cavaleiros do Apocalipse. Naturalmente que isso apenas reforça a questão da névoa se adaptar de acordo com a pessoa presente dentro dela, algo que já sabemos desde o início da temporada e que Christian Thorpe não cansa de repetir semana atrás de semana.

Dito isso, com alguns pontos que se salvam, Over the River and Through the Woods configura-se como mais uma repetição de fórmula, uma cansativa tentativa do showrunner em nos enrolar, enquanto o breve conto de King é dilatado em diversos episódios dessa temporada, que, se dermos sorte, será a última. Embora esse capítulo seja levemente superior aos dois que o antecederam, já não existe qualquer interesse por essa série. Espero que algo aconteça, nos próximos episódios, para mudar isso.

The Mist – 1X07: Over the River and Through the Woods — EUA, 3 de agosto de 2017
Showrunner: 
Christian Thorpe
Direção:
Matthew Penn
Roteiro:
Daniel Talbott (baseado no conto de Stephen King)
Elenco: 
Morgan Spector, Alyssa Sutherland, Gus Birney, Danica Curcic, Okezie Morro, Luke Cosgrove, Darren Pettie,  Russell Posner, Frances Conroy
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.