Crítica | The Orville – 1X07: Majority Rule

– Contém spoilers. Leiam, aqui, as nossas críticas dos outros episódios.

Depois de um breve hiato de uma semana, The Orville retorna com um episódio extremamente relevante para nosso cenário atual, problematizando a voz dada a todos na Era da Informação, especialmente pela internet e suas redes sociais. Claramente inspirado no capítulo Nosedive, da terceira temporada de Black MirrorMajority Rule traz uma releitura sobre o sistema de votos apresentados nessa outra série de ficção científica, pontuando a importância da verificação de informações antes de tomarmos uma opinião e, claro, a relevância do sistema judiciário não pautado apenas na opinião popular.

No capítulo somos apresentados a uma sociedade puramente democrática, na qual tudo é pautado na opinião pública, que vota positivamente ou negativamente em relação a qualquer aspecto de suas vidas – desde assuntos ligados à medicina, até a justiça. Após o desaparecimento de dois antropólogos nesse planeta similar à Terra no seu século XXI, a Orville é enviada para descobrir o paradeiro deles, sem interferir na cultura local. Ao chegar lá, o tenente John LaMarr é preso por ter recebido inúmeros votos negativos por ter dançado ao lado de uma estátua de personalidade respeitada no planeta. Cabe, então, à Alara, Kelly e Claire salvarem o navegador antes que ele sofra uma lobotomia.

Em tempos que as informações não são verificadas antes do público demonstrar sua opinião, Majority Rule dialoga diretamente com o que vemos no dia-a-dia em todas as redes sociais. Uma acusação ou uma notícia falsa são o suficiente para gerar rebuliço, com a justiça sendo deixada de lado a favor do “se está no Facebook, então é verdade”. O roteiro do próprio Seth MacFarlane prova ser pontual e preciso nesse quesito, deixando bem claro que a voz do povo é importante, mas que ela representa apenas um passo de maiores processos, que devem incluir opiniões de especialistas, caso contrário cairemos na ditadura da opinião pública, não muito diferente do que vimos ao longo da História, com a Inquisição, Salem, dentre outras personalidades específicas, como Galileu.

Apesar de trazer muitas similaridades com o já citado episódio de Black Mirror, o texto de MacFarlane sabe muito bem se sustentar por si só, adotando uma veia mais otimista, enquanto aborda questões diferentes daquelas vistas na série original da Netflix. Com habilidade ele aproveita para criticar a cultura de talk shows e outros programas que se apoiam no sensacionalismo, moldando a opinião pública, criando uma massa que não pensa, apenas repete qualquer coisa que a ela seja exposta, sem o mínimo critério crítico. Soa como um ponto fora da reta, porém, o comportamento de John ao dançar com a estátua, algo que, mesmo levando em conta sua personalidade brincalhona, não combinou muito com o que foi apresentado, soando meramente como artifício do roteiro a fim de justificar a perseguição do personagem durante o episódio.

Apesar desse deslize menor, Majority Rule prova ser mais um excelente capítulo de The Orville, mostrando como a série sabe dosar a comédia com forte tensão, enquanto tece críticas à nossa sociedade. Apoiando-se em uma premissa já existente na ficção científica, o capítulo sabe andar em suas próprias pernas, utilizando o argumento de Nosedive apenas como trampolim, ao passo que explora diferentes temáticas relacionadas à preocupante falta de senso crítico da população. Que a série de Seth MacFarlane continue problematizando temáticas importantes como essa futuramente.

The Orville – 1X07: Majority Rule — EUA, 26 de outubro de 2017
Showrunner:
 Seth MacFarlane
Direção: Tucker Gates
Roteiro: Seth MacFarlane
Elenco: Seth MacFarlane, Adrianne Palicki, Penny Johnson Jerald, Scott Grimes, Peter Macon, Halston Sage, J. Lee, Mark Jackson,  Jeffrey Tambor, Holland Taylor, Chad L. Coleman
Duração: 44 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.