Crítica | The Ridiculous 6

estrelas 2

Bom… ninguém acerta o tempo inteiro, não é mesmo?

Depois de nos entregar um dos melhores filmes de 2015, Beasts of no Nation, o Netflix nos entrega um dos mais fracos e mais chatos filmes do ano, The Ridiculous 6, um faroeste satírico que emula o tema apresentado no trailer de Os 8 Odiados, de Quentin Tarantino, e se baseia na essência de Sete Homens e um Destino para nos contar uma história improvável de várias maneiras, que que não funcionam bem nas esferas secundárias (romance, comédia) ou primária (western).

Com roteiro de Tim Herlihy (co-roteirista de um dos piores filmes do ano, Pixels) e Adam Sandler (bem… é Adam Sandler), o filme narra um momento delicado da vida de Tommy “Faca Branca” (Sandler), que foi criado em meio aos índios e, de forma inesperada, conhece seu verdadeiro pai, imediatamente sequestrado por um bando e a quem Faca Branca resolve salvar. Nesta jornada o “índio branco” acaba conhecendo seus cinco irmãos por parte de pai, e juntos, os seis cavalgarão pelas planícies do Oeste com basicamente duas missões: roubar dinheiro de pessoas desonestas (com várias referências a Jesse James – Lenda de uma Era Sem Lei) e encontrar o pai em um lugar remoto e de grande importância para o velho.

Tentando fazer comédia nos moldes anárquicos de Banzé no Oeste, o diretor Frank Coraci e os roteiristas realizaram um filme que aponta para vários lugares mas não consegue bom resultado em nenhum deles. Nesse sentido, a obra se assemelha muito a outro western cômico recente, Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (2014), onde a comédia ou situações nonsenses acabam recebendo mais espaço do que a história, resultando em pequenos atos que até poderiam ter maior graça se estivessem plenamente ligados a um braço do enredo, mas acabam se tornando uma ação isolada e de pouco ou impacto no público, tais como a cena escatológica com o burro, a cena do barbeiro com Steve Buscemi, as cenas de acampamento e a estranha estrutura de “serviços de Hércules” pelos quais os irmãos devem passar até conseguir uma certa quantia em dinheiro, encontrar o pai e salvá-lo.

O começo e o final do filme são os seus piores momentos, onde absolutamente tudo é barato, clichê, mal escrito, mal dirigido, mal atuado e sem respaldo técnico que lhe dê algum ponto de crédito. Até a trilha sonora, a direção de fotografia e a edição de som são esquecíveis nesses dois momentos, em parte porque o roteiro não ajuda a construção de nada realmente interessante e em parte porque o emprego desses setores realmente não funcionam nestes dois momentos. The Ridiculous 6 só tem algo realmente bom após Faca Branca encontrar seu irmão Lil’ Pete (Taylor Lautner, o personagem mais simpático dentre os irmãos, apesar de se igualar à chatice dos outros, no final) e até a explosão da bomba que estava na sacola destinada a Cicero em uma das sequências finais.

O que não se pode deixar de dizer é que Frank Coraci, apesar da concepção estranha da história que dirige, consegue realizar interessantes homenagens ao gênero western, tomando para a estrutura do filme em um aspecto que carrega sombras do Western Clássico e de seu apogeu, importando momentos de Winchester ’73, O Matador, Onde Começa o Inferno e E O Sangue Semeou a Terra, além dos western spaghetti, em especial Por Um Punhado de Dólares e Trinity e Seus Companheiros. As semelhanças estão principalmente na forma visual, contando com [re]construções de cenas que caberiam muito bem em um filme mais sério ou em uma comédia não-pastelão, por serem muito bem feitas e ajudarem transformar o miolo da obra a melhor coisa de The Ridiculous 6, que traz igualmente referências anacrônicas e forçadas, como a presença de Mark Twain e Wyatt Earp mescladas com cumprimentos contemporâneos e citação literal de Esqueceram de Mim (Home Alone), em um dos momentos centrais da fita.

O elenco estelar (e aqui incluo os vários níveis de brilho de estrelas) gera um efeito especial no público, que vê na tela atores conhecidos e de carreira sólida no cinema e na TV entre protagonistas, coadjuvantes e cameos. Parece que o Netflix gosta de comédias no melhor estilo “reunião de atores”, algo que A Very Murray Christmas, lançado alguns dias antes de The Ridiculous 6, corrobora.

É fato que existem bons momentos em The Ridiculous 6. Mas também temos Adam Sandler no papel principal e co-escrevendo o roteiro. O resultado não poderia ser uma comédia satírica notável. O texto usa e abusa de momentos que nada acrescentam à trama, alonga demasiadamente cenas que deveriam ser curtas e diversas vezes abandona personagens no meio da narrativa para depois voltar para eles sem mais nem menos, como se nada tivesse acontecido. Mesmo rindo e gostando das boas homenagens aos filmes de faroeste expostas em seu desenvolvimento, não tem como classificar The Ridiculous 6 de outra forma além de “o erro rude do Netflix em dar emprego para Adam Sandler“; além de alguns outros problemas de produção que conseguem se igualar a este erro principal.

The Ridiculous 6 (EUA, 2015)
Direção: Frank Coraci
Roteiro: Tim Herlihy, Adam Sandler
Elenco: Adam Sandler, Terry Crews, Jorge Garcia, Taylor Lautner, Rob Schneider, Luke Wilson, Will Forte, Steve Zahn, Harvey Keitel, Nick Nolte, Jon Lovitz, Whitney Cummings, Danny Trejo, Nick Swardson, Julia Lea Wolov, Blake Shelton, Steve Buscemi, John Turturro
Duração: 120 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.