Crítica | The Square

estrelas 5

The Square é um documentário urgente, essencial. É História acontecendo. É o mundo em movimento. Mas The Square também é angústia pura, daquelas de fazer o coração bater mais forte de desespero, de tristeza, mas também de esperança. É material que deveria ser visto por todos, independente de posicionamento político e/ou  religioso.

Formado por imagens filmadas com celulares, câmeras fotográficas e aparelhos semelhantes, The Square consegue contar brilhantemente, a partir de depoimentos quentes no local e no momento, a Revolução Egípcia de 2011 (também conhecida como a Revolução do Lotus), com a tomada da Praça Tahrir (o “Square” do título”) pela população desejosa de ver a longa ditadura opressora do “presidente” Hosni Mubarak cair. É um momento histórico ainda próximo de nós, mas extremamente importante para os países árabes, ainda sofrendo com ditaduras militares e regimes teocráticos e também para o Brasil, que recentemente esboçou sua própria revolução, ainda que sem qualquer resultado prático.

É absolutamente lindo ver a praça sendo tomada, a resistência dos militares ao lado de Mubarak e, finalmente, a queda de um regime de 30 anos. Gerações inteiras de egípcios só conheceram e conviveram com o retrato do ditador espalhado pelas cidades, como se fosse uma divindade.

Mas The Square não para nesse momento apenas. Em seus 108 minutos, Jehane Noujaim consegue literalmente levar as imagens até “ontem”, logo antes da recente votação da nova Constituição Egípcia. Vemos, sob os olhos de três cidadãos egípcios, dois jovens revolucionários sem filiação à religião alguma e um islâmico moderado, membro da Irmandade Muçulmana, as tensões políticas e sociais se desdobrarem diante de nossos olhos.

Da queda de Mubarak, vem o controle militar completo, com a promessa de eleições. A praça é esvaziada e os militares, claro, se acomodam no poder novamente. A Irmandande Muçulmana, no processo, sequestra o novo protesto que mais uma vez toma a Praça Tahrir e passa a fazer exigências de caráter religioso, afastando a população.

Mais protestos começam. A amizade entre os três cidadãos começa a ceder, especialmente em relação a Magdy Ashour, membro da Irmandade e temeroso de desobecers os mandamentos dos dirigentes de sua religião.

Todos nós conhecemos exatamente os desdobramentos políticos e sociais dos eventos egípcios desde 2011 e que continuam hoje ainda, sem uma resolução satisfatória que não envolva religião e exército. Mas o mergulho que esse documentário nos permite fazer nesses momentos históricos é imperdível e nos abre os olhos.

E não esperem que Noujaim economize nas imagens fortes. Muito ao contrário, aliás. A violência da Polícia Secreta é claramente denunciada e está lá para quem quiser ver, com torturas terríveis, rostos deformados e muita gente baleada. Tudo aquilo que nós fomos privados de ver nos noticiários “sanitizados” do dia-a-dia da TV mundial, o documentário escancara para que saibamos do preço que a população está até hoje pagando por uma revolução que ainda não foi completamente bem-sucedida e que provavelmente necessitará de mais alguns anos para que tudo se acalme.

A esperança que fica é que os egípcios tenham a resistência para continuar exigindo um governo democrático secular e não militarizado, de forma que o Egito possa galgar, merecidamente, o árduo caminho que está à sua frente. Gostaria muito de ver uma “continuação” de The Square com um final feliz daqueles bem piegas, com direito a muita música, paz e felicidade para esse povo sofrido.

The Square (Idem, Egito/EUA – 2013)
Direção: Jehane Noujaim
Elenco: Khalid Abdalla, Ahmed Hassan, Ramy Essam, Aida Elkashef, Madgy Ashour
Duração: 108 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.