Crítica | The Sims 4

estrelas 4

Lembro-me claramente de 2001, o primeiro The Sims era ainda um lançamento e me fazia passar horas e horas criando os pequenos personagens virtuais e projetando suas casas. Quando chegava a hora de efetivamente jogar o game, contudo, o ânimo logo ia embora. Não que fosse um jogo ruim, muito pelo contrário! Apenas não era de meu agrado pessoal. Alguns anos mais tarde tivemos a chegada de The Sims 2 e era impossível não se impressionar com as mudanças, que já saltavam aos olhos graças aos avanços gráficos. Neste tive uma experiência um pouco maior, mas ainda assim não fui cativado. Dito isso acabei pulando The Sims 3 e somente cheguei a jogá-lo quando descobri que o quarto já estava a caminho e contava com a Maxis de volta em seu desenvolvimento.

Com a chegada de The Sims 4 e sua bem estruturada campanha publicitária, os fãs longevos da franquia já começaram a reclamar sobre a falta de certos elementos (muitos deles) presentes nas entradas anteriores. Aparentemente a única coisa grande nova era o create-a-sim, liberado alguns dias antes do lançamento como um standalone. E de fato, sob um ponto de vista externo, o jogo conta com uma quantidade gigantesca de fatores ausentes, com o famoso create-a-style e as piscinas, famigeradas máquinas de matar no universo Sim. São nos detalhes, porém, que este novo game da franquia se sustenta, trazendo pequenas melhorias que, juntas, tornam esta uma experiência completamente nova e, melhor ainda, atrativa tanto para novos jogadores quanto para os antigos.

Começo pelo próprio create-a-sim, que já traz óbvias mudanças que tornam o processo de criar nosso personagem muito mais fluido. Diga adeus às barras de rolagens, pois essas foram substituídas por retratos no lado esquerdo, uma escolha visual bastante óbvia, presente em games como Guild Wars 2. Chega a ser extasiante o grau de detalhes com os quais conseguimos customizar o “protagonista” de nosso game, conseguindo fazê-lo similar a qualquer um que conheçamos. E, por mais que não tenhamos mais o velho create-a-style, somos dados inúmeras opções de vestimenta para escolhermos, o que irá soar limitado somente para os fãs mais hardcore da série. Com a aparência escolhida escolhemos, então, os traços da personalidade do sim, algo que exerce um papel fundamental neste game.

Prepare-se para gastar horas no create-a-sim

Prepare-se para gastar horas no create-a-sim

Ao escolhermos um lote para morarmos e nos mudarmos a primeira coisa que percebemos é a presença do humor do personagem no canto inferior esquerdo. Este varia dos básicos – triste, feliz – até os mais diferenciados como enérgico, envergonhado, romântico, etc. Dito isso, através de pequenos balões de pensamento no retrato do personagem, sabemos que ações irão fazê-lo feliz, algo completamente influenciado pela sua personalidade, escolhida na criação de sims. Mas essa dinâmica característica do game, que molda totalmente a forma como jogamos, não para por aí. Os estados mentais de cada sim moldam suas reações, opções de falas possíveis e até mesmo disposição em relação a outras pessoas, tornando esta, de longe, a entrada da franquia com interações sociais mais realistas.

Não se assuste, porém, ainda é possível se tornar melhor amigo de alguém em apenas alguns dias, se casar em menos de uma semana, ter filhos e por aí vai. Trata-se de um jogo, afinal, e cabe ao jogador como ele pretende levar a vida de seu sim. Quer fazê-la da forma mais realista possível ou ir direto ao assunto? Para tal, podemos escolher, no menu, como nosso personagem irá envelhecer e, também, os outros ao nosso redor – podendo variar de forma mais lenta a mais rápida ou sem qualquer envelhecimento. Aqui abro um parênteses: alterem de acordo com seu estilo logo de início a menos que queiram que sua nova esposa/ marido se torne uma senhora/senhor de idade passados apenas alguns dias, o que é especialmente trágico já que o sim perde grande parte de sua energia e não pode ter mais filhos nessa fase.

Entramos, então, em um ponto crucial do jogo: os bebês. Apesar de, em The Sims 3, termos presenciado uma evolução mais natural das crianças, que passam gradativamente do berço para andar, para a adolescência e assim por diante, não vemos mais isso neste quarto game. Ao invés disso, eles passam diretamente de bebês para crianças e o primeiro estágio é tido como apenas um objeto que interagimos através do berço, nos remetendo, imediatamente, à primeira entrada da franquia. Trata-se de um game breaker? Obviamente não, mas não podemos deixar de sentir o cheiro da ganância da EA, que, provavelmente, junto de dezenas de outros fatores, irá incluir em algum pacote de expansão – portanto, preparem seus bolsos.

Flirty!

Flirty!

Saindo da infância e entrando na adolescência e vida adulta encontramos inúmeras interações que se tornaram não só mais fáceis como mais dinâmicas. A mais notável destas é, sem dúvidas, a mudança entre vizinhanças ou simplesmente ir de um lugar para o outro. Através de simples escolhas e um mapa bastante simples, quase minimalista, conseguimos saber exatamente onde levar nossos sims e a viagem em si fica a apenas uma tela de loading de distância (que sequer chega a demorar).

Nem tudo são flores, porém, já que temos a presença de lotes menores de terra, além de certas limitações na construção de casas – a pessoalmente mais irritante sendo a construção de cercas. Por outro lado, as mecânicas em si ganharam um grande avanço e, assim como o create-a-sim funcionam de forma mais intuitiva. Novamente estamos diante de um fator que irá agradar e desapontar, como muitos outros no game.

The Sims 4, funciona, portanto, dessa maneira, através de uma constante relação de amor e ódio. O primeiro pelas inúmeras melhorias nos detalhes que tornaram essa a experiência mais dinâmica desde o lançamento de The Sims. E o segundo pela falta de elementos que, certamente, virão em pacotes de expansão. A volta da Maxis para o palco certamente afetou positivamente o desenvolvimento desta nova entrada da franquia, que certamente atrairá tanto novos jogadores quanto aos velhos fãs. Por mais que deslize em diversos aspectos, se auto-limitando, suas características positivas em muito superam as negativas.

The Sims 4
Desenvolvedor:
Maxis, The Sims Studio
Lançamento: 02 de Setembro de 2014
Gênero: Simulação
Disponível para: Pc

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.