Crítica | The Mist – 1X10: The Tenth Meal

Episódio:

estrelas 3,5

Temporada:

estrelas 3

– Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Caminhou a passadas muito lentas essa primeira temporada  de The Mist, série baseada no conto de Stephen King, com dez episódios que, facilmente, poderiam ter sido resumidos em, de repente, cinco, a fim de cortar todas as repetições mostradas desde o segundo capítulo. É seguro dizer, porém, que, apesar da lentidão, a série conseguiu construir seu clímax, que foi mostrado em The Tenth Mealseason finale desse ano mais que irregular. Vem como um grande choque, portanto, depois de toda a ênfase que vimos em alguns personagens, que eles sejam simplesmente descartados, cumprindo funções narrativas óbvias e nada surpreendentes.

Com todos os núcleos da série concentrados no shopping, o local se tornou uma bomba prestes a explodir. De um lado temos o gerente e segurança do shopping preocupados com a escassez de alimentos. De outro, Eve, Alex, Jay e Adrian se encontram presos em uma das salas, prestes a serem mortos ou expulsos dali. Kevin, por sua vez, continua sua caçada pelo estuprador de sua filha, com olhos sedentos por sangue. Connor e Nathalie procuram Jay, para que possam sacrificá-lo a fim de acabar com o nevoeiro. Por fim, Jonah/ Bryan tem de decidir entre seguir o seu companheiro do exército até Arrowhead ou continuar com os amigos que fizera nesses últimos cinco dias.

The Tenth Meal é um capítulo até bastante simples da série, visto que praticamente todas as subtramas se encontram em um ponto comum. Isso permite que o episódio siga, claramente, por uma velocidade maior, encontrando o ritmo que deveria ter sido o padrão durante todo esse ano. Chega a ser triste constatar que praticamente tudo o que vimos nesse finale poderia ter sido mostrado bem antes, abrindo espaço para mais revelações, visto que, nem nesse último, descobrimos qualquer coisa sobre a névoa que tomara conta da cidade – mistério esse que aparece de formas bastantes artificiais em determinados momentos, vide a recusa do soldado em contar qualquer coisa para Jonah.

O roteiro, porém, acerta ao enfatizar na loucura provocada pela crise nas pessoas ali. Perfeito exemplo disso é o segurança, que agarra o poder (através da arma) assim que pode, transformando o que iniciara como democracia em autoritarismo. O auge dessas insanidades, contudo, aparece com Nathalie, quando essa tenta explicar a Primavera Negra para todos os presentes, o que funciona como choque de realidade para Connor. Darren Pettie, aqui, merece nosso reconhecimento, demonstrando-se verdadeiramente abalado, tendo sua expressão alterada quando ele se dá conta do quão ridículas são as palavras dessa falsa profeta.

Voltamos portanto, ao desperdício de personagens já citado anteriormente e não há como não enxergar que Nathalie foi descartada logo cedo, jogando no lixo toda a subtrama envolvendo o seu culto à natureza. Sim, isso funcionou para fazer que Connor matasse seu próprio filho, o que prova ser uma das sequências mais angustiantes da temporada, novamente Pettie deve ser elogiado. Tal questão, porém, poderia ser resolvida de outra forma, deixando a profeta viva no fim, para que não enxerguemos todo o conflito com o padre na igreja como mero filler, afinal, somente o policial teve certa relevância nesse núcleo.

Felizmente, o roteiro nos distancia desses aspectos negativos através de momentos verdadeiramente catárticos, que se resumem à todas as ações tomadas por Kevin, que já demonstrara ser o melhor personagem da série (um dos poucos sensatos nessa história toda). Sua sede por vingança definitivamente garante o tom do clímax, com seu lado sombrio tomando conta do personagem, similarmente ao que vimos algumas vezes com Rick em The Walking Dead. As mortes no shopping, sim, são justificadas (à exceção da já citada Nathalie), visto que toda essa subtrama foi devidamente encerrada, abrindo, pois, espaço para diferentes construções futuramente, se houver uma segunda temporada.

É interessante observar como, mesmo com as explosões de ira, esse prova ser o episódio mais “humano” da série, evidenciando ao máximo todos os conflitos internos dos personagens, trabalhando-os de maneira a respeitar a construção mostrada até aqui. Infelizmente, vide toda a pura enrolação demonstrada até aqui, não temos como ter uma visão realmente positiva dessa temporada, que não nos entregou uma revelação sequer, dilatando uma história bastante curta em dez episódios. Resta torcer para que, se houver um futuro para o seriado, que Christian Thorpe, como showrunner, saiba criar narrativas mais envolventes e com conteúdo de verdade.

The Mist – 1X09: The Waking Dream — EUA, 24 de agosto de 2017
Showrunner: 
Christian Thorpe
Direção: 
Guy Ferland
Roteiro: 
Christian Thorpe (baseado no conto de Stephen King)
Elenco: 
Morgan Spector, Alyssa Sutherland, Gus Birney, Danica Curcic, Okezie Morro, Luke Cosgrove, Darren Pettie,  Russell Posner, Frances Conroy
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.