Crítica | The Paradise of Death e The Ghosts of N-Space

The Paradise of Death

estrelas 2,5

The Paradise of Death Doctor Who

Antes mesmo de a gloriosa Big Finish começar a produzir material em áudio para Doctor Who, a BBC já tinha percebido o potencial desse tipo de mídia e chegou a gravar duas aventuras, no formato full-cast, com o próprio Jon Pertwee no papel do Doutor e acompanhado pela excelente Elisabeth Sladen (Sarah Jane) e pelo inesquecível Nicholas Courtney (Brigadeiro). O primeiro desses arcos foi originalmente lançado entre agosto e setembro de 1993, tendo sido relançado em anos posteriores e até novelizado pelo próprio Barry Letts, autor do roteiro.

Letts escreveu (The Daemons, sob o pseudônimo de Guy Leopold), dirigiu (The Enemy of the World) e produziu (de Doctor Who and the Silurians a Robot) histórias para Doctor Who durante muito tempo, portanto, era de se esperar que ele conseguisse criar uma atmosfera que fizesse jus à série e a esta encarnação do Doutor. Isso infelizmente não aconteceu, porque The Paradise of Death é uma história medíocre, mas uma coisa é certa: alguns diálogos, o tipo de vilão e as situações colocadas aqui nos trazem a memória de muitos acontecimentos dos arcos televisionados e de certa forma nos deixa bastante nostálgicos.

A trama se passa logo depois de The Time Warrior e apresenta uma nova visão para o primeiro encontro de Sarah Jane com o Brigadeiro, além de uma nova versão para os eventos iniciais de Invasion of the Dinosaurs. Como não é possível encontrar uma explicação razoável que sirva para as mudanças do começo e do fim da saga, localizamos esta aventura dentro daquelas que formam uma outra linha do tempo, ou seja, estão corretos tanto os acontecimentos da TV (primariamente canônicos) quanto os das obras em áudio, aceitos dentro de uma outra realidade.

A premissa de The Paradise of Death é interessantíssima, com um parque de diversões que possuía dentre as suas atrações, monstros de outro planeta, gladiadores e realidade virtual, e tudo isso na Londres da década de 1970. A apresentação dos personagens funciona bem e a introdução do Doutor, Sarah e do Brigadeiro são primorosas, fazendo com que as nossas expectativas aumentem bastante em relação à trama. O grande problema é que uma linha de investigação jornalística encabeçada por Sarah se mistura à investigação da UNIT e uma desordem de eventos que acabará com a “morte” do Doutor e cenas filler de construção do vilão ocuparão espaço demais no arco, que poderia facilmente ter metade do tempo e talvez sim, nos contar algo muito bom.

Apesar dos tropeços a audição de The Paradise of Death acaba valendo a pena, porque matar a saudade do 3º Doutor e de dois dos companheiros mais queridos de sua era já é uma carta de validade irrecusável.

The Paradise of Death (Reino Unido, 1993)
Direção: Phil Clarke
Roteiro: Barry Letts
Elenco: Jon Pertwee, Elisabeth Sladen, Nicholas Courtney, Harold Innocent, Peter Miles, Maurice Denham, Richard Pearce, Andrew Wincott
Duração: 5 episódios de 30 min.

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The Ghosts of N-Space

estrelas 3

The Ghosts of N-Space doctor who

Diferente da aventura anterior, The Ghosts of N-Space conseguiu ultrapassar a barreira do estado mediano das coisas e nos oferecer uma saga instigante do Doutor, Sarah e o Brigadeiro estabelecidos na Itália, em 1975. Com o mesmo diretor e roteirista da jornada anterior, eu cheguei a imaginar que o resultado seria ainda menos agradável porque dessa vez tínhamos uma abertura para o N-Space (feita por Maximilian Vilmius) e monstros bem mais presentes e invasivos do que os enfrentados no arco anterior.

A trama acontece depois de Death to the Daleks e começa com um apelo pessoal e familiar do Brigadeiro para o Doutor, que está na Sicília visitando seu tio-avô Mario. Entre fantasmas que aparecem em diversos lugares da ilha, pessoas atacadas e ameaças recebidas, o Brigadeiro não tem outra alternativa a não ser proteger seu tio, e o que era para ser apenas uma visita acaba se tornando uma luta digna da UNIT, embora a instituição não esteja em jogo aqui.

A aventura também nos mostra Sarah extremamente ativa, cobrindo uma reportagem e ao mesmo tempo salvando a vida do Doutor e ao mesmo tempo guiando um lado sombrio da história, que traz elementos malignos e cultos satânicos, o tipo de coisa que parece sempre estar perseguindo Sarah Jane. Deviam ter percebido isso e criado uma espécie de trama mais elaborada — como uma justificativa que ninguém sabia até então — na série que a companion ganhou na Big Finish, Sarah Jane Smith.

O final da história possui um ponto de humor guiado por Sarah e um interessante destino e explicações para a fratura entre os universos e para o vilão, colocados fora de todas as expectativas óbvias. É claro que o desenvolvimento da história padece de cenários e perseguições que na verdade pouco adicionam ao enredo — o arco poderia facilmente ter apenas 4 episódios, ao invés de 6 — mas mesmo assim, é um bom arco, com uma história de caráter épico e uma execução e até abordagem bem diferente daquelas que tivemos na TV. Vale a pena conferir.

The Ghosts of N-Space (Reino Unido, 1996)
Direção: Phil Clarke
Roteiro: Barry Letts
Elenco: Jon Pertwee, Elisabeth Sladen, Nicholas Courtney, Richard Pearce, Jonathan Tafler, Don McCorkindale, Stephen Thorne, David Holt, Sandra Dickinson, Harry Towb, Deborah Berlin
Duração: 6 episódios de 30 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.