Crítica | The Third Doctor Adventures – Volume 1

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Prisoners of the Lake

estrelas 3,5

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Equipe: 3º Doutor, Jo, Mike
Espaço: Dunstanton Lake
Tempo: Anos 1970

A série The Third Doctor Adventures é mais uma iniciativa da Big Finish, cujo objetivo é trazer para a comunidade whovian aventuras inéditas da Série Clássica, mesmo com Doutores cujos atores já faleceram. Até o lançamento deste box set, a BF havia escalado o ator William Russell para viver o 1º Doutor e continuar com o papel de Ian nas novas aventuras; e Frazer Hines para viver o 2º Doutor, além de seguir interpretando o papel de Jamie McCrimmon. Esta, porém, é a primeira vez que tivemos um ator “de fora da série” oficialmente escalado para viver o 3º Doutor em histórias que complementam os arcos televisionados, ou seja, tramas no estilo full cast.

Após ouvir as duas histórias deste Volume 1 das TDA, o meu receio em relação à escalação de Tim Treloar para o papel do Doutor desapareceu por completo. A armadilha desse tipo de personificação é praticamente fatal se o ator/atriz força uma imitação, o que não aconteceu com Treloar. O ator incorporou muitíssimo bem os traços de linguagem e tom de voz de Jon Pertwee mas colocou-se com bastante força no papel, encontrando o seu próprio caminho e assumindo com intensidade a personalidade do 3º Doutor.

A trama desta aventura (que ocorre após The Time Monster) foi escrita por Justin Richards e coloca o Doutor, Jo e Mike (que dupla de companions sensacional! Como é bom ver a BF valorizando um personagem como Mike Yates!) em uma pesquisa arqueológica em Dunstanton Lake, onde dois tipos de “vilão” aparece, até que as intenções deles são reveladas e tanto o trio enviado pela UNIT quanto a equipe responsável pela descoberta no fundo do lago terá que fazer escolhas bem difíceis no decorrer da narrativa. Sombras de Under the Lake passam por aqui.

Prisoners of the Lake tem exatamente a mesma estrutura e a mesma aura dramática que os arcos televisionados da era do 3º Doutor. Os eventos são sempre grandiosos, com intricadas reviravoltas, ameaças com potencial de destruição imediata do mundo contemporâneo (século XX), como sempre acontece nos casos da UNIT neste período (e essa história nos lembra Doctor Who and the Silurians misturada com The Sea Devils), além da sempre marcante tenência de burocratas, empresários e até cientistas enlouquecerem diante de uma determinada pesquisa e não medirem as consequências negativas que ela pode trazer para o mundo.

O miolo da história, infelizmente, é bastante confuso e cansativo, porque a perseguição não avança muito e mais nada de novo nos é apresentado além da luta pela luta. De toda forma, nenhum episódio de Prisoners of the Lake é descartável e a história termina bastante acima da média, com bom humor e reunião fraterna entre os principais personagens. Mais um ponto positivo para a Big Finish nesta nova empreitada.

The Third Doctor Adventures – Volume 1: Prisoners of the Lake (Reino Unido, set, 2015)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Justin Richards
Elenco: Tim Treloar, Katy Manning, Richard Franklin, Carolyn Seymour, Robbie Stevens, John Banks
Duração: 158 min.

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The Havoc of Empires

estrelas 4,5

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Equipe: 3º Doutor, Jo, Mike
Espaço: Estação espacial não nomeada
Tempo: 2679

O enredo e a direção de The Havoc of Empires é praticamente uma extensão da intriga intergalática que vimos em The Curse of Peladon, colocando em cena o mesmo tom de ameaça, o mesmo grande evento em andamento e a linha narrativa do “homem errado” protagonizada pelo Doutor e seus companions: Jo, na melhor representação e ação da personagem que eu já tive a oportunidade de ver e ouvir, e Mike Yates, que aqui faz a sua primeira viagem na TARDIS.

A história — que está localizada depois de The Three Doctors — começa após o Doutor abaixar o volume da música clássica que estava ouvindo antes da chegada de Jo e da a conversa entre os dois personagens sobre o lugar para onde iriam. A companion gostaria de ir para o Cavern Club em Liverpool, no ano de 1962, para ver os Beatles. Já Yates, previamente convidado para o passeio, chega todo pomposo e esbanjando simpatia, dizendo que gostaria de ir ver WG Grace jogar críquete. Após uma breve discussão, fica acertado que todos iriam assistir ao jogo e comer os estranhos sanduíches de Yates. A TARDIS então se materializa para então chegar… surpresa, surpresa… em um lugar completamente diferente.

Durante preparativos matrimoniais e fortes dissensões políticas entre as espécies envolvidas no acordo que uniria o casal dessa história, tudo parece dar errado para o Doutor, Jo e Mike, que vão criando possibilidades e convencendo o máximo de pessoas possível de que são inocentes e de que estão lá apenas por acaso. O bom do roteiro de Andy Lane é que os tropeços religiosos mostrados em The Curse of Peladon e em sua cópia continuação The Monster of Peladon é substituído pela tecnologia e pela forte mão de obscuros interesses econômicos que acabarão causando um grande acidente na Estação Espacial, piorando a situação do Doutor.

Não há dúvidas que a grande estrela dessa aventura é Jo Grant, que assume o papel de “chefe da tripulação” e faz o que o Doutor ou o Brigadeiro deveriam fazer. É curioso que esta aventura esteja entre The Three Doctors e Carnival of Monsters, um momento dos arcos em que Jo passou a receber um pouquinho mais de atenção dos roteiristas em alguns episódios, depois de ter sido delicadamente colocada no posto de “garota frágil que estava lá para receber umas boas patadas do Doutor”. O relacionamento entre os dois aqui se parece bastante com o que vimos na TV, mas há algo novo, um vigor, uma força que mostra um lado completamente diferente da companion, algo gratificante de se ver.

Mike Yates, em sua primeira viagem pelo espaço, assume de cara o posto de companion indireto que ele vinha cultivando desde o primeiríssimo contato com o 3º Doutor, em Vengeance of the Stones, e mais uma vez devo elogiar o trabalho da Big Finish em dar a devida atenção a esse personagem. Depois do que vimos em Invasion of the Dinosaurs e Planet of the Spiders, era impossível não querer mais detalhes sobre Yates, que ainda bem foi retomado e melhor explorado nos áudios da BF.

The Havoc of Empires é uma excelente aventura diplomática com momentos de bastante tensão. A direção de Nicholas Briggs pende para o épico e, como sempre, equilibra com competência gêneros narrativos diversos, do bom humor inicial, passando pelo suspense e terror do miolo da história para enfim chegar ao romance e familiarização ao final. Sem dúvida, uma das melhores histórias do 3º Doutor.

The Third Doctor Adventures – Volume 1: The Havoc of Empires (Reino Unido, set, 2015)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Andy Lane
Elenco: Tim Treloar, Katy Manning, Richard Franklin, Helen Goldwyn, Hywel Morgan, Lucy Briggs-Owen, Joanna Bacon, George Layton
Duração: 120 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.