Crítica | The Rover – A Caçada

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estrelas 1Difícil posicionar esse filme em algum gênero ou mesmo tentar classificá-lo. Ele começa da mesma forma que termina do nada.

O nada é um deserto em algum lugar nesse mundo vasto. Um homem sai do carro, sujo e cheio de moscas e entra num estabelecimento. Uma música asiática está tocando bem alta. Ele senta e se ocupa com algo. Do lado de fora, longe na estrada, três homens vem dirigindo um carro e discutindo avidamente. Um deles está baleado, claramente são bandidos e algo deu errado. Aquele que está ferido se preocupa por ter deixado o irmão para trás. No meio da discussão, eles sofrem um acidente e a caminhonete enguiça. Os três saem, abalados, porém inteiros e vão atrás de outro veículo. O único carro que tem na estrada é aquele que estava dirigindo o homem do começo do filme. Eles roubam o carro e saem em disparada. Ele percebe, pega o carro dos bandidos e vai atrás deles. Num ponto na estrada o grupo entra num embate e o dono do carro avisa que irá atrás deles para reaver seu veículo. No caminho, após acordar de uma pancada na cabeça, ele encontra o irmão ferido de um dos bandidos. Juntos eles vão atrás do trio por diferentes motivos que poderá ou não mudar no caminho.

Monótono, lento e sacal, The Rover – A Caçada começa do nada e não chega a lugar algum. Não há evolução dos personagens, da trama ou até mesmo do cenário. No início do filme aprendemos que houve um grande colapso no planeta, mas, não sabemos as causas desse tal colapso, nem o que seja. O visual lembra muito os filmes do Mad Max, com muita poeira e deserto a perder de vista. Não que Mad Max seja lá um filme excepcional, mas, ao menos, tem mais ação e se faz valer como obra clássica nos dias de hoje.

Guy Pearce é um homem de poucas palavras, comedido, assim como a sua atuação. Não há nada no seu personagem que o faça ser interessante. Robert Pattinson, que interpreta alguém com certo nível de retardo mental conseguiu ao menos uma boa caracterização e passa longe do vampiro-que-brilha Edward de Crepúsculo. Porém, sua atuação é mediana e ele parece um tanto incomodado com a prótese dentária que precisa usar. As fãs não vão reconhecê-lo e bem provável, não gostem do filme.

A grande questão nesse tipo de filme, não é nem o fato dele ser sacal, mas sim, de se perder em sua própria premissa e não chegar a nenhuma resolução que seja no mínimo satisfatória. Quando a apresentação dos personagens é fraca, qualquer coisa passa a ser possível, o que não significa que será aceitável. O personagem vivido por Pearce não tem o que é preciso para convencer o espectador de sua empreitada, e sua parceria com Pattinson, que deveria ajudar nessa ligação com o espectador, também não acontece.

Durante boa parte do filme esperamos por ao menos um momento crucial que irá justificar todos os acontecimentos. Infelizmente, ele não vem. E ao final, quando algo nos é revelado, já nem interessa tanto. A única curiosidade que fica é: para quê usar tantas moscas em cena?

The Rover – A Caçada (Australia/EUA – 2014)
Direção: David Michôd
Roteiro: David Michôd, Joel Edgerton
Elenco: Guy Pearce, Robert Pattinson, Scoot MacNairy, Tawanda Manyimo, David Field, Scott Perry, Richard Green, Ben Armer, Gillian Jones, Jamie Fallon
Duração: 103 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.