Crítica | The Sarah Jane Adventures – 2ª Temporada

estrelas 4

A 2ª Temporada de The Sarah Jane Adventures, o spin-off de tom mais “infantil” de Doctor Who é, decididamente, alguns passos acima em termos de narrativa e de valores de produção se comparada com a 1ª Temporada. O showrunner, Russel T. Davies, confiante com o sucesso de seu trabalho inicial, arriscou mais e acabou criando histórias que, ainda conseguindo focar nos fãs mais jovens, também apela para os adultos.

Mantendo sua estrutura de dois episódios por história, Davies aumentou levemente a duração de cada um para 28 ou 29 minutos, o que permitiu mais calma nos denouéments, além de aumentar a temporada para 12 episódios, no lugar dos 10 da 1ª. Ainda, logo no episódio de abertura, The Last Sontaran, Davies faz algo que já é praxe no universo whoviano: ele elimina uma companion. Mas não é nada tão drástico, claro. Alan Jackson (Joseph Millson), pai de Maria (Yasmin Paige), a menina que, na 1ª Temporada, se mudara para Bannerman Road e descobrira o segredo de Sarah Jane Smith (Elisabeth Sladen), recebe uma oferta de emprego para trabalhar nos EUA e, depois de uma aventura envolvendo o Comandante Kaagh (Anthony O’Donnell), um Sontaran perdido na Terra depois que sua frota foi dizimada pelo 10º Doutor no episódio The Poison Sky, da 4ª Temporada da Nova Série, acaba aceitando-a.

Com isso, Maria e sua família saem da história quase que completamente. Mas, claro, logo no aterrorizante episódio seguinte, The Day of the Clown, somos apresentados à sua substituta: Rani Chandra (Anjli Mohindra), filha de Haresh (Ace Bhatti), novo diretor da escola das crianças e Gita (Mina Anwar). Mal comparando, a troca de Maria por Rani lembra a troca de Rose Tyler por Martha Jones. Enquanto Rose – e Maria – são companions mais, digamos, comuns, humanos, que entram na aventura mais passivamente ao menos no início, Martha – e Rani – são mais impetuosas, mergulhando de cabeça nos problemas, verdadeiros protótipos de heroínas.

E, ainda que o episódio use de coincidências para unir Rani à Sarah Jane, Luke (Tommy Knight) e Clyde (Daniel Anthony), fato é que ela tem uma forte presença em tela e não demora muito para nos acomodarmos à novidade. Ajuda também o fato de o episódio – envolvendo um aterrador palhaço que deseja controlar as crianças – ser muito bem conduzido e, bem envolver esse ser com pintura exagerada no rosto que me dá pesadelos só de imaginar!

Em seguida, já com o novo status quo estabelecido, somos brindados com Secrets of the Stars em que a presença de um astrólogo particularmente bom em suas previsões coloca a equipe tentando entender como isso é possível. Apesar de um ótimo começo, especialmente com a excelente atuação de Russ Abbot como o vilão, a segunda parte sofre com um pouco de megalomania, ao expandir as consequências do que é feito para o mundo inteiro, algo que foge um pouco – ao meu ver – do propósito um pouco mais intimista da série.

Mas, em The Mark of the Berserker, o roteiro consegue criar uma história cativante que ajuda a expandir o universo da série, ao mostrar Carla (Jocelyn Jee Esien), a mãe de Clyde e, principalmente, Paul (Gary Beadle), seu pai que há muito o abandonou. Ao envolver fortemente valores familiares com a narrativa extraterrestre, o episódio duplo consegue ser um dos melhores da temporada.

No entanto, o prêmio de melhor da 2ª Temporada vai mesmo para The Temptation of Sarah Jane Smith, episódio duplo focado, claro, em Sarah Jane e sua decisão de viajar ao passado para ver seus pais que haviam morrido quando ela era ainda um bebê. Para começar, o episódio trabalha aquele que é o fundamento de tudo que envolve Doctor Who: viagem no tempo. E viagem no tempo é sempre sinal de coisa boa, não é mesmo?

Em segundo lugar, Elisabeth Sladen ganha mais tempo de tela aqui e, com isso, ela consegue brilhar com sua tocante atuação. Ver Sarah Jane voltar para 1951 e encontrar-se com seus pais e ela mesmo quando bebê e, no processo, reencontrar um antigo inimigo e, claro, ameaçar o mundo, é incrivelmente eficiente e poderia muito bem ser um típico episódio da série principal.

Finalmente, fechando a temporada, a narrativa nos leva de volta ao especial que deu vida à serie, Invasion of the Bane, trazendo de volta Mrs. Wormwood (Samantha Bond) e seu plano de vingança contra Sarah Jane. O Comandante Kaagh, o Sontaran do primeiro episódio da 2ª Temporada, também volta, além de uma ótima participação do Brigadeiro Lethbridge-Stewart (Nicholas Courtney, infelizmente na última vez que encarnaria o papel, pois o ator viria a falecer em 2011), da U.N.I.T. Cheio de reviravoltas e traições, além de novamente colocar em jogo a relação mãe-e-filho entre Sarah Jane e Luke, a trama é sólida e bem construída, gerando um final digno para a 2ª Temporada.

Com melhores efeitos especiais, histórias mais envolventes e levemente mais adultas, The Sarah Janes Adventures ganha um segundo ano mais azeitado e que pavimenta o caminho para novas e relevantes aventuras. Agradará a whovians e a não-whovias da mesma maneira (bom, desde que os não-whovians gostem de ficção científica, claro!).

The Sarah Jane Adventures – 2ª Temporada (Reino Unido, 2008)
Showrunner: Russell T. Davies
Direção: Joss Agnew (eps, 1 e 2 e 7 e 8), Michael Kerrigan (eps. 3 a 6), Graeme Harper (9 a 12)
Roteiro: Phil Ford (eps. 1 a 4 e 11 e 12), Gareth Roberts (eps. 5 e 6 e 9 e 10), Joseph Lidster (eps. 7 e 8)
Elenco: Elisabeth Sladen, Yasmin Paige, Tommy Knight, Alexander Armstrong, John Leeson, Porsha Lawrence Mavour, Joseph Millson, Juliet Cowan, Daniel Anthony, Anjli Mohindra, Mina Anwar, Ace Bhatti
Duração: 360 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.