Crítica | The Night Of 1X08: The Call of the Wild

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Episódio

estrelas 5,0

Temporada

estrelas 4,5

spoilers! Confira as críticas para os outros episódios da série aqui.

A HBO acertou em cheio com a produção de The Night Of e os cabeças da série (na direção e roteiro), Steven Zaillian e Richard Price, fizeram um trabalho admirável ao longo da temporada, terminando com um tipo diferente de intensidade em The Call of the Wild, título que faz referência ao livro de Jack London O Chamado da Selva (1903), que se passa no vale do Rio Klondike, no Canadá, durante a corrida ao ouro de 1897, e narra as aventuras de Buck, um cão de trenó que, após a morte de seu dono, foge e acaba liderando uma matilha de lobos.

Em Ordinary Death eu havia apostado em um “final intenso” para a minissérie, mas a rigor, não foi o que tivemos aqui. E digo “a rigor”, porque o nível de intensidade a que me referi antes foi algo mais ligado a ação e reviravoltas, o que não aconteceu. Em vez disso, o projeto de identidade lenta (no bom sentido) da série se manteve, com uma única diferença estética: a supressão dos filtros suavizadores para um maior contraste de cor na fotografia e um pouco mais de cor nas cenas, inclusive dentro da prisão.

O julgamento serviu para diversos exames de consciência e relativizou absolutamente tudo sobre todo mundo que teve o mínimo de destaque na série, especificamente nesse episódio; do juiz, aos pais de Naz. O pequeno escândalo antiético de Chandra, a pequena crise de consciência da acusação (que só deu um passo atrás quando o júri chegou a um beco sem saída, o que nos faz pensar de outra forma: e se tivessem decidido contra Naz?), a também crise de consciência do Detetive Box, agora aposentado; o constrangimento familiar e da comunidade paquistanesa/árabe após a libertação de Naz e os momentos finais na prisão, tudo isso passou um breve, mas contundente exame ético-moral e de sentimentos que deu ao final muito mais significado do que só o desfecho de um grande julgamento.

Diferente do que se possa pensar, não há nenhuma felicidade no fim de The Night Of. E novamente, os produtores acertaram a mão. O caminho da dúvida permaneceu na mesa — e é ainda mais medonho imaginar que existe uma possibilidade de Naz ter assassinado Andrea e estar solto –, instigado pelo prosseguimento do caso, com a investigação do corretor até então livre de suspeitas.

Mal visto pela sociedade, sem amigos, viciado e com o pior clima de convivência possível no seio familiar — além de estar visualmente marcado pelo período que passou na prisão — Naz tem, em tese, o pior cenário possível pela frente. Se formos ainda mais longe, entenderíamos que ele tem muito mais pontos negativos para enfrentar estando fora do que dentro da cadeia.

Chega a ser duro, mas encantador os dilemas expostos pelos roteiros ao longo da minissérie e principalmente como esses dilemas confinam os protagonistas em suas pequenas prisões particulares ao final de The Call of the Wild. É como se cada um dos personagens fossem bestas selvagens, em parte controladas, e que devido a um catalisador, quebraram suas grades, mas não conseguiram ou não puderam viver fora desse padrão de aprisionamento, assim, voltando-se para outras celas possíveis: o vício em drogas e em trabalho; a alergia causada por somatização de ansiedade; a desfaçatez da decepção materna; a desconfiança geral…

Nem sempre uma aparente vitória traz felicidade. O final de The Night Of é um dos grandes exemplos disso.

The Night Of 1X08: The Call of the Wild (EUA, 28 de agosto de 2016)
Direção: Steven Zaillian
Roteiro: Richard Price, Steven Zaillian
Elenco: Riz Ahmed, John Turturro, Bill Camp, Peyman Moaadi, Poorna Jagannathan, Jeannie Berlin, Amara Karan, Michael Kenneth Williams, Sofia Black-D’Elia, Paul Sparks, Joe Egender, Daniel Gadi, Ariya Ghahramani
Duração: 90 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.