Crítica | The Seafarers

estrelas 2

The Seafarers foi o primeiro filme em cores dirigido por Stanley Kubrick. Trata-se de um documentário propagandístico sobre o Sindicato Internacional de Marinheiros (S.I.U.), uma abordagem das instalações, vantagens de alistamento e convivência dos homens do mar com a instituição que lhes dá respaldo e provê o sustento de suas famílias. Não é preciso avançar muito para perceber que o filme é menos documentário e mais propaganda, às vezes até utópica e pontuada de ideias que destacam esses homens e o próprio Sindicato como heróis do mar – um pouco no estilo dos “heróis do dia” apresentados pelo diretor em O Dia da Luta e Flying Padre.

O narrador onipresente acompanha o espectador por todos os espaços visitados pela câmera de Kubrick. Não há brilhantismo estético, é verdade, mas a direção e a fotografia não são ruins, sendo praticamente os únicos elementos que nos convencem a continuar vendo o filme até o final. Particularmente gosto das tomadas externas e das cenas de trabalho nos navios, cenas que se fossem vistas com outro roteiro ou apenas com música poderiam ter um impacto diferente no espectador. Por outro lado, não poderia deixar de apontar as terríveis encenações de encontros entre marinheiros na Sede do Sindicato e todo o discurso de louvor à organização.

É estranho ver um filme com essa característica assinado por um diretor como Kubrick. Dos seus três documentários, os mais fracos são Flying Padre e este The Seafarers, que definitivamente se sagra como a pior coisa que o cineasta dirigiu. O primeiro filme ainda traz algumas boas características estéticas, e o roteiro, mesmo não sendo bom, ainda consegue um lugar bem acima do texto propagandístico de The Seafarers. O propósito narrativo que falta em um, sobra em outro, e essa sobra é demasiada, datada e de interesse praticamente zero para a maioria dos espectadores (imagino eu). Não se trata do tema, na verdade. Se o documentário tivesse um rumo diferente e não fosse terrivelmente burocrático, talvez despertasse um pouco mais de simpatia do público.

The Seafarers foi o último curta-metragem e o último documentário que Stanley Kubrick dirigiu. No mesmo ano de 1953 ele estreara o longa Medo e Desejo, e a partir de sua obra seguinte, A Morte Passou por Perto (1955), começaria a moldar de fato o cineasta dos grandes filmes que tanto conhecemos e admiramos.

The Seafarers (EUA, 1953)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Will Chasen
Elenco: Don Hollenbeck (narrador)
Duração: 29 minutos

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.