Crítica | The Orville – 1X09: Cupid’s Dagger

– Contém spoilers. Leiam, aqui, as nossas críticas dos outros episódios.

Depois de um tempo sem lidar com a relação entre o capitão Ed Mercer e sua primeira oficial/ ex-esposa Kelly Grayson, The Orville retoma o assunto de maneira bem-humorada e, ao mesmo tempo, dramática, enquanto retrata um possível acordo de paz quase indo por água abaixo pelos motivos mais pífios possíveis (o que não chega a ser tão distante de nossa realidade nesse quesito). Cupid’s Dagger, como o título já sugere, funcionaria perfeitamente como um capítulo especial de Dia dos Namorados, à própria maneira da série ser, é claro.

Como de costume, o capítulo tem início com um momento de descontração, com a tripulação da U.S.S. Orville de folga, assistindo alguns deles próprios cantarem em um palco. Momentos antes de Bortus cantar My Heart Will Go On (ironia perfeita considerando a temática central do episódio), Mercer e Grayson são contatados pela União para que a Orville medie um acordo de paz entre duas raças que sempre estiveram em guerra – cada uma acreditando que determinado planeta fora colonizado por sua raça primeiro. Para resolver esse assunto, uma antiga relíquia encontrado nesse local é trazido à bordo da nave e o arqueólogo responsável pela análise de tal item – que dirá quem esteve ali primeiro – é ninguém menos que Darulio, o indivíduo com quem Kelly traiu Ed.

Tirando a necessária dose de suspensão de descrença inicial, que permite que acreditemos que o arqueólogo escolhido foi justamente o estopim para o término do casamento entre o capitão e a primeira-oficial, Cupid’s Dagger funciona organicamente, lidando com questões já introduzidas, relacionando-as com a problemática central, que, por si só, já garante a sensação de urgência mantida ao longo da narrativa. De maneira bastante óbvia é traçado o paralelo entre o conflito das duas raças com o de Mercer e Grayson, ainda mais quando os feromônios de Darulio começam a fazer efeito, afetando até mesmo a doutora Claire Finn.

Aliás, de tudo o que fora mostrado durante o episódio, somente esses trechos com a médica soam um tanto fora do lugar. Ainda que isso tenha sido usado pelo roteiro a fim de justificar a descoberta de Alara Kitan, sentimos como se muito tempo tivesse sido perdido com a interação entre Claire e Yaphit, ponto que, de fato, não influencia o capítulo em absolutamente nada. Trata-se de um detalhe menor, porém, que não chega a atrapalhar consideravelmente nosso aproveitamento do episódio, garantindo apenas algumas boas doses de risada (e outras de desconforto), o que a trama principal, por si só, já é capaz de fazer.

O que soa um tanto quanto estranho é a ausência de qualquer menção à aparente atração de Alara pelo capitão – ponto que poderia ter sido abordado organicamente aqui. Não trata-se de um defeito, mas levanta perguntas sobre a intenção de MacFarlane acerca desse caso, chegando a provocar questionamentos sobre o abandono dessa possibilidade futura. No mais, é interessante observar como, através do humor, a fragilidade da paz entre duas nações é retratada, mostrando que, para garantir o peso da narrativa, não é necessário um tom sombrio.

Cupid’s Dagger, portanto, é um perfeito exemplo do que The Orville é capaz de fazer através de sua narrativa mais descontraída. Importantes temáticas são abordadas enquanto o elemento entretenimento não é deixado de lado, mostrando que a série, desde cedo, encontrou sua linguagem, nos atraindo cada vez mais, a tal ponto que já ficamos ansiosos pelo próximo capítulo.

The Orville – 1X09: Cupid’s Dagger — EUA, 9 de novembro de 2017
Showrunner: Seth MacFarlane
Direção: Jamie Babbit
Roteiro: Liz Heldens
Elenco: Seth MacFarlane, Adrianne Palicki, Penny Johnson Jerald, Scott Grimes, Peter Macon, Halston Sage, J. Lee, Mark Jackson,  Jeffrey Tambor, Holland Taylor, Chad L. Coleman
Duração: 44 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.