Crítica | The Savage Dragon: Batismo de Fogo (1992)

estrelas 3,5

The Savage Dragon – estranhamente nunca traduzido para o português, apesar de lançado por aqui em publicação própria – é o segundo maior sucesso da primeira geração da Image Comics. Enquanto o primeiro lugar fica com Spawn, o “Dragão Selvagem” tem o mérito de ser a mais longeva publicação a cores em quadrinhos dos EUA com o mesmo roteirista e artista, pois ela é até hoje publicada religiosamente quase mensalmente sempre por Erik Larsen, estando, na data de publicação da presente crítica, em sua edição #222, com a única diferença no título tendo sido a exclusão do artigo “the”. Definitivamente, não é pouca coisa.

Assim como no caso de Youngblood, o personagem não foi criado diretamente já com Larsen na Image Comics. Sua primeira aparição se deu em Graphic Fantasy #1, de junho de 1982, apenas como “Dragão” e, em Megaton #3, de fevereiro de 1986, como “Dragão Selvagem”. Em 1992, o autor resgatou sua criação e a trouxe para a Image em forma de minissérie primeiro, a partir da segunda metade de 1992. Com o sucesso, a publicação tornou-se mensal e contribuiu fortemente para que a nova editora alcançasse uma fatia de 10% do mercado de quadrinhos americano já em 1993, ultrapassando brevemente até mesmo a DC Comics.

The Savage Dragon, assim como a grande maioria dos títulos da editora em sua primeira década, é uma HQ simples e de fácil digestão. Não é algo raso e mal desenhado como Youngblood, mas não aspira algo tão pretensamente complexo quanto Spawn. Fica em um meio termos agradável que mistura um bom estilo narrativo com desenhos bem trabalhados – e personagens espalhafatosos ao extremo, marca registrada da Image e, convenhamos, de todas as grandes editoras nessa época – e um protagonista suficientemente interessante e misterioso que funciona para prender o leitor. Esse personagem, claro, é o tal “Dragão Selvagem” do título que, desmemoriado, é quase que adotado por um policial de Chicago e acaba ele mesmo tornando-se um policial para lidar com a onda de super-criminosos que assola a cidade e que foi responsável por diversas baixas na força e também na comunidade super-heroística local.

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Todo verde, com uma “barbatana” de dragão na cabeça, super-forte e com um fator de cura acelerado, o personagem é chamado apenas de Dragão, pois não se lembra de seu nome ou de sua origem nesse começo, ainda que tenha perfeita memória de tudo à sua volta. Apesar de hesitante em tornar-se policial, uma tragédia o leva a usar o uniforme e a espancar vilões sempre que tem oportunidade em sequências muito divertidas e particularmente bem desenhadas por Larsen que sabe trabalhar o exagero sem parecer apenas uma caricatura, ainda que a sátira a personagens em quadrinhos em geral e a algumas editoras em particular esteja constantemente presente.

Na minissérie inaugural, somos apresentados a essa premissa, a vários super-vilões que parecem atrações de circo, a um super-herói uniformizado sem poderes chamado Star, ao Superpatriota, super-herói quase morto pelos vilões que ressuscita como uma máquina de matar e, claro, ao líder do chamado Círculo Vicioso, o misterioso Overlord, além de diversos personagens humanos comuns, especialmente ao tenente Frank Darling, o policial que o adota, mas que tem um segredo tenebroso. Não há muita complexidade aqui, apenas o equivalente a aqueles filmes de brucutus dos anos 80 (Stallone Cobra, Comando para Matar) em que o leitor deve apenas desligar o cérebro, refestelar-se em sua poltrona ou sofá e divertir-se com a infalível bobajada regada a muitos músculos, caras de raiva, chavões e splash pages detalhadas de violência explícita (mas menos do que em Spawn, a título de comparação), cortesia do incansável lápis e pincel de Erik Larsen.

O futuro reservaria histórias cada vez mais complexas para o herói e algumas mudanças de status, algo mais do que natural para uma revista publicada há décadas. Mas sua natureza de diversão descerebrada permanece até hoje e Batismo de Fogo é um ótimo começo para um personagem familiarmente diferente.

The Savage Dragon: Batismo de Fogo (The Savage Dragon: Baptism of Fire, EUA – 1992)
Contendo: The Savage Dragon vol. 1 #1 a #3
Roteiro: Erik Larsen
Cores: Gregory Wright
Letras: Chris Eliopoulos
Editora original: Image Comics
Data original de publicação: julho, outubro e dezembro de 1992
Editora no Brasil: Editora Abril
Data de publicação no Brasil: julho a outubro de 1996
Páginas: 30 aprox. por edição

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.