Crítica | The Star Beast – Doctor Who Magazine #19 a 26

The Star Beast

estrelas 3,5

Espaço-tempo: Blackcastle, Reino Unido, 1980 (ou final de 1979).
Equipe: 4º Doutor, K-9

The Star Beast é um tipo de história que ressalta o famoso ditado popular: as aparências enganam.

A história, estrelada pelo 4º Doutor, acompanha os eventos após a queda de uma nave espacial na pequena cidade de Blackcastle, Reino Unido, em 1980 (ou final de 1979). A imprensa noticia com espanto o acontecimento, mas o verdadeiro perigo ainda está por vir, disfarçado de muita fofura e com objetivos mortais em mente.

O Doutor só aparece ao final da primeira parte do conto, ao lado de K-9, e os vemos capturados por uma espécie alienígena artrópode chamada Wrarth Warrior, raça criada especialmente para lidar com os Meeps, seres muito bonitinhos mas verdeiros conquistadores e destruidores galácticos. A nave que caiu em Blackcastle era pilotada por um Meep chamado Beep (é pra rir ou pra chorar?), também conhecido como Most-High, nome que o próprio Beep se dá.

Enquanto a arte de Dave Gibbons vai pelo mesmo excelente caminho de Iron Legion e City of the Damned (talvez com um maior número de quadros e planos fechados do que o necessário, mas isso é só um detalhe), o roteiro de Pat Mills e John Wagner abusa um pouco da paciência do leitor, especialmente nos forçados cliffhangers entre uma edição e outra (o arco é dividido em 8 partes), nos fazendo acreditar em acontecimentos chocantes que, na edição seguinte, se mostram falsos e se resolvem com o mais patético dos Deus ex machina.

Essas lombadas no texto da dupla, todavia, se concentram basicamente no aspecto de continuação – e entendemos isso como parte de uma jogada de marketing, mas os mesmos autores fizeram coisas melhores em City of the Damned, por exemplo –, o que nos faz olhar com maior carinho para outros aspectos da história como a engraçada “troca de identidade” de K-9, que acha que é um gato e ronrona uma boa parte da história; ou a relação do Doutor, os soldados de Beep, o Meep, e os dois jovens que descobrem o fofucho assassino espacial em um ferro-velho: Sharon Davies (que se torna companion do Doutor ao final dessa história) e Fudge Higgins.

O que nos chama atenção em relação aos dois estudantes é que Sharon é “desligada” de todo o universo da ficção científica, enquanto Fudge sabe o nome de naves, comandos e outros elementos do gênero. No final, é a garota noob (e não caucasiana!) quem ‘ganha uma passagem’ para viajar na TARDIS. É claro que a ponte entre curiosa e dominada por um Meep para companion se constrói de maneira muito rápida e sem muitas justificativas, porém, este é um fato que pode facilmente ser explicado de maneira elíptica, o que facilita um pouco a aceitação do público para o fato.

The Star Beast mostra batalhas e ameaças, fugas e disfarces… além da história de um povo que, devido a uma conjunção estelar (influência dos raios de um Sol Negro) passaram de seres pacíficos para guerreiros sanguinários. Mesmo que não seja uma trama exemplar, seu conteúdo é bom e traz inúmeros conceitos éticos à discussão, além de mostrar a relação do Doutor com duas raças alienígenas de constituição moral opostas e, claro, sua birra e carinho eternos em relação aos seres humanos.

Doctor Who Magazine #19 a 26: The Star Beast (Reino Unido, Fev – Abr, 1980)
Relançamento com histórias colorizadas:
 Doctor Who – Dave Gibbons Collection (Reino Unido, 2009) – Editora IDW
Roteiro: Pat Mills, John Wagner
Arte: Dave Gibbons
34 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.