Crítica | The Night Of 1X07: Ordinary Death

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estrelas 5,0

spoilers! Confira as críticas para os outros episódios da série aqui.

Quando um dos policiais responsáveis pela investigação de um crime no subúrbio de Nova York (cometido contra uma mulher negra — percebam o padrão da minoria e o fato de ser mulher — nos mesmos moldes do crime contra Andrea), diz para Box que aquela era apenas uma “morte comum“, imagino que o ‘fator desconfiança’ dos espectadores de The Night Of tenha gritado imediatamente. E este comportamento pareceu seguir-se em diversas camadas ao longo de Ordinary Death, o penúltimo episódio desta saga de investigação sobre o crime do qual Nasir Khan é acusado de ter cometido.

Em Sansão e Dalila eu já havia sinalizado para uma retomada da direção em cenas claustrofóbicas, que marcaram o início da série (The Beach e Subtle Beast, em especial). O fato de termos aqui um episódio de tribunal contribui bastante para essa abordagem, mas mesmo nas cenas fora do julgamento vê-se o aprisionamento dos personagens, seja na forma como a câmera filma pai e filho andando ao lado de um muro com uma mensagem de ódio contra os muçulmanos (o crime passa a ter reflexos violentos na comunidade árabe da região) ou nas tomadas em interiores de casas, bares e outros estabelecimentos.

Nós temos aqui duas grandes impressões. A primeira, que o finale deverá ser absurdamente intenso, já que o nível de provas apresentadas e andamento do drama não apresenta pistas óbvias e conclusivas, não esgotando em nada o drama. A segunda, que o número de 8 episódios para a minissérie foi uma ótima escolha, pois traz o encerramento do caso em um momento em que a nossa atenção ainda está em alta, prometendo, se não uma reviravolta, uma enxurrada de provas e novas abordagens nesta investigação, tudo isso aparecendo no tribunal.

Além da cena inicial, onde uma morte com o mesmo modus operandi da de Andrea é declarada como uma “morte comum” — ironia e mistério mantidos como título do episódio, inclusive –, o roteiro intensifica a participação do padrasto de Andrea, agora agindo ativamente contra Stone, algo que sabemos ter sido uma péssima postura, já que o advogado não deixará que esse fato escape facilmente na reta final do julgamento, que deve trazer um pouco mais de complicações de bastidores visto que Chandra tem agora uma queda por Naz (ou o beijo foi algo isolado?). Na onda de mudanças de personalidades e novas formas de encarar as “primeiras impressões”, até os mocinhos entram no jogo e deixam suas máscaras cair.

A esta altura, não temos mais ilusões em relação a Naz. Seu comportamento na prisão, suas tatuagens, suas parcerias e desfaçatez (que tremenda a interpretação do ator Riz Ahmed!) dão ao espectador uma boa noção do que ele é, como pessoa. A desconstrução progressiva da pose de “bom moço” de Naz, no decorrer dos capítulos e a ação ao final de delação a Freddy denotam uma selvagem forma de encarar a própria sobrevivência, situação que nos faz pensar de forma ética a respeito, questionando se este não é o “padrão humano” para a mesma situação. Como agir diferente? A gota d’água que falta virá no último episódio. E penso que é tempo de perguntar a todos vocês: acreditam que Naz é inocente ou culpado?

The Night Of 1X07: Ordinary Death  (EUA, 21 de agosto de 2016)
Direção: Steven Zaillian
Roteiro: Richard Price, Steven Zaillian
Elenco: Riz Ahmed, John Turturro, Bill Camp, Peyman Moaadi, Poorna Jagannathan, Jeannie Berlin, Amara Karan, Michael Kenneth Williams, Sofia Black-D’Elia, Paul Sparks, Joe Egender, Daniel Gadi, Ariya Ghahramani
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.