Crítica | The Romanoffs – 1X05: Bright and High Circle

  • Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Matthew Weiner foi acusado por sua assistente de conduta imprópria, aquela malfadada expressão que pode significar muita coisa, mas que também pode não significar nada e Bright and High Circle é, aparentemente, sua resposta. E, em tempos de #metoo, o quinto capítulo de The Romanoffs é no mínimo corajoso por relativizar as acusações, mas ele se perde completamente em suas intenções, apostando em uma abordagem de revirar os olhos de tão didática.

Aliás, didatismo é o que não parece faltar nesta que era uma das séries mais aguardadas de 2018, mas que acabou sendo recebida universalmente de maneira fria e distante, com episódios muito aquém do potencial que Weiner demonstrara em Mad Men. Eu mesmo, quando comecei a escrever sobre a série, tentei afastar-me das comparações, pois elas seriam inevitavelmente cruéis, mas, realmente, sou o primeiro a reconhecer que The Romanoffs é uma pálida sombra do que poderia ser.

No episódio, vemos a professora de literatura russa descendente (em tese) dos Romanovs Katherine Ford (Diane Lane reprisando o papel que vimos em uma ponta em Expectation) às voltas com uma acusação de “conduta imprópria” do professor de piano de seus três filhos, David Patton (Andrew Rannells) depois que uma investigadora de polícia vai procurá-la para fazer algumas perguntas. Como reagir? Contar para suas amigas cujos filhos também tem aula com David e arriscar destruir sua reputação ou ficar calada e passar a ser moralmente responsável pelo que eventualmente possa acontecer? Seria de se esperar que um assunto sério e complexo desse recebesse um tratamento de primeira, na linha, por exemplo, do que vemos no espetacular e perturbador A Caça. Mas não, o que Weiner nos entrega é um roteiro pobre que mais parece cachorro correndo atrás do rabo.

A pergunta “como reagir?” é abordada não uma, não duas, não três vezes, mas sim a cada nova sequência posterior à visita da polícia à Katherine, ainda que de formas diferentes, claro. É como se o texto co-escrito por Weiner e Kriss Turner Towner procurasse ao máximo não deixar dúvidas para o mais desatento espectador sobre o que está acontecendo. Mas, pior do que isso, apesar de posar a pergunta, a resposta que vem é rasa como o proverbial pires, como se realmente o showrunner estivesse na defensiva, querendo mostrar que as acusações contra ele foram levianas.

Ao deslocar a discussão de assédio sexual em ambiente de trabalho para potencial molestamento de menores, o episódio tira as nuances do primeiro e nos exige uma resposta binária. E, ao deixar de aprofundar-se sobre a acusação em si – a polícia simplesmente desaparece do capítulo, em uma escolha tão tola quanto conveniente -, ficamos apenas no achismo, na fofoca, o que torna também mais fácil ficar do lado do acusado. Não quero aqui entrar no mérito da acusação contra Weiner, mas isso me pareceu um golpe baixo cirurgicamente pensado para desacreditar sua acusadora.

Mas, voltando ao episódio em si, o texto canhestro acaba levando a performances artificiais demais, daquelas de incomodar pela teatralidade. E falo aqui inclusive de Diane Lane que, apesar de alguns momentos interessantes, mais parece uma caricatura de mãe preocupada, com sequências de ranger os dentes com cada um de seus filhos. Rannells também é o estereótipo ambulante, uma figura simpática, mas com tendência a mentir ou a exagerar, o que acaba desacreditando-o em retrospecto, mas sempre em diálogos explicativos sem sua presença no presente, já que o “modo flashback” entra a todo vapor para tentar trazer mais nuances, mas que, porém, falha miseravelmente.

No final das contas, o que poderia ser uma discussão interessante acaba sendo um episódio que perde seu objetivo e descarrila logo após sua metade, caminhando claudicante e erraticamente até seu fim que é literalmente uma lição de moral que não diz nada com nada. Bright and High Circle sequer parece ter sido escrito ou dirigido por Weiner. Ao tentar misturar uma defesa pessoal, ele se aproxima demais do resultado e perde o foco, com a seriedade que a questão precisa indo para o inferno das boas intenções.

The Romanoffs – 1X05: Bright and High Circle (EUA, 02 de novembro de 2018)
Criação: Matthew Weiner
Direção: Matthew Weiner
Roteiro: Kriss Turner Towner, Matthew Weiner
Elenco: Diane Lane, Andrew Rannells, Cara Buono, Nicole Ari Parker, Ron Livingston, Thaddeaus Ek, Joshua Carlon, Uriah Shelton, Alexandra Barreto
Duração: 70 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.